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Ilana Panich-Linsman for BuzzFeed News

Garota americana

Clínicas estão surgindo por todos os Estados Unidos para ajudar crianças a partir dos 3 anos de idade a fazer a transição de gênero. No entanto, algumas pessoas dizem que elas ainda são muito novas para saber o que querem. Enquanto os médicos discutem o tema, famílias como a de Nicole não podem esperar.

publicado

Em outubro de 2015, Nicole entrou no carro, junto com seu irmão mais velho, sua mãe, seu pai e uma mochila com todas suas bonecas favoritas, para uma viagem de três horas. Ela iria se consultar com um médico sobre sua nova vida.

Nos últimos 18 meses, Nicole, que tem 9 anos, deixou seu cabelo crescer, trocou calças e jardineiras por vestidos rosas e roxos e mudou seu nome.

Estes têm sido tempos difíceis para os pais de Nicole, Kim e Andrew, que passaram a ser desprezados por seu antigo círculo de amigos cristãos e conservadores no Texas (Estados Unidos).

Nicole estava mais feliz do que nunca, mas ansiosa com a viagem. Então, para tentar acalmá-la, Kim colocou para tocar o áudio-book do livro favorito da filha, "Hank the Cowdog" e fez uma parada para comprar kolaches, o doce tcheco pelo qual a região central do Texas é conhecida. Depois, lhe deu um presente adiantado de aniversário: no ano seguinte, quando completaria 10 anos, seus pais dariam a ela a premiada boneca American Girl, assim como fizeram com sua irmã mais velha uma década atrás.

A chegada da puberdade era uma questão de tempo, e ninguém sabia o que isso causaria à criança. Esse era o motivo pelo qual eles se dirigiam a Dallas para ir à clínica Genecis, um dos pelo menos 16 centros nos EUA onde psicólogos, endocrinologistas e assistentes sociais auxiliam crianças que não se encaixam nas denominações comuns de "menino" e "menina".

Nenhuma clínica como a Genecis existia em 2007, quando a pequena Jazz Jennings de 6 anos tornou-se a transgênero mais jovem a ser entrevistada na TV. Naquela época, Barbara Walters lhe perguntou sobre como se referia a si mesma. (“Uma menina", respondeu.)

Naquela época, o diagnóstico oficial da psiquiatria para crianças como Jazz era chamado de "transtorno de identidade de gênero". Naquela época, embora adolescentes e adultos transgêneros pudessem realizar tratamentos hormonais, a forma predominante de tratamento de crianças pequenas que não estavam satisfeitas com seus gêneros era orientá-las em direção à aceitação.

Agora, Jazz é apenas uma das várias crianças transgêneros conhecidas nos EUA. Recentemente, o ator transgênero Jackson Millarker, 8, interpretou um personagem trans na série "Modern Family". Segundo consta, teria sido a primeira vez que isso ocorreu na televisão. A denominação oficial do diagnóstico dessas crianças também mudou, de "transtorno de identidade de gênero" para o menos estigmatizante — embora ainda controverso — "disforia de gênero".

Apesar deste entendimento mais amplo e da aceitação, os adolescentes transgêneros — calcula-se que sejam 1,5% do total, nos EUA, — têm de duas a três vezes mais chances que seus colegas de cometer suicídio ou sofrer de depressão profunda.

Os médicos que trabalham nessas novas clínicas "de afirmação de gênero", como a Genecis, dizem que a melhor maneira de evitar resultados trágicos é permitir que crianças e jovens vivam suas identidades de gênero da forma que quiserem — seja como um menino, como uma menina ou algo entre isso.

Eles dizem que, já que a identidade de gênero está fortemente conectada ao cérebro, crianças a partir dos 3 anos já podem começar a manifestá-la. Assim, quanto mais cedo a sociedade permite que as crianças expressem o gênero que elas acreditam pertencer, mais felizes, menos ansiosas e mais ajustadas socialmente elas ficam. Quanto ao pequeno subconjunto de crianças que demostram acreditam pertencer a um gênero não binário, isso significa deixá-las fazer a "transição social" vivendo como um menino ou menina em tempo integral.

Porém, alguns médicos— assim como um grupo de acadêmicos liberais, cientistas e conservadores religiosos — argumentam que não há como saber com certeza quais das crianças impúberes que se comportam fora das normas de gênero vão se identificar como trans. Algumas pessoas temem que esta abordagem direcione as crianças que estão apenas passando por uma fase a uma “faixa” transgênera muito antes que elas saibam se esses sentimentos vão permanecer. Outros dizem que isso reforça estereótipos ultrapassados — dando aos pais a falsa segurança de que seu menino com traços femininos é na verdade apenas uma menina que nasceu no corpo errado. Os críticos conservadores atrelam o aumento de crianças transgêneros hoje a uma nova e perigosa tendência na criação dos filhos.

