Antes de Bolsonaro, Twitter só havia punido Nicolás Maduro e aiatolá Khamenei

    Tuítes foram apagados por irem "contra informações de saúde pública orientadas por fontes oficiais e possam colocar as pessoas em maior risco de transmitir Covid-19".

    O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teve dois posts no Twitter apagados pela plataforma na noite deste domingo (29) e agora faz parte de um seleto grupo de chefes de Estado a receberem esse tipo de punição.

    Além de Bolsonaro, apenas o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e aiatolá Ali Khamenei, do Irã, tiveram posts apagados pelo Twitter.

    Andressa Anholete / Getty Images

    Jair Bolsonaro, presidente do Brasil

    Os tuítes de Bolsonaro, que haviam sido postados no próprio domingo, eram vídeos que mostravam o presidente em caminhada no Distrito Federal, contrariando a recomendação do próprio Ministério da Saúde de que as pessoas devem ficar em casa para evitar a propagação do coronavírus no Brasil.

    Nos vídeos, Bolsonaro aparecia próximo a pessoas e falava sobre o uso de cloroquina para o tratamento da Covid-19, que não tem eficácia comprovada, e defendia o fim do isolamento social.

    Reprodução/Twitter

    No lugar dos tuítes de Bolsonaro, agora aparece uma mensagem dizendo que eles não estão mais disponíveis porque violaram as regras do Twitter

    O Twitter divulgou nota, sem mencionar Bolsonaro, dizendo que suas regras passaram a incluir "conteúdos que forem eventualmente contra informações de saúde pública orientadas por fontes oficiais e possam colocar as pessoas em maior risco de transmitir Covid-19".

    Segundo a plataforma, os conteúdos vetados são aqueles que "aumentam a chance de alguém contrair ou transmitir o vírus". Isso inclui:

    - Negação da orientação dos especialistas

    - Incentivo ao uso de tratamentos, prevenções e técnicas de diagnóstico que sejam falsos ou ineficazes

    - Conteúdo enganoso que tenta se passar pelo de especialistas ou autoridades

    Nicolás Maduro havia sido punido, no último dia 26, por infringir as mesmas regras. O presidente da Venezuela recomendou, em um tuíte, uma mistura de ervas como uma forma eficaz no combate ao coronavírus.

    Carolina Cabral / Getty Images

    Nicolás Maduro, presidente da Venezuela

    Ali Khaminei, líder supremo do Irã, foi punido pelo Twitter por outro motivo: em 2019, o perfil @khamenei_ir, que publica notícias, mensagens e declarações do aiatolá, lembrou seus seguidores sobre a fatwa (decreto religioso) que oferecia uma recompensa financeira a quem executasse a sentença de morte contra o escritor Salman Rushdie, autor de "Os Versos Satânicos".


    Alireza Sotakbar / Getty Images

    O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã

    A decisão do Twitter de apagar o tuíte de Khamenei chamou a atenção porque, em 2018, a plataforma havia anunciado uma política menos restritiva em relação aos posts de líderes políticos.

    "Bloquear um líder mundial do Twitter ou remover seus controversos tuítes ocultaria informações importantes que as pessoas deveriam poder ver e debater", escreveu a empresa em janeiro de 2018.

    Contact Mauro Albano at mauro.albano@buzzfeed.com.

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