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Uma viagem por "Melodrama" e a genialidade de Lorde

O segundo álbum de estúdio da cantora neolandeza foi um dos álbuns mais bem recebidos pela crítica e público em 2017.

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Depois de finalizar o processo de divulgação do seu primeiro álbum de estúdio, "Pure Heroine", Lorde voltou ao estúdio para novas gravações que, devido a agenda da cantora em festivais, foram interrompidas e adiadas. Essas gravações deram origem ao single "Yellow Flicker Beat", utilizado na trilha sonora de Hunger Games.

Em 2 de março de 2017 Lorde lançava o primeiro single de seu novo álbum, intitulado Green Light. O single não foi tão bem recebido quanto esperado pela crítica e público, apesar de alcançar boas posições nos charts mundiais. Segundo parte da crítica, Lorde estava se tornando uma cantora pop 'qualquer', fazendo música pop pegajosa e sem muita preocupação com composições, que sempre fora o forte da cantora. Pra entender a razão disso, precisamos voltar ao seu álbum anterior, Pure Heroine, lançado em 2013.

O álbum em questão foi aclamado publicamente por suas composições inteligentes e sua sonoridade simples mas sutil. O trabalho de Lorde, que tinha apenas 17 anos, falava sobre os subúrbios da Nova Zelândia, onde a cantora vivia até então, e com detalhes pesados, ela cantava para jovens de subúrbios que nunca conseguiriam alcançar o nível de vida e futilidade que a mídia e cultura pop disseminavam aos montes. Lana Del Rey, Miley Cyrus, Robin Thicke, Drake, Iggy Azalea. Dinheiro, roupas caras, bebidas, drogas, ouro. Nada disso fazia parte do convívio da Lorde, e assim, o cotidiano jovem de uma menina de classe média conquistou espaço no mundo com o single Royals, que venceu o prêmio de Canção do Ano no Grammy Awards em 2014, a premiação de música mainstream mais importante do mercado fonográfico ocidental.

(Assista aqui uma entrevista da Lorde para o Jornal da Globo em 2014)

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Com o título de Mulher do Ano pelas revistas americanas TIME e Billboard, infinitos prêmios, fama, dinheiro, elogios de críticos e artistas influentes (como David Bowie, que Lorde sempre foi fã, e disse em uma entrevista que a artista era "o futuro da música"), Lorde tinha todos os olhos voltados para ela e qualquer passo deveria ser minuciosamente pensado, e Lorde sabia disso. Devido a esta razão ela preferiu esperar para dar continuidade ao seu segundo álbum de estúdio, em vez de cometer o erro que muitas artistas cometem: gravar o álbum às pressas para aproveitar o hype gerado anteriormente e entregar um trabalho medíocre por medo de perder o sucesso instantâneo.

O primeiro single do álbum recebeu muitas críticas negativas por mostrar uma Lorde diferente da que conhecemos. A música e clipe foram lançados no mesmo dia. A música é nada além de eletro pop que poderia ter sido gravado por qualquer artista pop atual, sem muita identidade. O clipe mostra Lorde saindo de uma boate, com um vestido rosa curto grudado em seu corpo, de madrugada, e dançando nas ruas, com alguns flashes da cantora no banheiro do clube e na pista de dança. Nada realmente inovador. O erro do público foi somente não contextualizar a música ao álbum.

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Melodrama foi de fato lançado na madrugada de 16 de junho de 2017 e, como tudo que Lorde faz, é surpreendente. Atualmente o álbum foi indicado ao prêmio mais concorrido do Grammy Awards, o prêmio de Álbum do Ano (e tem grandes chances de vencer, levando em conta que o único que poderia tirar este prêmio de Lorde é o rapper Kendrick Lamar com o aclamado álbum DAMN.). Melodrama possui a nota 98 no site Metacritic, que faz a junção das principais críticas e quantifica em numeração. 98 é a maior nota recebida por uma cantora pop no ano de 2017. A aclamação do álbum não é por acaso: Lorde compôs as músicas de Melodrama entre 18 e 19 anos, tendo escrito quase todas as músicas do álbum sozinha (algo ainda raro na cultura pop). Joel Little, parceiro de Lorde em parte das composições, entra como co-compositor em algumas músicas. Também temos Tove Lo e seus perceiros de composição, Jakob Jerlström e Ludvig Söderberg, na terceira música do álbum. Lorde também assina a produção de todas as músicas, tendo apenas Jack Antonoff - membro das bandas Fun. e Bleachers e também produtor do vencedor do prêmio de Álbum do Ano de 2014 no Grammys, o álbum "1989" da cantora americana Taylor Swift que, coincidência ou não, é uma das melhores amigas de Lorde - e, para uma surpresa geral, o renomado produtor Frank Dukes que é conhecido por produzir músicas de artistas da black music, como Drake, Rihanna, Kanye West, Travis Scott, Kendrick Lamar, Pusha T e Tinashe. "Melodrama" foi a primeira produção totalmente pop de Dukes e Lorde a primeira artista pop em que o produtor trabalhou diretamente (ele também produziu para a Rihanna, como visto anteriormente, mas além das músicas em questão serem R&B, ele e Riri nunca se encontraram de verdade). O álbum também conta com o produtor vocal Kuk Harrell e os produtores adicionais Malaio, Andrew Wyatt, o DJ Jean-Benoît Dunckel e uma mixagem eletrônica na quarta música do álbum feita pelo produtor Flume. É o álbum mainstream lançado em 2017 com o menor número de produtores e compositores e o único em que o artista principal assina todas as composições e produções.