Os membros mais radicais de cada grupo têm comparado a abordagem um do outro — seja direcionando as crianças a se identificarem como transgêneros ou para que reprimam suas identidades reais de gênero — ao “abuso infantil”. Infelizmente, não existem muitos dados para ajudar no debate: Nenhum estudo analisou o que acontece posteriormente na vida das crianças que têm permissão para fazer a transição social antes da puberdade, o que deixa famílias como a de Nicole em uma encruzilhada.


Enquanto os cientistas conduzem estudos que ainda levarão muitos anos para serem concluídos, um número crescente de pais têm de tomar decisões sobre os seus filhos agora. Será que eles devem permitir que suas crianças façam a transição sem terem certeza se eles vão ter o mesmo sentimento quanto a isso quando crescerem?

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Nicole nasceu em 2006 em Austin. (“Nicole”, utilizado na matéria para proteger sua privacidade, é seu nome do meio.) Sua mãe biológica era uma usuária de drogas e seu pai era desconhecido. Os Serviços de Proteção à Criança dos EUA assumiram a custódia do bebê ainda no hospital.

Seis meses depois, em um subúrbio conservador a cerca de 35 quilômetros de distância, o casal Kim e Andrew estava buscando uma criança para adoção. Eles utilizaram remédios de fertilidade para conceber a filha mais velha, Olivia, de 12 anos, e depois adotaram um menino de 6 anos, WB. Kim largou seu emprego de enfermeira para educar as crianças em casa e agora queria "apenas mais um filho".

Nicole foi conduzida a uma família adotiva mexicana, mas foi devolvida após eles descobrirem que, apesar de ser metade mexicana, ela também era metade negra. Então a agência de adoção perguntou a Kim e Andrew se eles poderiam ficar com Nicole durante o fim de semana, antes de ela ser enviada para outro lugar.

“Eu disse, ‘Sim, eu fico com o bebê, mas não no fim de semana. Se você quer que eu fique com o bebê, então eu vou ficar para sempre’”, contou Kim. “Nos sabíamos quem deveríamos receber para adoção.”

Desde o momento em que Nicole começou a se movimentar sozinha, ela já preferia coisas de meninas. “Eu odeio atribuir coisas à gêneros, mas nós lhe dávamos caminhões e super-heróis", disse Kim, “e ela sempre queria bonecas Barbie, coisas rosas e cintilantes.”

Tudo bem, eles pensaram — seu novo filho não precisava gostar de caminhões mais do que a filha deles, que adorava livros e estava sempre entretida em histórias de fantasia, precisava gostar de maquiagem e saltos altos. Kim, que orgulhosamente costura as roupas da família, cozinha e faz a limpeza, repudia algumas normas de gêneros: Ela está sempre com seus shorts jeans e tamancos e às vezes veste suas botas de combate, lembranças de seus dias no serviço militar.

Pediatras contaram ao casal que o interesse de Nicole por brinquedos de meninas era apenas uma fase e nada com o que se preocupar. No entanto, alguns de seus amigos da igreja e pais de colegas do grupo escolar tinham outra posição, sugerindo que a criança deveria ser direcionada a atividades mais "apropriadas". Eles tentaram. “Nós estávamos tipo, ‘Bem, nós sabemos que Deus nos deus esse papel por alguma razão. Ele tem coisas maiores guardadas para você'", disse Kim.

Para os aniversário de três, quatro e cinco anos de Nicole, seus pais compraram quaisquer brinquedos de meninos que puderam encontrar — trenzinhos, carrinhos, uma fantasia do Batman. Mas os carrinhos eram usados para brincar de casinha, com carros mamães e carros papais, e a capa da fantasia do Batman transformou-se em uma peruca de cabelos compridos.

Embora Kim e Andrew não soubessem na época, um debate similar estava se desenrolando entre especialistas médicos de prestígio. Em 2008, dois deles falaram no programa "All Things Considered", da rádio pública NPR, em uma conversa de 23 minutos que é sempre citada por especialistas em gênero nos dias de hoje. O segmento falou de duas jovens crianças, criadas como meninos, que por muito tempo expressaram uma forte preferência por brinquedos e roupas estereotipadas femininas e tinham recentemente começado a agir diferente em casa e na escola. A partir daí, seus caminhos divergiram.

Uma mãe levou seu filho de 5 anos, chamado Bradley, para uma consulta com Kenneth Zucker, psicólogo que tinha fundado uma das primeiras clínicas de identidade de gênero destinada a adolescentes, o Centro de Vícios e Saúde Mental em Toronto. Zucker foi um dos primeiros a adotar o chamado modelo holandês, que recomenda um tratamento para adolescentes com disforia de gênero a base de drogas para bloquear a puberdade. Esses medicamentos são reversíveis, portanto servem essencialmente para ganhar tempo: o adolescente pode decidir desistir de tomá-los e passar pela puberdade com o gênero que foi atribuído ao nascer; ou, depois de alguns de anos, eles podem optar por continuar a sua transição, iniciando o tratamento com estrogênio ou testosterona.

