O criador de Emily em Paris revelou seus momentos favoritos da série

    E, sim, ele revela se é uma Samantha, uma Carrie, uma Miranda ou uma Charlotte.

    Emma Mcintyre / Getty Images

    Acho que nem é preciso dizer que, como escritora de cultura pop, assisto a muita televisão. Tipo, muita. E, embora eu assista a um pouco de tudo, sou atraída por dois gêneros principais: comédias românticas e dramas adolescentes, especialmente aqueles que apresentam mulheres fortes. E, nos últimos 30 anos, esses são exatamente os tipos de séries que Darren Star tem criado.

    De "Barrados no Baile" e "Melrose" a "Sex and the City" e "Younger" (além de algumas séries entre essas), Darren tem sido o homem por trás de algumas das séries mais icônicas da história da TV. E, agora, ele tem uma nova série para adicionar à lista — "Emily em Paris".

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    O original da Netflix é estrelado por Lily Collins como uma garota de Chicago que, inesperadamente, se muda para Paris a trabalho. Embora instantaneamente apaixonada pela cidade, seus modos americanos modernos, sem mencionar não saber falar o idioma, fazem com que seja difícil para ela se dar bem. Mas, como todos os personagens de Darren, ela persevera e obtém sucesso, amigos e possivelmente amor ao longo do caminho.

    Na semana passada, conversei com Darren por telefone para discutir todas as coisas sobre "Emily em Paris" — incluindo detalhes dos bastidores, o impacto das mídias sociais e o que realmente significa ser um peixe fora d'água —, bem como o legado de "Sex and the City", a temporada final de "Younger" e como é escrever sobre as mulheres de uma nova geração. Leia!

    BuzzFeed: Eu só quero começar dizendo parabéns por "Emily em Paris"! Eu realmente adorei.

    Darren Star: Ah, muito obrigado. É muito bom ouvir isso.

    Emily wearing a red beret
    Courtesy Of Netflix

    Uma disse vez você que "Sex and the City" realmente tinha cinco personagens principais, sendo o quinto a cidade de Nova Iorque. Ela era uma parte essencial da série, e eu senti muito isso em "Emily em Paris". Então, por que você estabeleceu a série em Paris, ao invés de NY ou LA como suas outras séries?

    Eu sinto que a cidade tem uma função totalmente diferente aqui. As personagens de "Sex and the City" não eram peixes fora d'água em Nova Iorque. Esta é uma série que trata de ir para o exterior e ser um expatriado, e vivenciar algo diferente. E eu tenho muita familiaridade com Paris. Passei um tempinho morando lá e tive essa sensação, então posso imaginar como seria não ir lá, como poderia ser assustador nunca ter estado lá — nunca ter viajado de verdade — e, de repente, ter que ir para lá e trabalhar lá. Eu adoro a cidade e, certamente da maneira como adoro compartilhar meu amor por Nova Iorque em "Sex and the City", queria compartilhar meu amor por Paris com "Emily em Paris", mas a cidade tem um propósito totalmente diferente.

    A maioria dos personagens mudam-se para Paris em busca de um sonho — Gabriel quer ter seu próprio restaurante, Ashley quer ser cantora. Então, qual é o sonho de Emily?

    O sonho de Emily é voltar para Chicago! Para ela, isso é um trampolim para o trabalho em que já está. Emily não vai para lá totalmente empolgada sobre Paris. Ela está em uma missão. Por anos, ela tem a missão de levar esse ponto de vista americano da sua empresa, a qual adquiriu uma empresa francesa, e representar sua empresa de Chicago em Paris. Então, ela realmente não está lá porque sonhou em ir para Paris. Ela está lá para promover sua carreira em Chicago, pelo menos inicialmente.

    Stephanie Branchu / NETFLIX

    Você tem criado séries desde o início dos anos 90, e elas têm um legado enorme, abrangendo várias gerações. Mas, tanto "Younger" quanto "Emily em Paris" têm um foco muito forte no que é ser um millennial. Então, como uma millennial, eu queria saber quais são alguns dos desafios e recompensas de escrever para essa geração mais nova?

    Os millennial têm sua própria identidade geracional em certo sentido, mas, ao mesmo tempo, as pessoas que estão na casa dos 20 e trinta e poucos anos estão na casa dos 20 e trinta e poucos anos, e isso é mais ou menos o que é. Acho que isso é universal, que abrange gerações — o que queremos, quem amamos e o fato de que todos nós temos esse desejo de ser felizes.

    "Acho que isso é universal, que abrange gerações — o que queremos, quem amamos e o fato de que todos nós temos esse desejo de ser felizes."

    Mas, para essa série, eu quis explorar através dos olhos de alguém jovem, porque eu sentia que essa era a pessoa que provavelmente não teria viajado e tido aquela experiência de estar no exterior. E, definitivamente, por fazer "Younger", passei muito tempo pensando sobre a cultura millennial e que o fato é que todos fazemos parte do mesmo mundo. Portanto, não penso necessariamente em uma geração tão diferente da nova geração. Você sabe, estamos todos vivendo juntos.