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Melodrama fala sobre muitos aspectos do amadurecimento de Lorde, da transição da adolescência para a vida adulta e como a artista lidou com a fama repentina. Mas, além de tudo, o álbum conta a história de como a cantora superou - ou tentou superar - seu primeiro e, até então, único relacionamento. Depois de três anos de relacionamento, ela e o fotógrafo James Lowe terminaram, o que inspirou Lorde a compôr e produzir um álbum sobre seus momentos de descoberta pessoal em meio à turbulência de um coração partido.

Melodrama inicia-se com Green Light, o primeiro single de trabalho desse novo álbum. A música que antes soava com pouca identidade, agora soa como uma introdução a tudo que está por vir. Green Light vai crescendo, se tornando uma música pop perfeita para pistas de dança, mas apesar de sua construção feliz, a música é triste. Trechos da música refletem no fim de um relacionamento e tudo com o que a vítima se vê atraída. Lorde, já adulta, se coloca no lugar da menina que está numa festa bêbada chorando por seu ex namorado, mas ainda assim dançando. Todos acham um desastre. Mas ela vive cada detalhe desse momento. Para Lorde os momentos de dor e tristeza são necessários na formação de caráter e personalidade das pessoas. Você saber lidar com esses momentos te torna uma pessoa não insensível, mas madura. Green Light é uma ode aos que choram na balada, aos que se sentem sufocados e bebem para esquecer seus amores. O que antes soava como uma música pop pegajosa, agora soa como um grito que ecoa toda uma boate. "Eu estou esperando, a luz verde, eu a quero" expressa nada mais que a vontade de seguir em frente, de não ficar estagnada pensando e martelando tudo que poderia ter dado certo ou errado em um relacionamento. Mas, como Lorde mesmo diz, ela chega a fazer suas malas, mas não consegue ir a lugar algum. Tradução de Green Light.

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Durante a produção do álbum, Joel Little disse que estaria experimentando ritmos e sons diferentes para o álbum, e tenho certeza que se tratava de Sober. A música é uma mistura tão grande de ritmos, instrumentos e gêneros que tinha tudo pra ser a maior bagunça pop desde Live It Up da Jennifer Lopez, mas aqui tudo se encaixa perfeitamente. Mesmo com todos os instrumentos e ritmos utilizados na música, Sober consegue ser uma música intimista. Com uma das melhores composições do álbum, Lorde continua na festa, mas se perguntando o que ela e seu amor farão quando estiverem sóbrios. Todas aquelas pessoas que já encontraram o amor na noite sabem do que a Lorde diz nessa música. Todas aquelas pessoas que já precisaram manter um relacionamento por costume, mesmo o amor de outrora tendo acabado, sabem do que a Lorde diz nessa música. A música é pesada e simples ao mesmo tempo, algo que ela já havia experimentado em Buzzcut Season, de seu primeiro álbum, onde tratava um assunto polêmico e sério com um instrumental angelical e delicado. Tradução de Sober.

O álbum continua com a música mais pop do álbum, Homemade Dynamite. Essa faixa poderia ser muito bem uma balada, mas Frank Dukes deu o melhor de si para transforma-la em um hino romântico dançante. A composição intensa de Tove Lo contribui. Tradução de Homemade Dynamite.

Essa mesma música, mais tarde, foi escolhida como single promocional de Melodrama, ganhando uma performance de dança artística no Video Music Awards e uma versão remixada com a participação da cantora Sza, do cantor Khalid e do rapper Post Malone (o que, venhamos e convenhamos, tem muito mais a ver com a zona de conforto de Frank Dukes, produtor principal da música).

