Impeachment começa a ser julgado e Dilma tem pouca chance de sobreviver

    O governo Temer quer acelerar audiências e encerrar o processo até quarta. Dilma vai depor no Senado na segunda. O BuzzFeed Brasil está em Brasília e acompanha o julgamento, em tempo real, pelo Twitter.

    O julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) começa nesta quinta-feira (25), com a audiência das duas testemunhas de acusação e seis de defesa da petista.

    Adriano Machado / Reuters

    O resultado sai na próxima semana e há fortes indícios de que a votação final seja o epílogo da era do PT no poder, que começou com a primeira posse de Lula na Presidência, em 2003.

    Nesta quarta, os senadores da base aliada fecharam acordo para acelerar o processo e encerrar essa parte do julgamento na sexta-feira. A ordem é restringir as perguntas.

    Já na segunda-feira, é esperado o momento mais dramático do julgamento. O depoimento da presidente, acusada de crime de responsabilidade fiscal. Só depois dessa parte é que poderá ocorrer a votação dos senadores, que poderão fazer perguntas a Dilma.

    Para este dia, estão previstos protestos pró e contra o impeachment. Para evitar confrontos, foi erguido mais uma vez um muro que separa as "torcidas". Os manifestantes também ficarão acampados em regiões distintas de Brasília.

    Desde o afastamento, em maio, as chances de Dilma sobreviver minguaram. Na primeira votação, que decidiu pelo afastamento, foram 55 votos contra 22. Na segunda, que admitiu a abertura do processo, o resultado foi 59 a 21.

    Substituição definitiva de Dilma por Temer gerou surto otimista no mercado financeiro.

    Andressa Anholete / AFP / Getty Images

    Placas de metal formam uma barreira na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para separar manifestantes pró e contra o impeachment.

    No campo econômico, a recessão brasileira –que é a pior desde 1930– ainda não foi superada: o desemprego ainda ronda a casa dos 12% e o déficit (a diferença entre o que o governo gasta e o que ele arrecada) ainda representa 10% do PIB, um número considerado muito alto por especialistas.

    A substituição da esquerdista Dilma Rousseff por Michel Temer, tido como pró-livre mercado, teve uma reação positiva no mercado financeiro.

    O Ibovespa, índice que mede o volume de negócios no mercado de ações, cresceu mais de 10% desde o afastamento da petista.

    O otimismo se deve a resultados concretos obtidos por Temer, mas ao temor de que Dilma retorne ao cargo.

    Em vez de cortar gastos como prometeu, o presidente interino autorizou sua base no Congresso a aprovar aumentos generalizados para funcionários públicos. Temer também reduziu de 2,5% para 1% do PIB a meta de economia nas contas do governo e liberou recursos para Estados à beira da falência, como o caso do Rio, que sediou a Olimpíada.

    Apesar de não cortar gastos, como era esperado, Temer fez promessas que agradam investidores e provocam calafrios em sindicatos, como aprovar uma lei para estabelecer um teto para os gastos do governo e, o que talvez seja o seu maior desafio político, reformar o sistema previdenciário.

    De concreto mesmo, o que o governo apresentou até agora foi o apoio para a continuidade de uma lei controversa: uma é o projeto que abre os campos de petróleo da camada pré-sal para exploração de companhias privadas, sem a necessidade de participação da estatal Petrobras.

    No campo da corrupção, um tema que fez ruir o apoio de Dilma Rousseff e a empurrou em direção a um abismo político, Temer não apresentou nenhum resultado impressionante.

    Três ministros do novo governo já caíram por terem sido implicados em suspeitas de corrupção ou obstrução da Justiça envolvendo a Operação Lava Jato, que apura o esquema multibilionário de fraude e desvio de dinheiro da Petrobras.

    A previsão do governo é que tudo esteja concluído até quarta-feira. Mas o rito ainda será definido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Ricardo Lewandowski. E todas as sessões serão conduzidas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

    Adriano Machado / Reuters

    Nesta quarta, o clima da sessão do Senado dava mostras do nível de tensão e dos debates entre a base dilmista e a base aliada. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) leu a carta escrita pelo presidente Getúlio Vargas antes de seu suicídio.

    A leitura criou polêmica no plenário e foi seguida de uma manifestação do senador Magno Malta (PR-ES), que disse que Getúlio deixou o governo para entrar para a História e não para ser preso_ uma provocação aos petistas condenados e outros investigados na Operação Lava Jato. Antes da sessão, Lindbergh comentava sobre o acirramento de ânimos nos corredores, depois de receber um abraço de alguém que lhe desejava "muita força": "Está assim. Quem ama ama, quem odeia odeia mesmo".

    Dilma está cada vez mais isolada politicamente. Como informou o BuzzFeed Brasil, seu último ato político antes do início da votação, um encontro com movimentos sociais em São Paulo, não teve a presença de seu mentor e padrinho político, o ex-presidente Lula. Leia mais aqui.

    Miguel Schincariol / AFP / Getty Images

    O BuzzFeed Brasil está em Brasília e acompanha em tempo real, pelo Twitter (@BuzzFeedBrasil), a conclusão do julgamento do impeachment de Dilma Rousseff.

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