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Posted on 13 de abr de 2018

21 coisas que pessoas que fazem PrEP gostariam de dizer

PrEP significa profilaxia pré-exposição e consiste na utilização de um medicamento para evitar que uma pessoa que não tem o HIV adquira a infecção quando se expõe ao vírus.

Perguntamos a homens gays que estão se submetendo à terapia PrEP no Brasil o que eles gostariam de compartilhar sobre o tratamento.

Os entrevistados permanecerão anônimos e suas respostas podem ter sido editadas para concisão e clareza.

Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre / Via VisualHunt.com / CC BY-NC-SA

1. "Em primeiro lugar, PrEP é o protocolo, não o remédio." (PrEP significa profilaxia pré-exposição e consiste na utilização de um medicamento para evitar que uma pessoa que não tem o HIV adquira a infecção quando se expõe ao vírus.)

2. "No caso do PrEP, Truvada foi o medicamento escolhido para se fazer a prevenção da infecção pelo HIV."

3. "Ao aderir ao protocolo da PrEP, você acaba conversando com muitos profissionais de saúde sobre seu comportamento sexual e se tornando muito mais informado do que a maioria das pessoas."

4. "É importante lembrar que o tratamento não protege você das infecções por outros agentes, que causam outras doenças indesejáveis, tipo hepatites e sífilis. E acho que esse é um dos maiores erros: achar que está protegido de tudo."

4. "Mas isso não invalida o fato de que o tratamento previne contra o HIV, sim." (Ao tomar o Truvada corretamente, a proteção contra o HIV chega próximo de 100%).

5. "Com a PrEP, aprendi que o melhor meio de proteção é aquele em que você consegue ter melhor adesão. Se eu não consigo usar camisinha 100% das vezes, prefiro me proteger com algo que sei que não deixarei de lado."

6. "Em contrapartida, se a pessoa tem boa adesão à camisinha, ela não precisa de PrEP." (O tratamento é indicado a pessoas que têm relações anais sem camisinha, especialmente quem recebe o pênis no ânus, seja homem ou mulher).

Leonhard Foeger / Reuters

7. "Eu comecei o tratamento pela via particular, mas o preço é muito alto (cerca de R$ 290,00) e a disponibilidade não é garantida."

8. "Por conta disso, o tratamento pode ser feito pelo SUS, e o serviço é bem melhor e organizado." (No Brasil, o protocolo é oferecido de graça pelo SUS e você se torna um voluntário dos estudos para combater o avanço da epidemia de HIV no país).

9. "No começo, eu achava que ia ter mais efeitos colaterais, e, na verdade, só senti alguma coisa durante a primeira semana." (Os efeitos colaterais mais comuns são náusea, vômito e dor de estômago, de acordo com o site da Truvada).

10. "O mais importante e talvez o maior desafio é tomar o remédio todos os dias com disciplina." (Se você não tomar o comprimido corretamente, pode ser que você não tenha medicamento o suficiente no sangue para impedir a contaminação).

11. "Rola um lance também de automedicacão. Tem gente que compra o PrEP particular e toma sozinho, sem acompanhamento de um médico. É importante fazer esse acompanhamento constantemente, pra entender como o fígado e o seu corpo de modo geral está reagindo."

Homo Eяectus / Via Visual Hunt / CC BY

12. "Desde que comecei o tratamento, a maior desinformação que tenho visto é a ideia de que o uso de PrEP vai aumentar a incidência de outras ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis)."

13. "O único perigo real do Truvada por enquanto (porque ainda não temos como saber) é em relação aos seus efeitos de longo prazo no fígado e na função renal, já que é um remédio forte tomado diariamente."

14. "Mas, justamente por isso, nós somos obrigados a passar por esses exames pro fígado e rim nos check-ups regulares."

15. "Mesmo que o aumento da adoção do PrEP faça com que a comunidade gay use menos camisinha, a aderência ao programa requer exames frequentes que fazem com que elas sejam detectadas, e, por consequência, tratadas." (No estudo iPrEX os participantes tinham mais parceiros sexuais antes de iniciar a medicação, sugerindo que o comportamento sexual de risco não era consequência do uso de PrEP.)

16. "Isso é algo que as pessoas precisam entender: o perigo real não está numa pessoa que pega uma IST, faz exame e se cura, mas sim na pessoa que nunca pensa que pode ter pego algo e não faz exames. O pior status é o desconhecido."

17. "O pior é que não é comum falar sobre camisinha, PrEP e outras questões de saúde com parceiros eventuais, mas isso precisa se tornar algo normal."

18. "E sinto que o uso do PrEP no Brasil ainda é associado à promiscuidade. A gente precisa, como comunidade LGBTQ, derrubar o preconceito que envolve liberdade sexual."

Francois Lenoir / Reuters

19. "Por fim, o maior problema em se fazer alarde sobre possíveis falhas do PrEP é que isso mantém vivo o espectro do HIV como a pior coisa que pode acontecer com alguém, o que perpetua um estigma que fere os soropositivos muito mais do que o vírus em si."

20. "O Brasil é um país avançadíssimo em termos de tratamento de HIV, e hoje em dia soropositivos vivem vidas normais e saudáveis."

21. "Devemos prevenir o HIV como qualquer doença – seja com PrEP, camisinha ou ambos."

Para mais informações, acesse o site PrEP Brasil, do laboratório de pesquisa da Fiocruz.

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