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Updated on 23 de ago de 2019. Posted on 23 de ago de 2019

A NASA suavizou sua conclusão sobre imagem de queimadas na Amazônia

A agência espacial americana mudou o texto que acompanhava a imagem, retirando os dados do INPE — criticados por Bolsonaro — que mostravam aumento do número de focos de incêndio. Perguntamos à NASA o porquê.

A NASA alterou o texto em seu site oficial que acompanhava a imagem de satélite capturada no dia dia 20 mostrando fumaça e focos de incêndios na Amazônia brasileira.

Na primeira versão do texto, publicada na quarta (21) e que pode ser conferida no Internet Archive (que registra imagens de páginas na internet em diferentes momentos), o texto da agência espacial americana diz:

"Embora não seja raro o registro de incêndios no Brasil nesta época do ano devido às altas temperaturas e à baixa umidade, parece que este ano o número de incêndios pode ser recorde. De acordo com o INPE, o centro de pesquisa espacial do Brasil, quase 73 mil incêndios foram registrados até agora este ano. O INPE registrou um aumento de 83% em relação ao mesmo período de 2018".

Reprodução/NASA / Via web.archive.org

A primeira versão do texto sobre a imagem de satélite

Mas o texto foi editado no dia seguinte, quinta-feira (22). Na nova versão, desaparece a menção ao INPE e a indicação de que o número de queimadas pode ser recorde. A conclusão é muito mais suave com o governo Bolsonaro, que está enfrentando uma crise internacional de imagem por conta dos incêndios na Amazônia:

"O tempo dirá se este ano o número de incêndios é recorde ou se está dentro dos limites habituais".

Reprodução/NASA / Via nasa.gov

O texto alterado no dia seguinte, sem a menção ao INPE e ao possível recorde de queimadas

No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro criticou o INPE após a divulgação de dados do instituto que apontavam o aumento do desmatamento.

Bolsonaro disse que esses dados não poderiam ter sido divulgados sem a análise prévia do governo, pois poderiam comprometer a imagem do Brasil no exterior. "Tenho a convicção que os dados são mentirosos", disse Bolsonaro, que ainda afirmou que o então diretor do INPE, Ricardo Galvão, "parece que está a serviço de alguma ONG".

Galvão respondeu que Bolsonaro foi "covarde" e "pusilânime" e acabou exonerado.

O BuzzFeed News questionou a NASA sobre por que foi retirada do texto de seu site a menção ao INPE, que está no centro da crise do governo Bolsonaro relativa à Amazônia.

"Não foi nenhum questionamento sobre os números do INPE", respondeu um porta-voz da NASA, a instituição internacional com que o INPE mantém mais parcerias.

"A pessoa responsável pelas legendas nesta imagem não tinha conhecimento de uma fonte de dados ligada à NASA sobre o mesmo assunto, e que deveria ter sido usada em vez de uma fonte externa", continuou o porta-voz, que disse que nenhuma autoridade brasileira havia requisitado as mudanças.

Esta é a imagem, capturada pelo satélite Suomi NPP no dia 20, que mostra fumaça e focos de incêndios na Amazônia:

NASA Worldview, Earth Observing System Data and Information System (EOSDIS)

Em reportagem da Folha publicada hoje, o chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas do Centro Goddard de Voo Espacial da NASA, Douglas Morton, diz que o monitoramento feito pela agência dos focos de queimadas no Brasil está em sintonia com o aumento no número de incêndios detectado pelo INPE.

O pesquisador disse que os focos de calor na Amazônia têm características que apontam para o corte raso de floresta na região — e não atividades como limpeza de pastos, que implicam queimadas sem desmatamento, registra a Folha.

Analisando as imagens, Morton disse que "não existe uma quantidade de combustível suficientemente alta para gerar aquelas colunas de fumaça se aquilo for somente limpeza de pasto, por exemplo".

Contact Mauro Albano at mauro.albano@buzzfeed.com.

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