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The Louvre é a quarta música do álbum e, para mim, o ápice artístico de Lorde. A composição da música se conecta tão bem com o instrumental, chegando a serem a mesma coisa em certa parte. A música começa baixa e vai crescendo conforme Lorde canta sobre seu amor. Frases bem pensadas e reproduzidas, uma após a outra, levam o ouvinte ao beatdrop oitentista, produzido pelo DJ Flume. "Coloque um megafone do meu peito, transmita o boom boom boom e faça-os dançar ao som dele" canta Lorde antes do drop crescer, simbolizando o ritmo das batidas de seu coração. Na turnê de divulgação do álbum, é exatamente o momento em que as luzes ficam baixas e tanto Lorde quanto o público dançam, definitivamente, ao som das batidas de seu coração. O fim da música traz um instrumental épico, que consegue emocionar mesmo sem nenhuma palavra sendo dita por Lorde. Malaio, o produtor que coordenou os musicistas deste instrumental, merecia um Grammy só por essa parte da música. No final das contas, The Louvre é uma viagem ao amor tão incrível de Lorde que eles mereciam estarem expostos no Museu do Louvre, em Paris. E tudo bem eles estarem expostos bem lá atrás, onde quase ninguém os vê, porque ainda assim, eles estariam no Louvre. E estariam juntos. Tradução de The Louvre.

Melodrama segue com o primeiro single promocional do álbum, Liability. Uma balada somente no piano, composta por Lorde e produzida por Jack Antonoff. É o tipo de música em que Lorde e Antonoff se juntaram num apartamento em Nova York e gravaram numa sessão de 30 minutos. Sem grande produção, sem grandes exageros, mas mensagem passada alto e claro. A música é sobre solidão. Sobre se sentir demais para o mundo. Sobre amar a si mesmo. É uma das composições mais lindas e emocionantes de Lorde. Lorde trata de um assunto já tratado por outros artistas, desde David Bowie até o rapper brasileiro Criolo: solidão urbana.

Solidão urbana é o sentimento de, obviamente, solidão, geralmente proveniente da vida nas grandes cidades e do contato intenso com a cultura popular e midiática. Crescer assistindo filmes da Disney com amores épicos, ouvir músicas românticas e desejar ter aquilo para depois perceber que, na realidade, nada disso pode ser totalmente posto em prática é um choque emocional e psicológico grande na vida de um jovem, principalmente aquele que experimenta ao primeiro amor.

Entretanto, a maneira inteligente que Lorde encontrou de se curar da solidão deveria ser muito mais disseminada mundo afora: o amor próprio. "Então acho que vou pra casa / Para os braços da garota que amo / O único amor que eu não arruinei / Ela é tão difícil de agradar / Mas é um incêndio florestal / Dou o meu melhor para atender às suas exigências / Romantizo, dançamos lentamente / Na sala de estar, mas tudo o que um estranho veria / Seria uma garota balançando sozinha / Acariciando seu próprio rosto." Tradução de Liability.

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A sexta música se divide em duas, são elas Hard Feelings e Loveless.

Em Hard Feelings já fica claro o contato de Frank Dukes com a música. Uma pegada R&B, com direito a estalar de dedos, é clara na música. A música poderia ser parte do álbum ANTI, da Rihanna, por exemplo. A composição, novamente, faz menção a solidão urbana e ao término de relacionamento mas, do jeito bem Lorde: dando ênfase no amor próprio. A decepção do fim do relacionamento entra em pauta de maneira minuciosa em Hard Feelings, que termina com um instrumental eletrônico produzido por Dukes seguido do verso mais honesto da Lorde e, talvez, seu único depoimento público sobre o término de seu relacionamento com Lowe: "Três anos, te amei todos os dias e isso me deixou fraca, era real para mim, sim, real para mim / Agora vou fingir todos os dias até eu não precisar de fantasia, até eu sentir você indo embora / Mas eu ainda me lembro de tudo, como quando nós saíamos para comprar coisas pra comer, como quando você dançava pra mim / Vou começar a esquecer essas pequenas coisas até que eu esteja bem longe de você, bem longe de você, sim."

Loveless é a mesma temática de Hard Feelings, porém num aspecto social. Aqui Lorde reflete não sobre seu coração partido, mas sim sobre todos os corações partidos dessa geração. Cada pessoa quebrando o coração de outra que, por sua vez, quebra o coração de uma terceira pessoa, e assim sucessivamente. Como nunca amamos de verdade e como o amor recíproco pode ser tão difícil de se encontrar quanto o amor verdadeiro. A música, produzida por Dukes e Antonoff, segue a temática de uma gravação de fita de som, muito comum nos anos oitenta. É uma espécia de 'pós-lúdio' de Hard Feelings e se encaixa perfeitamente com o restante do álbum. Tradução de Hard Feelings / Loveless.

