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Mourão defende criação de nova CPMF, que foi excomungada por Bolsonaro na campanha

Em entrevista à Rádio Gaúcha, vice-presidente da República defendeu novo imposto sobre transações eletrônicas para financiar Bolsa Família. Nesta semana, Paulo Guedes disse que novo imposto é "feio, mas não é tão cruel"...

A velha CPMF, o imposto sobre transações financeiras, foi excomungada pelo candidato Jair Bolsonaro na campanha de 2018:

Votei pela revogação da CPMF na Câmara dos Deputados e nunca cogitei sua volta. Nossa equipe econômica sempre descartou qualquer aumento de impostos. Quem espalha isso é mentiroso e irresponsável. Livre mercado e menos impostos é o meu lema na economia!

Mais de uma vez...

Ignorem essas notícias mal intencionadas dizendo que pretendermos recriar a CPMF. Não procede. Querem criar pânico pois estão em pânico com nossa chance de vitória. Ninguém aguenta mais impostos, temos consciência disso. Boa noite a todos! 👍🏻

E depois da vitória nas urnas...

Desautorizo informações prestadas junto a mídia por qualquer grupo intitulado “equipe de Bolsonaro” especulando sobre os mais variados assuntos, tais como CPMF, previdência, etc.

No ano passado, o secretário da Receita, Marcos Cintra, cogitou a recriação da CPMF. Foi demitido...

TENTATIVA DE RECRIAR CPMF DERRUBA CHEFE DA RECEITA. Paulo Guedes exonerou, a pedido, o chefe da Receita Federal por divergências no projeto da reforma tributária. A recriação da CPMF ou aumento da carga tributária estão fora da reforma tributária por determinação do Presidente.

Mas os ventos mudaram... Primeiro foi Paulo Guedes (Economia) em uma entrevista à Jovem Pan na quarta (15): o imposto sobre transações eletrônicas "é feio, mas não é tão cruel" e "se todo mundo pagar um pouquinho, não precisa pagar muito".

Adriano Machado / Reuters

Agora foi o vice-presidente Hamilton Mourão. Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta sexta (17), ele defendeu a recriação do imposto para financiar o Bolsa Família, que será rebatizado como "Renda Brasil".

Ueslei Marcelino / Reuters

Hamilton Mourão

“O que eu vejo na criação desse imposto de transações financeiras, que é uma discussão que vem desde o ano passado, é que ele deve ter um fundamento muito claro", disse o vice-presidente.

Pilar Olivares / Reuters

"O ministro Paulo Guedes coloca como um substituto da desoneração da folha. Ao desonerar a folha haveria uma oportunidade muito maior da criação de empregos formais. Eu vejo ainda mais além, que um imposto desta natureza pode ser utilizado o programa de renda mínima, o Renda Brasil, que vem sendo montado aqui pelo governo”, disse Mourão.

Ueslei Marcelino / Reuters

O vice-presidente ponderou, contudo, que o debate sobre a possível criação de um novo imposto terá de dar no Congresso Nacional, que ele afirmou ser uma representação fiel do país e de suas vontades.

Ueslei Marcelino / Reuters

“A discussão é dentro do Congresso. Eu tenho feito a comparação, comparando com a Amazônia, com a bacia do Solimões-Amazonas. O Congresso é o grande Solimões-Amazonas, onde deságuam todas as correntes de opinião. Se o Congresso aceitar significa que a sociedade aceita. Se não aceitar, paciência”.

No Legislativo, no entanto, a criação de um novo imposto não é bem vinda na Câmara. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já disse que não promoverá a aprovação de nenhum novo imposto.

Não há espaço para debater uma nova CPMF. Nossa carga tributária é alta demais, e a sociedade não admite novos impostos, independentemente de qual seja. A gente precisa aprovar um sistema mais simples, transparente e cobrar do Estado a prestação de serviços de melhor qualidade.



Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Severino Motta at severino.motta@BuzzFeed.com.

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