• newsbr badge

É isto que revela a pesquisa sobre drogas vetada pelo governo Bolsonaro

O governo não quis divulgar a pesquisa da Fiocruz sobre o uso de drogas pelos brasileiros, por discordar dos resultados. Após acordo, o estudo foi liberado.

A Fundação Oswaldo Cruz acaba de liberar a íntegra do 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira. A pesquisa, que custou R$ 7 milhões aos cofres públicos, foi concluída neste ano, mas o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não quis divulgá-la, por discordar de seus resultados.

Após acordo com a Advocacia Geral da União (AGU), a pesquisa — encomendada pelo Ministério da Justiça durante o governo de Dilma Rousseff (PT) — foi liberada.

A polêmica com Bolsonaro se deu porque a pesquisa não trata o consumo de crack como uma epidemia, que é o que defende o ministro Osmar Terra (Cidadania).

A pesquisa foi a campo em 2015, com 285 pesquisadores e 16.273 entrevistas em domicílios de todo o Brasil. As perguntas abrangiam dados gerais de saúde e dados específicos de drogas, remédios, tabaco e álcool. Cada questionário era composto de 25 páginas. O público pesquisado era de 12 a 65 anos.

Abaixo estão os principais resultados. Você pode ter acesso a toda a pesquisa aqui

Álcool

46 milhões de brasileiros (30,1%) consumiram álcool nos últimos 30 dias.

Binge drinking

Este termo é usado quando a pessoa, em uma única ocasião, toma cinco ou mais doses (para homem) ou quatro ou mais doses (para mulher). Neste caso, o número é de 25 milhões de brasileiros (16,5% da população geral). Se considerada apenas a população que consumiu álcool nos últimos 12 meses, esse número salta para 38,4%.

Os homens bebem mais que as mulheres em binge

Fiocruz

E 5% dos adolescentes entre 12 e 17 anos bebem muito de uma vez

Fiocruz

Uso de tabaco: do cigarro industrializado ao narguilé

Cerca de 26,4 milhões de brasileiros de 12 a 65 anos consumiram produto de tabaco nos últimos 12 meses da pesquisa, ou seja, 17,3% desse grupo populacional. O cigarro industrializado é consumido por 15,4%, mas cerca de 3 milhões de pessoas (1,9%) consomem outros tipos de produto de tabaco, como os cigarros artesanais etc.

E 51 milhões de brasileiros já usaram cigarro alguma vez na vida. A idade mediana para início desse consumo é 15 anos.

Uso de remédios não prescritos

As mulheres usam mais remédios sem prescrição médica que os homens (4% x 2% nos últimos 12 meses). Os remédios citados são anabolizantes, anfetamínicos, anticolinérgicos, barbitúricos, benzodiazepínicos e opiáceos.

Substâncias ilícitas

Cerca de 15 milhões de brasileiros usaram drogas ilícitas em algum momento da vida segundo a pesquisa da Fiocruz. Nos últimos 30 dias, o consumo foi reportado por 2,5 milhões de pessoas. A idade média inicial do consumo é de 16,6 anos.

Fiocruz

O consumo é maior entre homens do que entre mulheres

Fiocruz

Mistura rara de maconha e outras drogas

A pesquisa mostrou que é raro o usuário pesquisado misturar maconha com outras drogas. Mas faz uma observação. As entrevistas foram feitas em domicílios. "Cabe observar que, em se tratando da população geral, regularmente domiciliada, é de se esperar que o uso de misturas de substâncias seja de fato raro, o que se mostra fortemente discrepante de usuários adictos a um conjunto de substâncias, inseridos em cenas de tráfico e uso. Estes últimos foram identificados, sejam, pela nossa própria pesquisa, seja por diversos estudos etnográficos realizados por diferentes autores brasileiros e internacionais", diz o texto.

Aqui, um painel sobre o uso de álcool e outras substâncias:

Fiocruz

E os resultados sobre a dependência

Álcool: 2,3 milhões de pessoas entre 12 e 65 anos apresentaram dependência nos 12 meses anteriores à pesquisa. Isso representa 3,5% das pessoas que consumiram álcool no período. Desse total de dependentes 119 eram adolescentes entre 12 e 17 anos.

Dependência de alguma substância menos álcool e tabaco

Cerca de 1,2 milhão de pessoas apresentaram dependência de alguma substância que não álcool ou tabaco no período de 12 meses anteriores à realização da pesquisa. É uma prevalência de 13,6% em relação às pessoas que consumiram alguma dessas substâncias no período.

As dependências de maconha, benzodiazepínicos e cocaína foram as mais frequentes, diz o relatório.

Fiocruz

Não houve diferença estatisticamente significativa na prevalência de
dependência de alguma substância (exceto álcool e tabaco) entre homens e
mulheres, embora haja diferença quando analisados os dados por tipo de droga.

E aqui estão os locais onde as pessoas mais buscam ajuda

Fiocruz


Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

Got a confidential tip? Submit it here

Utilizamos cookies, próprios e de terceiros, que o reconhecem e identificam como um usuário único, para garantir a melhor experiência de navegação, personalizar conteúdo e anúncios, e melhorar o desempenho do nosso site e serviços. Esses Cookies nos permitem coletar alguns dados pessoais sobre você, como sua ID exclusiva atribuída ao seu dispositivo, endereço de IP, tipo de dispositivo e navegador, conteúdos visualizados ou outras ações realizadas usando nossos serviços, país e idioma selecionados, entre outros. Para saber mais sobre nossa política de cookies, acesse link.

Caso não concorde com o uso cookies dessa forma, você deverá ajustar as configurações de seu navegador ou deixar de acessar o nosso site e serviços. Ao continuar com a navegação em nosso site, você aceita o uso de cookies.