No entanto, Zucker recentemente foi alvo de ataques por sua abordagem com crianças pequenas. Ele estaria as afastando de uma nova identidade de gênero e tentando convencê-las a aceitar os gêneros com os quais nasceram. Alguns dos críticos compararam seus métodos com a "terapia de conversão", as tentativas desacreditadas de "desfazer" a homossexualidade.

A mãe de Bradley contou à NPR que Zucker recomendou que ele brincasse mais com garotos, em vez das amigas que ele tinha na época. Zucker disse que eles deveriam trocar seus unicórnios coloridos e bonecas por brinquedos de garotos, e que Bradley deveria ser desencorajado de desenhar princesas e fadas ou interpretar personagens femininos em brincadeiras de faz de conta.

A 3.500 quilômetros de distância, em São Francisco, o pequeno Jonah, de 5 anos, visitou a especialista em gêneros Diane Ehrensaft, uma até então psicóloga em Oakland que estava testando uma abordagem nova e drasticamente diferente. Ehrensaft insistiu que o rótulo “transtorno de identidade de gênero” — ou qualquer terapia para tratá-la — era inapropriado para Jonah. Em vez disso, disse ela, Jonah estava se comportando mal devido aos anos de frustrações onde não pôde se mostrar ao mundo como uma menina. Ehrensaft recomendou uma transição social completa, e Jonah começou o jardim de infância como uma menina chamada Jona.

Em entrevistas separadas à repórter da NPR Alix Spiegel, Zucker e Ehrensaft denunciaram abertamente a abordagem do outro. Ehrensaft via a identidade de gênero como uma característica fortemente inata e acreditava que crianças a partir dos 2 ou 3 anos poderiam começar a expressá-la. “Eu acredito que nossa identidade de gênero não é definida pelo o que nós temos entre as pernas, mas, sim, por aquilo que está entre os ouvidos — em algum lugar do cérebro”, disse ela. "É praticamente conectado."

Zucker argumentou que essa posição era “espantosamente ingênua e simplista” — uma nova forma de essencialismo de gênero disfarçada como progressismo. Em vez disso, ele via a identidade de gênero de uma criança como algo maleável, moldada pelo ambiente familiar.

O xis da questão é saber o que vai acontecer com essas crianças quando crescerem. Na entrevista, Zucker citou um de seus estudos com 25 meninas diagnosticadas com transtorno de identidade de gênero. Segundo ele, apenas 3, ou cerca de 12% delas, mantiveram o diagnóstico ao entrar na idade adulta, enquanto o resto havia “desistido”. Zucker também disse ter descoberto que 6 das 25 tornaram-se bissexuais ou homossexuais na idade adulta. Se essas crianças tivessem seguido os métodos de Ehrensaft, disse Zucker, eles poderiam ter sido equivocadamente enviados a um caminho de terapias hormonais e cirurgias.

Na época da entrevista, a maioria dos médicos americanos concordou com Zucker. No entanto, nos oito anos seguintes, uma grande mudança aconteceu, disse Ehrensaft, que agora comanda uma clínica de afirmação de gêneros na Universidade da Califórnia em São Francisco. "O nosso modelo hoje é absolutamente predominante e ascendente para o tratamento de crianças com não-conformidade de gênero, aceito em todo o mundo."

(Zucker recusou muitos pedidos de entrevistas do BuzzFeed News, enviando no lugar cinco de seus artigos publicados sobre disforia de gênero em crianças.)

Ehrensaft rejeita as altas taxas de desistências divulgadas por Zucker e outros pesquisadores, citados constantemente em argumentos contra a transição social em crianças. Ela diz que a grande falha nesses estudos foi a forma com o qual eles decidiram quais crianças recrutar para a pesquisa. As crianças escolhidas mostraram um amplo espectro de comportamentos de não-conformidade de gêneros. No entanto, eles não eram indicadores confiáveis de crianças com disforia de gênero duradoura. Estas crianças, disse Ehrensaft, possuem a convicção “insistente, consistente e persistente" de que pertencem a um outro gênero.

Desde 2011, a clínica de Ehrensaft recebeu cerca de 100 crianças com menos de 12 anos. As crianças são encorajadas a escolher entre uma grande variedade de tipos de gêneros, tais como “gênero híbrido”, "gênero fluido", "gênero suave", "gênero Tesla" e "gênero Tootsie Roll pop”. E existe ainda outra categoria, criança "transgênero", que se identifica com o gênero oposto ao atribuído na certidão de nascimento. Ehrensaft reconhece que criar mais rótulos pode parecer contra-intuitivo, mas argumenta que eles são úteis em fazer com que as crianças — transgêneros ou de qualquer outro tipo — possam se sentir confortáveis com a diversidade de experiências de gêneros diferentes que existem por aí. "Nossa observação clínica até o momento é que esse é um modelo que funciona muito bem", disse Ehrensaft.

No entanto, ela é a primeira a admitir que a abordagem ainda não foi testada a longo prazo. Nenhum estudo observou ainda se as crianças que fazem a transição social prosperam como adultos transgêneros.

