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Na semana passada era "gripezinha"; agora é o "maior desafio da nossa geração."

O discurso do presidente sobre o coronavírus mudou após críticas de Poderes, isolamento político e perda de terreno nas redes sociais.

Reprodução

Criticado por minimizar o coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro promoveu uma guinada em seu discurso, abandonando o tom de confronto, no pronunciamento que fez nesta noite em cadeia nacional de rádio e televisão.

Houve panelaços em todas as regiões do país contra o presidente. É o 15º dia seguido. Pela contagem de hoje, o Brasil já acumulou 5.717 casos confirmados e 201 mortes desde que a doença chegou ao país.

Na semana passada, também falando em pronunciamento na TV, o presidente chamou o coronavírus de "gripezinha" e "resfriadinho". Agora, chamou a pandemia de "maior desafio da nossa geração".

No discurso de hoje, ele também se absteve de atacar o isolamento domiciliar, considerado o método mais eficaz por cientistas para retardar a disseminação da doença e não colapsar o sistema de saúde ao colapso.

Na semana passada, ele havia atacado governadores por promoverem a política de "terra arrasada" por determinarem o fechamento de serviços não essenciais e reclamou do fechamento de escolas. Agora, defendeu um "pacto" com governadores e prefeitos.

“Agradeço e reafirmo a importância da colaboração e a necessária união de todos num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos. Parlamento, Judiciário, governadores, prefeitos e sociedade”.

O tom sobre os danos econômicos trazidos pelo coronavírus hoje foi mais comedido: "Temos uma missão: salvar vidas sem deixar para trás os empregos. Por um lado, temos que ter cautela e precaução com todos, principalmente junto aos mais idosos e portadores de doenças pré-existentes. Por outro, temos que combater o desemprego, que cresce rapidamente, em especial entre os mais pobres. Vamos cumprir esta missão. Ao mesmo tempo em que cuidamos da saúde das pessoas."

Diferentemente da semana passada, ele agora admitiu que ainda não existe remédio eficaz contra a doença e citou a substância hidroxicloroquina com mais moderação ("apesar de parecer bastante eficaz").

A mudança de tom e conteúdo veio depois de críticas de outros chefes de Poderes, isolamento político e também encolhimento em uma métrica que o presidente valoriza muito, a das redes sociais.

O passeio do Jair Bolsonaro em regiões do comércio popular do Distrito Federal no último domingo, segundo estudo da empresa de análise de dados Bites, mobilizou críticas de 87 mil usuários do Twitter – número 50% maior do que os apoiadores do presidente que foram à rede social para defendê-lo. Leia mais aqui.




Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Severino Motta at severino.motta@BuzzFeed.com.

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