    Falando na nova geração, vamos falar um pouco sobre mídias sociais, porque "Emily em Paris" não é apenas o nome da série, é o nome da conta dela (Emily in Paris) no Instagram. Você pode falar sobre o impacto das mídias sociais ou por que você centrou a série em torno disso?

    As mídias sociais fazem parte de todas as nossas vidas. E, novamente, ela é intergeracional. Mas, para essa personagem em particular, as mídias sociais são seu campo de especialização, e ela está muito focada no trabalho com as mídias sociais. E, como qualquer pessoa que viaja, eles querem compartilhar suas fotos nas mídias sociais. Então, isso começa inesperadamente o que é apenas outro lado do que está acontecendo com ela e, para mim, apenas outra forma visual de contar a história. É um pouco como um dispositivo de contar histórias. No passado, você estaria sentado em um café escrevendo cartões postais. Agora, você está enviando suas postagens no Instagram.

    Netflix

    Sim, isso é realmente verdade. Mesmo no primeiro episódio, ela fica muito surpresa com a quantidade de seguidores que consegue, porque ela está apenas compartilhando o que faz todos os dias.

    E o conteúdo dela é bom. Ela se diverte com isso.

    Agora, Emily conhece muitos caras nessa primeira temporada. Todos parecem atraídos por ela, do Gabriel ao Antoine, ao irmão da Camille. Você está torcendo por alguém? Você é do time Emily e Gabriel?

    Sinceramente, os caras são secundários. A Emily está lá para trabalhar, mas eles são uma boa distração ao mesmo tempo.

    Stephanie Branchu / NETFLIX

    Você tem uma cena ou momento favorito da série? Eu estava assistindo de novo ontem à noite, e o Pierre batendo no crème brûlée quando ele estava chateado foi simplesmente tudo para mim.

    Eu adorei isso! E esse momento foi concebido pela Alison Brown, que escreveu esse episódio, e eu simplesmente adoro o quão inesperado isso foi e o que isso diz sobre seu personagem, simplesmente a peculiaridade disso. E também adoro quando a Emily encontra o pai da Camille pela primeira vez na piscina.

    E os momentos de bastidores? Teve algo que foi particularmente memorável?

    O que foi realmente memorável foi o fato de termos trabalhado com uma equipe francesa. E eles eram muito talentosos e apaixonados por fazer a série e compartilhar a cidade conosco, e generosos com isso. E todos os americanos que estavam lá estavam todos juntos, morando e trabalhando em Paris por quatro meses. Todo o elenco passou muito tempo junto. Eles estavam tendo sua própria pitada de metaexperiência morando em Paris enquanto faziam essa série. E, realmente, de praticamente todas as séries que já fiz, passei a maior parte do tempo fora do set com o elenco.

    Getty Images

    Então, precisamos conversar sobre "Sex and the City". Eu sou uma grande fã. Olhando para trás, há algum enredo da série que foi ao ar e que você se arrepende de ter entrado na série? Ou vice-versa, há algo que você realmente queria mostrar e não teve a oportunidade de fazer nessas seis temporadas?

    Sinceramente, não que eu consiga pensar. Nós realmente conseguimos explorar todas as personagens profundamente e de uma forma muito satisfatória. Realmente, para mim, não há pontas soltas.

    Você sabia, quando estava fazendo a série, o que ela se tornaria? Você teve alguma ideia de que ela que seria um rolo compressor cultural?

    Não, não, absolutamente não. Para mim, criei "Sex and the City" como o filme independente para a televisão. Eu tinha feito "Barrados no Baile" e "Melrose", e "Central Park West" na CBS, e foi uma espécie de grande fracasso em certo sentido, e eu simplesmente pensei, "Eu quero fazer algo que não seja televisão", e algo que parecesse muito pessoal e, falando a verdade, algo que você nunca veria na televisão. Então, para mim, foi uma espécie de querer ter uma experiência criativa e não pensar em ter um sucesso comercial, o que torna ainda mais gratificante o fato de ter se tornado um sucesso da forma como foi.

    "Eu disse a Sarah Jessica que estava muito orgulhoso do que fizemos. Eu não sei o que vai acontecer com a série, mas eu simplesmente sinto que fizemos a série que pretendíamos fazer." 

    Na época, fazer uma série na HBO não era como agora — ela não era conhecida por suas séries. Na verdade, "Sex and the City" foi um ano antes de "Família Soprano". Terminamos a primeira temporada antes de ela ir ao ar e, no último dia de filmagem da última cena da primeira temporada, eu disse a Sarah Jessica que estava muito orgulhoso do que fizemos. Eu não sei o que vai acontecer com a série, mas eu simplesmente sinto que fizemos a série que pretendíamos fazer e ficamos muito felizes e orgulhosos disso, sem saber o que viria dela.

