25 de set de 2018

    Uma thread no Twitter expôs o racismo entre homens gays no grupo da PAN

    Dentro do grupo fechado no Facebook prolifera o humor ácido, mas também um discurso de ódio afiado.

    Fakes, fanfics, tours e memes – vale tudo no Fórum da PAN, página que ganhou a internet com suas gírias e expressões sobre o mundo das divas pop.

    Mas um grupo fechado no Facebook também chamado PAN começou a atrair um grande número de membros gays e criou um microcosmo onde prolifera o humor ácido, mas também um discurso de ódio afiado.

    O grupo se parece com seu rival LDRV (Lana Del Rey Vevo), um outro fenômeno do Facebook que revelou memes famosos como o da Inbonha e fanfics tão grandes que duraram quatro anos até serem descobertas. Assim como o LDRV, o grupo fechado da PAN tem "eras", ou seja, depois de um certo tempo todo o conteúdo de lá é deletado.

    A maioria dos membros do grupo fechado da PAN é jovem, gay e usa de perfis fakes e do caráter privado do grupo para disseminar comentários e memes racistas.

    Reprodução/Twitter

    O meme fazendo "piada" com as acusações de que Taylor Swift seria racista (foto acima) foi postado no grupo quando a "era" se chamava "PAN: Vegas e Veganas". Uma outra "era" do grupo chegou a se chamar "Pan: Reich III" e tinha como foto de capa uma montagem da Taylor vestindo uma roupa nazista.

    Então uma thread nesta segunda (24) no Twitter compilou prints que expõem o racismo dos membros dentro do grupo.

    Vocês já ouviram falar do grupo PAN? É um grupo gay do Facebook, mas eles não militam pela causa LGBT. Muito pelo contrário. Eles são racistas, gordofóbicos e CRIMINOSOS. Veja a thread e entenda por que eles devem ser punidos:

    Renan Wilbert, autor da thread, afirma que não considera a PAN um grupo LGBTQ e sim um grupo racista, gordofóbico e criminoso. Ele primeiro ficou sabendo do grupo ao se tornar uma vítima dele. Renan administra uma página do Facebook de conteúdo LGBTQ chamada Igreja de Santa Cher na Terra. "No início de 2016, ela (a página) começou a ganhar algum destaque e aí vinha uma galera xingar. Primeiro um, depois dois, e foi crescendo. No final daquele ano, eu já sofria alguns ataques organizados. Eles chegavam a mencionar que eram da Pan. Usavam o nome várias vezes", relatou em entrevista ao BuzzFeed Brasil.

    Renan descreveu alguns dos ataques que sofria: "Falavam do meu peso, do meu cabelo, da minha sobrancelha... Coisas para tentar me diminuir. Também diziam coisas como 'você é esquizofrênico', 'você tem inveja de quem é branco e magro', 'você é complexado e tinha que se matar'", afirmou.

    Renan conta que começou a receber mensagens de apoio por inbox e também prints do que acontecia dentro do grupo. "Foi aí que recebi as imagens dos posts contra a filha do Bruno e da Giovanna".

    Reprodução/Twitter
    Reprodução/Twitter

    As postagens a que Renan se refere são "piadas" sobre a filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. Nelas, os membros escrevem injúrias racistas como "já, já tá limpando a casinha da família".

    Outros memes recorrentes, e denunciados por uma outra thread no Twitter, têm como alvo a cantora Beyoncé.

    Reprodução/Twitter

    Recentemente, alguns perfis identificados como sendo de membros do grupo protagonizaram também ataques racistas às fotos da festa Batekoo.

    E as ofensas não param por aí. A gíria "theusa", popularizada dentro da PAN, remete ao caso Matheusa, vítima trans que foi assassinada e carbonizada no Rio de Janeiro.

    Reprodução/Twitter

    Dentro do grupo os membros fazem piadas com o fato do público de fora não fazer ideia do que a gíria "theusa" quer dizer.

    O Fórum da Pan esclareceu ao BuzzFeed Brasil que não tem nenhum vínculo com o grupo fechado que usa o mesmo nome.

    Eles ainda afirmaram que já tentaram denunciar o grupo por usar o nome do fórum e que não apoiam de maneira alguma os ataques racistas organizados em páginas e vídeos na internet.

    Você pode denunciar mensagens de ódio (apologia ao crime ou racismo, por exemplo) em locais como a SaferNet Brasil, que recebe queixas anônimas de crimes e violações contra os Direitos Humanos na internet.

    O Ministério Público também conta com um canal para denúncias de crimes ocorridos na internet. É importante anexar o maior número possível de provas, como prints e links para perfis dos criminosos.

    Veja também:

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