Em relação às duas crianças citadas no programa de rádio, as previsões de Zucker e Ehrensaft parecem ter se concretizado como o esperado. Hoje em dia, Bradley é um adolescente que se identifica como gay. (Em uma entrevista recente com sua mãe, ela agradeceu a abordagem "protetora" de Zucker.)

Jona também está se saindo bem, segundo Ehrensaft. "O máximo que eu posso dizer sobre Jona sem violar a confidencialidade é que ela está indo brilhantemente bem oito anos depois."

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Em 2013, uma nova edição do "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais", da Associação Americana de Psiquiatria. alterou o diagnóstico de “transtorno de identidade de gênero” para “disforia de gênero”.

Nicole tinha 6 anos na época e ainda pressionava seus pais para ganhar vestidos e bonecas Barbie. Ela ainda insistia em brincar com as meninas, e somente com as meninas, em seu grupo cristão de educação escolar em casa. Nicole frequentemente dizia a seus pais "eu sou uma menina" e ficava "extasiada" toda vez que algum estranho a confundia com uma, disse Kim. "Ela se agarrava à menor indicação de que era uma garota."

Kim e Andrew discutiam a portas fechadas se seu filho cresceria identificando-se como gay. Embora eles tivessem começado a permitir que Nicole usasse roupas femininas em casa, eles também lhe diziam que ela era um menino e que não havia problema em ser um menino que gostava de fazer coisas femininas às vezes.

Não estava dando certo. Nicole chorava mais facilmente, ficando frustrada ou brava com coisas que pareciam insignificantes, e brigava com seu irmão, WB. Para Nicole, o pior de tudo era quando diziam que ela não poderia fazer algo que tinha muita vontade de fazer. Por exemplo, seu pai não a deixava brincar com sua personagem favorita no jogo de computador Toontown. "Isso me deixava muito triste", disse Nicole.

Kim e Andrew suspeitavam que os problemas de Nicole com seu irmão estavam na raiz do problema e levaram os dois para uma consulta com a terapeuta infantil local, Kelly Nowotny. Seguindo seu conselho, eles deixaram que Nicole começasse a usar uma saia ou um vestido — geralmente roupas encostadas de sua irmã de 17 anos, Olivia — quando saía para fazer compras com sua mãe. Nowotny também deu à Kim um nome para aquilo que Nicole poderia estar passando: disforia de gênero. Antes disso, disse Kim, seu único ponto de referência era a confusa cobertura da imprensa sobre a transição de Chaz Bono.

Na mesma época, Olivia se dirigiu à mãe com perguntas sobre sexualidade. Seu melhor amigo havia confessado que era gay, e ela não entendia porque sua comunidade inteira definia isso como um pecado. Ela estava especialmente preocupada porque estavam começando a questioná-la se ela era hétero.

Isso colocou Kim em ação. “Eu pensei: ‘Deus, eu tenho que sair de cima do muro'."

Kim, que havia recebido treinamento como enfermeira e ensinava ciências para o grupo de ensino escolar em casa, começou a ler tudo o que podia sobre transgêneros e crianças com disforia de gênero — notícias, tratados religiosos e artigos científicos de pesquisa, alguns dos quais escritos por Zucker e críticos da transição social.

A Bíblia de Kim é um sinal das batalhas internas que ela lutou naquela época, com as margens repletas de desenhos coloridos retratando suas interpretações pessoais. As páginas contendo as chamadas Passagens Clobber, as seções mais comumente usadas para condenar as pessoas LGBT, estão repletas até a borda.

No começo, ela não se sentia à vontade para falar sobre o que estava acontecendo com as outras mães que conhecia, a maioria das quais faziam parte de seu grupo cristão de educação escolar em casa. Foi então que ela entrou em grupos fechados do Facebook, tais como Pais de Crianças Transgêneros e Serendipitydodah, para mães cristãs de crianças LGBT. Ela ficava acordada até tarde conversando na internet com essas mães, sua única válvula de escape para um mundo que ia além de seus círculos conservadores.

Não houve um instante exato em que Nicole "tornou-se" sua filha — foi um processo que durou meses. No entanto, Andrew se lembra do sábado em que percebeu que sua resistência podia estar machucando sua filha. Os sábados eram os dias em que ele dava um descanso à Kim para olhar os filhos. Ele geralmente levava Nicole ao Home Depot, que tinha jardins e playgrounds onde as crianças podiam brincar.

"Eu não a deixava brincar de coisas de meninas. Eu não a levava para fazer as unhas ou algo do tipo", disse Andrew, sentado à mesa de jantar. No entanto, naquele sábado, ela rebelou-se, implorando para não ir. “Eu não estava necessariamente a forçando a se comportar como um menino, mas eu não deixava ela ser uma menina”, disse Andrew. E suas reações, lembra ele, estravam freando seu desenvolvimento. No pior momento, disse ele, "não havia nenhuma ligação, nenhuma identidade de gênero acontecendo de forma alguma".

