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Universidade de medicina no Japão reduz notas de vestibulandas para evitar ingresso de mulheres

A universidade acreditava que aceitar mais alunos homens ajudaria a resolver a falta de médicos no hospital da universidade, pois médicas mulheres "inevitavelmente abandonariam a força de trabalho depois de se casar e ter filhos".

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Uma das principais universidades de medicina do Japão está reduzindo as notas do vestibular de candidatas do sexo feminino para manter a proporção de mulheres na universidade abaixo de 30%, segundo uma denúncia.

時事通信

De acordo com a imprensa japonesa, a Universidade de Medicina de Tóquio está reduzindo sistematicamente as notas de candidatas do sexo feminino desde 2011, depois que o número de aprovadas saltou para 40% em 2010.

Um funcionário da universidade que pediu anonimato disse ao jornal "Yomiuri Shimbun" que a universidade acreditava que aceitar mais estudantes homens ajudaria a resolver a falta de médicos do hospital da instituição, pois as médicas mulheres "inevitavelmente abandonariam a força de trabalho depois de se casar e ter filhos".

A fonte também disse que médicas do sexo feminino são "mais indesejadas" no departamento cirúrgico, onde os horários de trabalho são irregulares e ocorrem operações de emergência. A fonte acrescentou que é comumente aceito no departamento cirúrgico que "são necessárias três mulheres para fazer o trabalho de um homem".

"Era um mal necessário. Era um acordo silencioso," disse o funcionário.

Fontes da universidade disseram que um número específico de pontos era subtraído automaticamente das notas dos exames de todas as candidatas mulheres, de acordo com o jornal "Asahi Shimbun".

De acordo com a reportagem do "Yumiuri", um total de 303 homens e 148 mulheres havia passado na primeira fase do processo seletivo para o curso de medicina deste ano. A universidade, então, teria subtraído um determinado número de pontos das notas das mulheres para reduzir o número de aprovadas para a fase seguinte. O universidade, ao fim do processo seletivo, selecionou 141 homens e 30 mulheres.

As pessoas ficaram furiosas.

信じられない・・・ 自分の育った場所が、まだ本当に、こんな場所なんだってこと、悲しくなる。女の子たちの夢を応援したいと思います。 東京医大、女子受験生を一律減点…合格者数抑制 : 読売新聞 https://t.co/P5Um2Xsxle

"Não dá para acreditar nisso... Eu fico triste demais em saber que essas coisas ainda acontecem no lugar onde cresci. Eu vou torcer e apoiar o sonho de todas as garotas."

これ決めた人間って家事育児介護と仕事の両立に悩んだことないんだろうな。お前らが家のことやらずに仕事だけやって済まされてきたのは誰のおかげなんだよ。誰にお前ら家のこと子どものこと押し付けてきたんだよ言ってみろよ https://t.co/sBO1bxYjau

"Quem quer que tenha decidido fazer isso nunca deve ter se preocupado em se dividir entre trabalho, cuidar dos filhos, cuidar da casa e amamentar. Quem você acha que fez todas as tarefas domésticas para que você só precisasse se preocupar em trabalhar e não fazer mais nada? A quem você empurrou suas obrigações como pai? Só diga isso."

女子受験生を一律減点するなら初めからちゃんとそういっておいてくれないと。そしたらそんな大学受験しないんですから。受験料無駄。ていうか詐欺。落とした女子受験生に受験料返せって話です。

"Se vocês vão reduzir as notas das mulheres nos exames, vocês têm que deixar isso claro desde o começo. Assim, nós não vamos nos inscrever em uma universidade dessas. É um desperdício da taxa de inscrição. É fraude. Eles deveriam reembolsar as candidatas mulheres."

Um porta-voz da Universidade de Medicina do Japão disse ao BuzzFeed Japão que a instituição está conduzindo uma investigação interna e vai realizar uma coletiva de imprensa neste mês para divulgar seus resultados.

As universidades japonesas têm o direito de definir uma proporção de gêneros entre os alunos, desde que faça isso de maneira pública, relatou o "Asahi Shimbun". A Universidade de Medicina de Tóquio não anunciou qual seria sua proporção durante o recrutamento de estudantes.

A Procuradoria Pública do Distrito de Tóquio também está a par dos detalhes do caso, de acordo com o "Yomiuri".

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A tradução deste post (original em inglês) foi editada por Luísa Pessoa.

Kassy Cho is a reporter for BuzzFeed News and is based in London.

Contact Kassy Cho at kassy.cho@buzzfeed.com.

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