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8 de mar de 2018

É assim que 30 mil pessoas definem assédio sexual

Recentemente, o BuzzFeed Brasil fez uma pesquisa em que perguntou a seus(as) leitores(as) o que eles(as) consideravam assédio sexual.

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BuzzFeed Brasil

Em uma das últimas vezes que aconteceu, ela estava na rua com seus 3 filhos e um homem a filmou por baixo da saia. “Me senti suja sem nem mesmo ter culpa.”

Já R. lembra dos seus 11 anos, quando, após garotos da escola a emboscarem no final de uma aula de educação física e arrancarem sua roupa, ouviu da diretora da escola que estava sendo “galinha” e do seu pai que era uma “vagabunda”.

“Um dia eu estava voltando da academia, de legging, blusa e tênis”, lembra outra mulher, “quando um rapaz me perguntou: ‘Você não tem medo de ser violentada na rua por usar esse tipo de roupa?’”.

Esses casos não são excepcionais. Uma pesquisa do Datafolha de dezembro mostrou que 42% das brasileiras relatam já ter sofrido assédio sexual e especialistas acreditam que este número ainda é subestimado.

No entanto, o que elas entendem por isso?

Em janeiro, o BuzzFeed Brasil perguntou a seus(as) leitores(as) o que eles(as) definiam como assédio sexual e depois apresentou uma série de situações e pediu para as pessoas as classificarem como sim (é assédio), não (não é assédio) ou depende.

Responderam à pesquisa 29.136 pessoas, em sua maioria mulheres (84%) e jovens entre 16 e 24 anos (64%).

A pesquisa não tem valor estatístico, mas, mesmo assim, é reveladora.

Por exemplo, quase 10% das pessoas que responderam correlacionaram o assédio sexual a uma prática criminosa ao completar a frase: “Assédio sexual é…” com variações de "crime". Outras palavras que rondaram a definição foram: constrangimento, perturbação, humilhação, violação, desrespeito, invasão, aquilo que não é consensual, o que ofende, machuca e magoa.

Já nas situações apresentadas, com possibilidade de múltipla escolha (tal situação é assédio, não é assédio ou depende?), todas as situações apresentadas foram consideradas assédio sexual pela maioria, com exceção de uma – se sentar, sem ser convidado, em uma mesa de bar onde está sentada a pessoa que você quer abordar. Este caso não configurou assédio sexual para 22,85% dos participantes e entrou na categoria de “depende” para 34,17%.

Da mesma forma, muitas pessoas disseram na seção de comentários da pesquisa que não tinham classificado a situação de Proibir a pessoa com quem você está em um relacionamento de ir a certos lugares, vestir certas roupas ou falar com certas pessoas como assédio sexual por entender que isso se encaixa mais na categoria de abuso psicológico e assédio moral do que sexual.

A pesquisa, além disso, mostrou que ainda existe uma grande diferença de entendimento entre homens e mulheres do que pode ser considerado assédio sexual, com homens tendendo mais para respostas como “não” e “depende”. Leia mais sobre este aspecto da pesquisa aqui.


Leia mais da pesquisa do BuzzFeed Brasil sobre assédio sexual.

Colaboraram Max Brawer e Alexandre Aragão.