Assim que os pais tomaram a decisão de deixar Nicole, então com 7 anos, se apresentar como menina o tempo todo, ela tornou-se mais feliz, mais extrovertida e menos ansiosa. Andrew sempre pensou no gênero de Nicole como algo que Kim e ele pudessem influenciar, ou algo que se tornaria mais claro quando ela atingisse a puberdade. No entanto, ele então percebeu que não poderiam esperar. “Era mais ou menos como dizer: ‘Vamos resolver essa parada aí quando você fizer 12 ou 13 anos’.”

A primeira coisa que Nicole iria precisar era de um nome novo. Sua mãe vetou suas primeiras escolhas, tiradas de suas cantoras pop favoritas: Ariana (Ariana Grande) e Selena (Selena Gomez). Eles decidiram usar um nome que mantivesse sua inicial, prestando homenagem a sua ascendência africana, e que pudesse ser usado por uma menina ou um menino. "Não que ela escolheria voltar atrás, mas, em todo caso, era melhor assim", disse Kim. ("Nicole" foi escolhido como seu nome do meio em homenagem à Nicki Minaj.)

A mudança na personalidade de Nicole, segundo sua família, foi gritante. Antes uma criança tímida e reticente nas aulas de teatro, agora ela era uma das mais extrovertidas. Em vez de cantar suas músicas pop favoritas no microfone que ficava em seu quarto, agora ela cantava o tempo todo em público. "Ela tinha algo fabuloso que antes não podia ser mostrado", disse Kim Carper, a professora de teatro, "e isso estava sendo contido nesta caixinha".

Carper, cuja filha era a melhor amiga de Nicole desde que tinham 5 anos, no início sofreu em relação a como seus próprios filhos perceberiam a mudança. “Quando Kim me contou pela primeira vez, eu tive um medo instintivo, tipo, como é que vamos dizer isso aos nossos filhos sem que eles queiram mudar seu sexo ou gênero?”, disse ela. "Porém meus filhos não perderam nada. Eles cresceram mais próximos da amiga que já tinham."

Mas outros membros da família, assim como muitas pessoas de sua igreja, acharam que a nova personalidade de Nicole era um erro. Muito culparam Kim. “Ah, você nem pode acreditar em como Kimberly ficou magoada", disse Gail, a mãe de Kim. “Os amigos que ela acreditava serem seus amigos viraram as costas, e a igreja que frequentaram durante anos fechou a porta para eles.”

Após Kim se abrir ao grupo de educação escolar em casa — uma coalizão de cerca de 50 famílias que se reuniam para algumas aulas e atividades em grupo — sobre a transição de Nicole, o conselho convocou diversas reuniões de pais, excluindo Kim e Andrew. Algumas famílias ameaçaram sair se Nicole fosse autorizada a permanecer. Então a família resolveu sair por conta própria.

A rejeição foi a primeira de muitas. O diretor de outra escola perguntou para Kim "qual tipo de genitália" Nicole tinha. O pastor de sua igreja batista disse que não poderia apoiar a "escolha deles" para Nicole. O chefe de outra igreja sugeriu que, por ser adotada, Nicole poderia estar sofrendo do "pecado de geração". Kim bloqueou dezenas de conhecidos no Facebook. Anteriormente no centro de uma comunidade próspera, a família ficou repentinamente isolada.

Em abril de 2003, Kim foi a um encontro de um dos grupos de apoio do Facebook. Trinta mães — que chamavam-se de "Mamães Ursos" — foram até Dallas de lugares tão distantes como Oklahoma e Arkansas para rezar e falar sobre como navegar entre os sistemas de ensino e a perda de amigos e familiares. Por meio do grupo, Kim descobriu uma igreja local que era amigável à causa LGBT.

Hoje em dia, Kim mantém seus trabalhos de pesquisa em uma pasta cor de rosa que ela chama de "pasta de segurança", junto com cartas de todos os planos de saúde de Nicole assegurando sua disforia de gênero. Muitas mães dos grupos no Facebook se apoiam nesses documentos. Uma delas me contou: "Eles são suas palavras finais, seu apelo desesperado caso seja interrompida, seus papéis de liberdade."

Kim a carrega consigo quando viajam, apenas por precaução. “Quando as pessoas dizem, ‘Bem, a Bíblia diz’, eu posso tirar isso e dizer, ‘Bem, vamos dar uma olhada no que a minha Bíblia fala’”, disse Kim.

As paredes azul-bebê de sua casa estão cobertas de cruzes, versículos bíblicos e imagens dos três filhos. As fotos de Nicole a retratam como bebê ou após sua transição. Ela não gosta de ver as fotos do período intermediário.

No começo de 2015, a pequena Nicole, então com 8 anos, estava vivendo completamente como uma garota por quase um ano e estava crescendo cada dia mais. Com a puberdade chegando em um horizonte não muito distante, Kim percebeu que precisaria de ajuda não apenas de psicólogos, mas também de médicos que poderiam aconselhar com o que estava por vir.