    Isso, na verdade, me leva perfeitamente à minha próxima pergunta. Eu sei que foi na HBO e que a série foi muito inovadora em sua representação das mulheres, sua relação com o sexo e a domínio de sua sexualidade. Você já recebeu alguma resistência da emissora?

    Não. Eles nos encorajaram a ser corajosos. E a contar histórias. Para mim, tudo se resumia a, 'Isso é verdadeiro e engraçado?', e esse foi o teste.

    HBO

    Sei que foi há algum tempo, mas há algum momento favorito ou alguma coisa dos bastidores que se destaque em "Sex and the City"?

    O momento em que Samantha sai correndo da cama com o cara de bunda flácida? Literalmente, eu estava meio que estragando a tomada de tanto rir. Mas, para mim, havia simplesmente muita coisa em "Sex and the City". Era meio que todo momento. Estar no set e filmar aquela série era um ponto alto... realmente era. Estar lá, assistir — era divertido, e todos nós tínhamos a sensação de que estávamos fazendo algo especial juntos.

    Eu realmente adoro como todas as suas séries apresentam mulheres fortes e modernas. Você pode falar comigo sobre o motivo de sua atração por esse tipo de personagem?

    Eu adoro escrever personagens femininas fortes, gosto de escrever mulheres porque, especialmente quando você está fazendo séries que são realmente sobre relacionamentos, séries que são comédias românticas, são geralmente voltadas para mulheres. E eu sinto que, tipo, as mulheres são engraçadas, são expressivas, são vulneráveis, falam sobre seus sentimentos. E, ao mesmo tempo, nenhuma dessas séries também existe sem grandes homens no elenco.

    "As mulheres são engraçadas, são expressivas, são vulneráveis, falam sobre seus sentimentos."

    Voltando a "Barrados no Baile", existe um conjunto. Mesmo sendo "Emily em Paris", ela faz amigos, trabalha com pessoas e há um sentimento de família sendo criado entre os personagens da série. Em mundos diferentes, seja na Beverly Hills High School ou morando em um prédio no Melrose Place ou quatro mulheres que são as pessoas mais importantes no mundo umas das outras, os personagens criam uma família uns com os outros. Mesmo em "Younger", há um elenco realmente forte, o conjunto, os personagens, são uma família uns para os outros. Com certeza.

    Qual o melhor conselho que Aaron Spelling já lhe deu sobre a criação de personagens de TV?

    Não consigo me lembrar de nenhum conselho específico que ele me deu sobre a criação de personagens. Nós tínhamos uma relação de trabalho realmente maravilhosa e criativa, Aaron e eu. O que me inspirava nele era que ele tinha um espírito criativo e maravilhoso. E eu adquiri muito por osmose, apenas trabalhando com ele tão próximo. E ele estava, em termos de escolha de elenco, olhando para os atores, e você sempre ficava, tipo, sério? Apenas olhando nos olhos deles. Porque você obtém muito da atuação apenas realmente vendo o que os olhos deles estão lhe dizendo.

    TV Land/Courtesy Everett Collection

    A última temporada de "Younger" está chegando. Estou muito triste que esteja terminando, mas feliz por estarmos chegando a uma conclusão. Tem algo que você possa compartilhar ou algo que você gostaria que os fãs tirassem dessa última temporada?

    Estamos todos agora debatendo esses últimos episódios em nossa sala dos roteiristas no Zoom. Deveríamos começar a filmar em abril, e tivemos que interromper no meio do caminho por causa da COVID. E, então, estamos nos reagrupando, começaremos as filmagens em 12 de outubro em Nova Iorque, o que me anima muito. E, para mim, trata-se apenas de encontrar esse final realmente satisfatório para todos os nossos personagens. O elenco cresceu, os conjuntos cresceram. E, então, tivemos muitos personagens que o público passou a amar, então, nós, como escritores, queremos dar a todos esses personagens uma grande despedida.

    Apenas uma última pergunta: de todas as séries que você criou ao longo dos anos, você tem um personagem favorito ou com o qual se identifica mais?

    Eu me identifico mais com a Carrie em "Sex and the City" só porque ela é escritora. E, assim, é fácil me colocar no lugar de uma escritora, na cabeça e na mente de uma escritora. Então, em termos de pensar no mundo do ponto de vista de uma escritora, e que havia muita narração naquela narrativa e naquela série que foi escrita, eu certamente entendia como ela estava olhando para o mundo, da mesma forma que eu olho para o mundo quando penso sobre personagens e tento chegar a uma conclusão e tento descobrir as coisas. Mas a Carrie também é uma observadora. Escrever essa personagem foi algo que eu realmente gostei de fazer, porque isso era muito parecido com a forma como meu processo de pensamento é sobre o mundo.

    E aí está, pessoal! Não deixe de conferir "Emily em Paris", disponível agora na Netflix.

    Este post foi traduzido do inglês.



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