Passageiros do metrô de Nova York se uniram para apagar pichações nazistas de um vagão

    "O vagão estava em silêncio, com todo mundo se entreolhando, desconfortável e sem saber o que fazer."

    Um grupo de passageiros do metrô de Nova York (EUA) se uniu no último fim de semana para apagar pichações nazistas que cobriam o vagão em que eles estavam.

    Gregory Locke, 27, que mora em Manhattan (Nova York), descreveu em um post no Facebook como ele e outros 30 passageiros apagaram juntos diversas pichações nazistas do vagão.

    Facebook: gregoryalocke

    “Entrei no metrô em Manhattan nesta noite e encontrei suásticas em todas as propagandas e todas as janelas. O vagão estava em silêncio, com todo mundo se entreolhando, desconfortável e sem saber o que fazer.
    Um cara levantou e disse: ‘Higienizador para as mãos [álcool em gel] consegue remover a tinta da Sharpie [caneta permanente]. Precisamos de álcool’. Ele encontrou alguns lenços e começou a trabalhar.
    Eu nunca vi tantas pessoas procurarem ao mesmo tempo em suas bolsas e seus bolsos lenços e Purel [marca de álcool em gel]. Em dois minutos, os símbolos nazistas tinham ido embora.
    Símbolos no nazismo. Em um metrô público. Na cidade de Nova York. Em 2017.
    ‘Acho que esta é a América de Trump’, disse um passageiro. Não senhor, não é. Não nesta noite e nunca. Não enquanto cidadãos teimosos de Nova York tiverem algo a dizer.”

    As pessoas estavam em silêncio, sem saber o que fazer, quando um rapaz se levantou e perguntou se alguém tinha álcool em gel, já que ele poderia ser utilizado para apagar as pichações.

    Em seguida, outras pessoas buscaram em suas bolsas álcool em gel e lenços e puseram as mãos à obra.

    O post de Gregory no Facebook teve mais de 400 mil compartilhamentos, 490 mil curtidas e centenas de comentários.

    "Eu já tinha visto algumas suásticas por aí, mas isso antes de Trump ter se tornado presidente [dos EUA]", disse Gregory ao BuzzFeed News. "Essa é a primeira vez que eu vejo um vagão inteiro coberto por elas."

    Facebook: gregoryalocke

    "Eu recebi algumas mensagens de ódio. As pessoas estão me acusando de encenação para fazer o Trump parecer uma pessoa ruim... mas 99% das respostas têm sido bem positivas. As pessoas dizem que estão desapontadas e animadas ao mesmo tempo."

    O episódio chamou até mesmo a atenção de Chelsea Clinton [filha da ex-candidata democrata à Presidência Hillary Clinton e do ex-presidente Bill Clinton], que mora na cidade de Nova York. "Nós não deixaremos o ódio vencer", escreveu ela no Twitter.

    We will not let hate win. And, another reason to carry hand sanitizer.

    "É animador ver pessoas que não se conhecem se unindo para fazer o que é certo", disse Gregory.

    "As pessoas pensam nos habitantes de Nova York como sendo pessoas frias e apáticas, mas isso não é verdade. Você só tem uma casca mais grossa a ser rompida. Nós temos um forte senso de comunidade e sabemos que a diversidade não é uma ameaça ao nosso país."

    Em um outro episódio, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, elogiou um passageiro do metrô que teve uma ideia brilhante para cobrir uma suástica.

    NY Gov's Office

    No caso, ocorrido na semana passada, o passageiro transformou a suástica em um quadrado, incluindo as letras L-O-V-E (AMOR).

    O episódio está sendo investigado pela polícia.

    "É isso que os habitantes de Nova York fazem -- transformam o ódio em amor", disse o governador em uma declaração. "Essa é nossa mensagem para o país e para o mundo. E nós não vamos desistir disso. Nem agora nem nunca."

    Este post foi traduzido do inglês.

    Brad Esposito is a news reporter for BuzzFeed and is based in Sydney, Australia.

    Contact Brad Esposito at bradley.esposito@buzzfeed.com.

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