A Genecis só estava funcionando havia dois meses no Centro Médico para Crianças em Dallas. O processo de admissão era longo e árduo — uma ligação inicial de informação, depois uma entrevista mais longa por telefone, uma entrevista on-line e um entrevista pessoalmente com duas horas de duração em Dallas. A clínica exigiu uma "papelada sem fim", disse Kim, incluindo uma carta de um terapeuta independente que tivesse atendido Nicole por pelo menos seis meses. Como o local era a única clínica especializada em todo sudoeste americano, famílias vinham de lugares como Oklahoma (EUA) e México.

Após seis meses, Kim finalmente conseguiu marcar uma consulta, e a família pegou a longa estrada até Dallas. Lá, eles se encontraram com Ximena Lopez, pediatra especializada em tratamento com hormônios. Lopez me disse que ela queria inicialmente que a clínica tratasse crianças com mais de 8 anos, para evitar a controvérsia envolvendo crianças mais novas. Mas ela diminuiu a idade para 5 anos, explicou, porque "nós vimos um monte de famílias com crianças mais jovens que não sabiam o que fazer".

Nicole e sua família receberam finalmente de Lopes alguma garantia sobre o futuro. A doutora lhes contou que, se Nicole ainda se sentisse como uma menina quando completasse 11 anos, então ela poderia tomar um medicamento chamado Lupron, que reprime a função do ovário e dos testículos, bloqueando essencialmente a puberdade. Isso salvaria Nicole das mudanças físicas radicais — o desenvolvimento do pomo de Adão e da voz mais grave, assim como o crescimento de pelos faciais — que poderiam piorar sua disforia, concedendo-lhe mais alguns anos para decidir se prosseguiria com a terapia de estrogênio mais intensiva que iria torná-la fisicamente feminina. Anos depois, ela então poderia decidir se desejaria passar pela cirurgia para a remoção da genitália masculina.

Geralmente, Lopez espera até que as crianças façam 16 anos para começar o tratamento com hormônios — seguindo o procedimento clínico padrão estabelecido pelo modelo holandês. Porém, Kim, que acredita firmemente que Nicole nasceu no corpo "errado", quer começar o tratamento com as drogas o mais cedo possível. "Eu espero que com 12 anos, para falar a verdade", disse. "Garotas que passam pela puberdade com 13 ou 14 anos já estão se sentindo excluídas. Treze anos seria o máximo que eu aceitaria esperar."

Enquanto Lopez estava apoiando Nicole em sua nova identidade de gênero, a clínica de Zucker em Toronto estava sendo colocada à prova devido à sua abordagem contrária. Durante anos, médicos e ativistas trans haviam questionado os métodos de Zucker, escrevendo artigos de opinião, falando com diretores de hospitais e até mesmo fazendo com que a província de Ontário aprovasse uma lei proibindo "terapias de conversão" destinadas a alterar a identidade de gênero de alguém. Em fevereiro de 2015, o empregador de Zucker, o Centro de Vícios e Saúde Mental, o convocou para uma avaliação externa de suas práticas.

Nove meses depois, o hospital divulgou um relatório revelador. Zucker alegadamente utilizou espelhos unidirecionais (como aqueles utilizados em interrogatórios policiais) para entrevistar e observar pacientes, questionando intensamente pacientes jovens sobre suas orientações sexuais e tirando fotos sem lhes dizer o motivo ou como elas seriam utilizadas. De acordo com o relatório, alguns pacientes relataram se sentir "examinados em demasia". Outros descreveram como a clínica tinha um "objetivo cisgênero" que era "não adequado/humilhante". Zucker defendeu sua abordagem com as crianças, reiterando que, "de acordo com a literatura atual, [a disforia de gênero] vai diminuir em 80% dos casos."

Os investigadores concluíram que a clínica de Zucker "não era vista como um 'espaço seguro' para o questionamento de gêneros e para a população transgênero". A clínica foi fechada em dezembro.

Alguns cientistas e estudiosos condenaram o fechamento da clínica, argumentando que a decisão foi motivada por fins políticos e não científicos. Para complicar as coisas, o relatório foi retirado do site do hospital porque incluía uma alegação incorreta contra Zucker. Agora ele está processando o Centro por causa do relatório.

Uma petição assinada por mais de 500 pessoas argumenta que o hospital fechou a clínica por causa de "ativistas de uma causa da moda" e "para algum ganho político local real ou imaginário". A petição retrata Zucker como um herói por ter se recusado a entrar em conformidade com uma onda de correção política no atendimento pediátrico, quando os resultados futuros destas crianças são desconhecidos.

"Foi tudo político. Foi um linchamento, comandado por ativistas", disse-me Eric Vilain, professor de genética humana e pediatria na Escola de Medicina da UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles), que realizou a petição em co-autoria, logo após o fechamento da clínica. Vilain estuda a genética do desenvolvimento sexual e é um forte crítico da abordagem de afirmação do gênero, que ele acredita estar ganhando tração muito rápido. "Está longe de qualquer certeza de que a afirmação de gênero é o melhor para o interesse da criança", disse. "Você está na verdade forçando a criança em direção a transformações irreversíveis em seu corpo."

