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A reportagem que contou quem era Ricardo Corrêa da Silva ganhou um prêmio e vai virar livro

"Fofão da Augusta? Quem me chama assim não me conhece", a reportagem do BuzzFeed News que contou a história do morador de rua de SP que ninguém conhecia pelo nome, venceu o Prêmio Petrobras de Jornalismo na categoria Inovação.

"Me chamam de Fofão, né? Fofão da Augusta. Quem me chama disso não me conhece, eu sou muito mais que o Fofão da Augusta."

A reportagem de Chico Felitti que finalmente contou a história de vida da pessoa que só era conhecida por um apelido maldoso, publicada pelo BuzzFeed News em outubro de 2017, venceu ontem (27) o Prêmio Petrobras de Jornalismo na categoria Inovação.

E a história de Ricardo Corrêa da Silva também vai virar livro: a editora Todavia irá lançar no primeiro semestre do ano que vem "Ricardo & Vânia". Depois da publicação da reportagem, Felitti viajou a Paris para localizar um antigo amor de Ricardo.

Em 15 de dezembro do ano passado, Ricardo morreu após uma parada cardíaca, aos 60 anos. Ele não tinha documentos, mas todos na equipe médica que o atendeu no Hospital do Mandaqui, na zona norte de São Paulo, sabiam que ele se chamava Ricardo.

A situação era bastante diferente de antes da publicação da reportagem. Felitti o localizou no Hospital das Clínicas, em abril de 2017, onde ele havia sido internado após uma infecção no dedo médio da mão direita — que acabou sendo amputado — e onde era identificado apenas como "desconhecido".

Foi a reportagem que revelou quem estava por trás da imagem daquela espécie de lenda urbana, o artista de rua que distribuía panfletos nas ruas de São Paulo havia três décadas e que ficou conhecido como "Fofão da Augusta" por causa de sua aparência após preencher as bochechas com aproximadamente meio litro de silicone.

Felitti e sua mãe, a escritora Isabel Dias, conviveram com Ricardo por quatro meses. Foram atrás de seus colegas de rua, de sua família, de seus amigos e amores.

O relato — apesar de longuíssimo, especialmente em um texto feito para internet — viralizou assim que publicado, em 27 de outubro de 2017, e recebeu elogios pela profundidade da investigação jornalística e pela sensibilidade da abordagem.

"Esse homem morreu com um nome, e essa é a maior alegria profissional que eu vou ter na minha vida", disse Felitti ao receber o prêmio, na noite de ontem.

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