Estudantes fazem barulho, mas saem sem CPI da Merenda

    Estudantes deixaram prédio da Assembleia sem assinaturas para abrir CPI. Do lado de fora, o alvo do protesto foi Fernando Capez, investigado em desvio de merenda.

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    Alexandre Orrico/BuzzFeed Brasil

    Menos de 72 horas depois de terem tomado o plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, cerca de 60 estudantes deixaram o prédio em cumprimento a uma ordem de reintegração de posse decretada pela Justiça de São Paulo.

    A saída, acompanhada pela Polícia Militar, foi pacífica e ocorreu sem incidentes, de acordo com policiais e estudantes que estavam dentro do edifício. Do lado de fora, os que saíam se juntaram a apoiadores para um ato público cuja tônica foi de ataques ao governo tucano de São Paulo.

    O principal alvo foi o presidente da Assembleia, Fernando Capez (PSDB), um aliado próximo do governador Geraldo Alckmin. Capez foi citado por delatores como destinatário de propinas pagas por lobistas da Coaf, uma cooperativa com sede em Bebedouro (395 km de São Paulo) para obterem contratos com o governo estadual. O deputado nega as acusações.

    Na origem da indignação está a baixa qualidade dos alimentos servidos em muitas escolas, como a chamada "merenda seca", ração de um pacote com até cinco biscoitos ou barra de cereal mais um pacote de achocolatado.

    "Duas ou três vezes por semana bolacha de água e sal é servida na minha escola. Não é uma refeição e isso ainda é mais revoltante quando se tem notícia de que montaram um esquema para superfaturar e pagar propina na merenda das escolas estaduais", disse Guilherme Botelho, 17, estudante do 3º ano do ensino médio Oscavo de Paula e Silva, em Santo André (região metropolitana de SP).

    Graciliano Rocha/BuzzFeed Brasil

    Guilherme Botelho, 17: "Servem bolacha de água e sal duas vezes por semana na minha escola e é mais revoltante quando se sabe que tem um esquema de desvio na merenda".

    Do lado de fora, os estudantes entoaram gritos contra o "roubo da merenda" no Estado e cobrando a instalação da CPI. Até o momento em que os estudantes deixavam o prédio da Assembleia, faltavam seis assinaturas para a abertura da CPI da Merenda, para investigar um esquema de superfaturamento e pagamento de propina na compra de alimentos servidos nas escolas estaduais.

    Das 32 assinaturas necessárias, apenas 26 deputados aderiram à proposta de investigação. A Assembleia tem 94 deputados, dos quais 76 fazem parte da base aliada de Alckmin.

    "Não dá para dizer que saímos derrotados, porque a sociedade está prestando atenção nas nossas reivindicações e a ocupação deu um gás para que a CPI saia", disse Flávia Oliveira, 24, da UEE (União Estadual dos Estudantes).

    Na manhã desta sexta, por volta das 6h40, a PM também cumpriu ordem de reintegração de posse do Centro Paula Souza, autarquia do governo estadual responsável pela administração das Escolas Técnicas do Estado (Etecs). Ninguém foi detido, mas houve confusão. Os policiais usaram de força e ao menos um estudante ficou ferido.

    Cerca de 80 alunos estavam no local desde o último dia 29, em protesto pela falta de repasses para a educação e pela falta de merenda nas escolas.

    Alexandre Orrico/BuzzFeed Brasil


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