Alguns pesquisadores concordam, argumentando que o aumento da abordagem de afirmação de gênero é motivada por adultos trans querendo compensar as injustiças que foram forçados a viver durante o crescimento. “Adultos transgêneros olham para o passado, lembram-se de sua situação e assumem que ela é verdadeira para todas as crianças que pareciam com eles quando eram pequenos”, disse Alice Dreger, que escreveu sobre o fechamento da clínica. Ela defendeu a abordagem de Zucker como "sendo bem progressiva, porque eles estão ousando desacelerar as crianças um pouco".

No entanto, se você perguntar aos médicos que estão tratando as crianças em clínicas de afirmação de gênero, ele dirão que essa é uma simplificação perigosa. É verdade que algumas crianças que estão confusas sobre sua identidade de gênero vão crescer fora dessa fase (ou escolherão se identificar inteiramente fora do binário de gênero). No entanto, para aquelas que forem insistentes em uma identidade trans por um longo período de tempo, dizem esses médicos, prevenir que façam a transição social pode ser psicologicamente prejudicial. Eles apontam estudos mostrando que os adolescentes LGBT que não recebem apoio das família têm duas vezes mais chances de cometer suicídio. Uma segunda petição, assinada por mais de 1.300 pessoas, apoiou a decisão do fechamento da clínica de Zucker.

E ainda há outros médicos que têm uma posição intermediária e estão apreensivos com a abordagem que abraça com muita força a afirmação de gênero. “Eu estou preocupado com algumas das clínicas novas”, disse Walter Bockting, codiretor do Programa para Estudo da Saúde LGBT no Centro Médico da Universidade Columbia. "Nós simplesmente não temos evidências para estarmos confiantes com uma abordagem como essa, portanto estou muito preocupado."

Essa pesquisa está a caminho. O primeiro estudo de crianças que realizaram a transição social nos EUA, chamado TransYouth Project, foi publicado no ano passado por pesquisadores da Universidade de Washington. O estudo toma como ponto de partida que crianças de todo o país estão fazendo a transição, questionando o que acontece com elas depois.

"As pessoas falam muito sobre suas preocupações com a a transição social, mas não sabemos quais destas preocupações vão ser confirmadas", disse Kristina Olson, diretora do projeto.

Até o momento, a equipe de Olson já recrutou mais de 300 crianças e suas famílias em 39 Estados dos EUA. Destas, 250 já realizaram a transição social. Seu primeiro artigo analisou como a saúde mental delas se comparava com a de seus colegas cisgêneros. Embora estudos anteriores tivessem mostrado altas taxas de ansiedade e depressão entre crianças diagnosticadas com transtorno de identidade de gênero, o estudo de Olson descobriu que crianças que fizeram a transição social têm níveis normais de depressão e são apenas ligeiramente mais ansiosas do que seus colegas cisgêneros.

A longo prazo, o projeto vai observar essas crianças durante um período de 20 anos. “Nossa pergunta é: Os pais estão descobrindo quais crianças são trans ou não?', disse. No entanto, ainda que todos concordem que mais pesquisas são necessárias, alguns médicos estão preocupados sobre focar demais no futuro.

“Às vezes, nós precisamos encontrar as crianças onde elas estão”, disse Johanna Olson-Kennedy, diretora médica do Centro de Saúde e Desenvolvimento Transjovem do Hospital Infantil de Los Angeles. Embora a grande maioria dos pacientes de Olson e Kennedy tenham mais de 15 anos, ela já atendeu cerca de 100 com menos de 9 anos. "Se nós passarmos muito tempo imaginando como eles ficarão, nós deixaremos de notar o que eles estão passando agora."

Em uma tarde abafada em julho, Nicole e sua família foram a Dallas novamente, para que ela pudesse ser atendida por sua psicóloga clínica na Genecis. O check-in anual fazia parte do próprio estudo da clínica sobre o bem estar psicológico de sua crescente base de pacientes.

Nicole controlava o som do banco de trás — navegando habilmente pelos sucessos country de Carrie Underwood e Miranda Lambert, passando pelo rap "Panda" do Desiigner e o canto dramático de Ariana Grande com "Dangerous Woman". Quando ficou entediada, ela sacou seu Nintendo DS cor de rosa para brincar com seu jogo favorito, Super Princess Peach.

Na Genecis, a recepcionista puxou os registros médicos e a chamou acidentalmente por seu antigo nome, dando-lhe uma pulseira com o mesmo nome também. Nicole, sempre animada e barulhenta, brincou silenciosamente com o aplicativo Pokémon Go até que a chamassem.

A psicóloga clínica do programa, Laura Kuper, encontrou-se primeiramente com Kim em um consultório médico indeterminado. Ela passou por uma longa bateria de perguntas: Como Nicole se comportava com os amigos? Ela ainda tinha aversão em ser identificada como transgênero em vez de menina? O quanto ela tem se preocupado com seu corpo ou feito perguntas sobre a puberdade? Ela já começava a expressar algum interesse na sexualidade?

Kim disse que o maior problema de sua filha era a ansiedade, embora isso tivesse diminuído consideravelmente após a transição social. Ela ainda tinha alguma dificuldade em ver as pessoas que ela conhecia "antes da transição", insistia em sempre estar por perto da mãe e não ia ao banheiro sozinha. Kim atualizou Kuper sobre o estado de sua batalha legal com o sistema judicial do Texas, que não permitia que Nicole tivesse uma mudança oficial de gênero e nome porque ela ainda não tinha começado os tratamentos hormonais.

Quando Kuper encontrou-se com Nicole, ela falou sobre os adorados livros da coleção American Girl que sua irmã estava lendo em voz alta para ela. Elas conversaram sobre os muitos amigos que ela tinha em seu bairro e sobre como ela tinha ficado incomodada quando viu algumas crianças chamando um colega com síndrome de Down de "coisa".

"Quando você pensa sobre si mesma no futuro, talvez com a idade de sua mãe ou de seu pai, como você quer estar?" perguntou Kuper.

"Uau, eu nunca pensei nisso antes", disse Nicole. Em seguida elas discutiram os traços físicos que ela imaginava: Ela queria cabelo comprido, "nada de barba, de forma alguma", seios e um corpo com curvas femininas.

“Parece que as coisas que você está querendo são mais relacionadas a um corpo de menina, e é assim que os bloqueadores de puberdade vão ajudar, suspendendo as mudanças masculinas", disse Kuper.

A psicóloga explicou como o Lupron lhe daria a chance de decidir mais tarde, em sua adolescência, se ela tinha certeza de que queria que essas mudanças acontecessem, e então perguntou: "Existe algo em seu corpo que a faz ficar desconfortável ou aborrecida no momento?".

"Não que eu possa me lembrar de imediato", respondeu Nicole lentamente. Ela fez uma pausa e prosseguiu bem calmamente. "Talvez minhas partes íntimas."

Kuper acenou com a cabeça. "Mas isso é algo que a deixa muito aborrecida ou apenas um pouco?"

"Muito aborrecida", disse Nicole.

No final da sessão, Kuper deu à Nicole um caixa com 24 lápis de cor e pediu para que desenhasse a si mesma. Ela retirou cuidadosamente cada um deles, colocando-os ordenadamente em sequência. Ela primeiramente pegou um lápis preto e, depois, brincou com o cor de rosa antes de guardá-lo. Ela olhou para os lápis novamente, escolheu o cor de rosa e desenhou: cabelos encaracolados, uma camiseta, uma saia longa triangular e por fim um rosto sorridente.

Em setembro, Nicole ganhou seu presente de aniversário de 10 anos: uma viagem até a mega loja de bonecas em Nova York, American Girl Place. Seus pais, irmãos e avó dirigiram quatro dias em um carro até chegar lá, e estavam planejando também visitar parentes por toda Costa Leste, a maioria dos quais encontrariam a nova Nicole pela primeira vez. Ela quase não conseguiu ficar imóvel pelos dois minutos que foram necessários pra tirar sua foto em frente à loja antes de correr para dentro.

Centenas de meninas corriam ao redor da loja de três andares, forrados com carpete rosa, rodeada por uma variedade estonteante de bonecas e mimos relacionados a elas: um salão de beleza de boneca, uma cabine de perfuração de orelha, um spa onde as bonecas podem receber uma esfoliação suave ou uma máscara facial, uma estação de manicure e pedicure e até mesmo um hospital de bonecas.

“Ai meu Deus, ai meu Deus, o casaco rosa é muito lindo!”, gritou Nicole, com seus cachos balançando enquanto pulava e apontava para o mostruário de uma das bonecas mais populares da loja, Samantha. “É a minha favorita”, disse com mais calma, sorrindo e cruzando as mãos em frente a seu vestido florido rosa e branco.

Kim e Andrew compraram a boneca Samantha para Nicole, junto com o casaco rosa, bolsa combinando e uma maleta. A família se acomodou em um banco, onde Nicole impacientemente retirou a boneca da embalagem, tirou seu cabelo castanho com cuidado do rosto pálido e a apertou contra o peito.

Dez dias depois, de volta ao Texas, Kim tentou novamente alterar o nome e o gênero de Nicole em sua certidão de nascimento. Kim, Andrew, Olivia, WB e os pais de Kim se encontraram com um juiz, que primeiro fez algumas perguntas à família e depois para Nicole: Há quanto tempo ela se identifica como uma menina? Há quanto tempo ela frequenta a clínica Genecis? Por que ela quer que a mudança ocorra agora?

Nicole contou ao juiz sobre sua vontade de fazer parte das equipes femininas de dança e esportes, sem que ninguém fique a questionando se ela pode fazer isso.

O juiz assinou a ordem judicial bem na frente deles. Nicole receberia uma nova certidão de nascimento, assinalada como "corrigida", declarando oficialmente que ela é uma menina. ●



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