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A reflexão mais pesada do álbum: o sentimento pós-festa. Lorde tem tratado do relacionamento como uma grande festa e, realmente, todos os sentimentos de uma festa podem ser ligados ao de um relacionamento. O êxtase do início da festa. O quão chapado a bebida e drogas te deixam, assim como o amor. Ou o quanto você precisa da bebida e da droga para lidar com o fim do amor. Mas o que acontece depois que a festa acaba? "As luzes estão acesas, e eles foram para casa / Mas quem sou eu?" ela se pergunta logo nos primeiros versos da música. Sober II (Melodrama), apesar do nome, não é exatamente uma continuação de Sober, mas sim uma segunda reflexão sobre as festas e/ou relacionamentos. Se em Sober Lorde jogava os jogos dos finais de semana como se não se importasse, em Sober II ela já se preocupa com a solidão. E apesar de ter Melodrama entre parênteses no título, tenho certeza que não foi essa música que originou o nome do álbum. O Melodrama, aqui, soa muito mais como um aviso tardio sobre o que se passou num relacionamento e um aviso antecipado sobre o que está por vir.

A produção da música fica por conta somente de Lorde e Antonoff, sendo a música que mais demorou a ficar pronta devido ao grupo de instrumentos de cordas que fazem parte da música. Uma base de trap music produzido por Dukes abre no meio da música, dando um outro ar, transformando-a em algo jovem e novo, ao mesmo tempo em que o instrumental já nos apresentado anteriormente dá um ar clássico.

O termo 'melodrama' possui vários significados, porém o significado do nome do álbum de Lorde é dado através do gênero teatral surgido no final da Revolução Francesa com a obra Coeline de René-Charles Guilbert de Pixérécourt. O sucesso do gênero tornou o mesmo o principal teatral e literário no século XIX. Ao final do século XIX, as novas propostas estéticas que surgiam, entre elas o naturalismo, acabaram negando muitas das formas super utilizadas de interpretação do melodrama, o que disseminou um excessivo valor negativo a tudo que fosse considerado melodramático, que se tornou sinônimo de uma interpretação exagerada, anti-natural. O início da cultura de massas no século XX veio trazer mais confusão a este gênero. Lorde, no entanto, resgata o gênero e o coloca dentro da cultura de massas com o álbum.

A música seguinte foi a que, provavelmente, fez a ligação entre o exagero anti-naturalista que gênero cênico pregava com o nome do álbum: Writer In The Dark. A música é irônica e exagerada, assim como as peças do gênero melodrama eram no século XIX. A composição da música pressupõe que o amente de Lorde tenha se arrependido de ter beijado uma escritora no escuro, afinal, ela pode escrever sobre ele a qualquer momento. E escreveu um álbum inteiro. O refrão romântico pode classificar todo o álbum como melodramático. Frases como "eu te amo até minha respiração parar" e "eu te amo até você chamar a polícia por minha causa." junto com o instrumental clássico fazem qualquer música pop dramática parecer uma música feliz. Novamente Lorde e Antonoff assumindo a produção e composição sozinhos e tendo êxito. Tradução de Writer In The Dark.

A música seguinte foi a que, provavelmente, fez a ligação entre o exagero anti-naturalista que gênero cênico pregava com o nome do álbum: Writer In The Dark.

A música é irônica e exagerada, assim como as peças do gênero melodrama eram no século XIX. A composição da música pressupõe que o amente de Lorde tenha se arrependido de ter beijado uma escritora no escuro, afinal, ela pode escrever sobre ele a qualquer momento. E escreveu um álbum inteiro. O refrão romântico pode classificar todo o álbum como melodramático. Frases como "eu te amo até minha respiração parar" e "eu te amo até você chamar a polícia por minha causa." junto com o instrumental clássico fazem qualquer música pop dramática parecer uma música feliz. Novamente Lorde e Antonoff assumindo a produção e composição sozinhos e tendo êxito. Tradução de Writer In The Dark.

Se antes achássemos que Green Light era o ápice pop do álbum, é porque não conhecíamos Supercut, a nona música do álbum.

Supercut faz associação ao relacionamento desgastado, com ambos tentando manter algo em que estavam insatisfeitos. Fica claro as tentativas da Lorde de manter o fogo ativo entre ela e seu amante, mas sem sucesso. Aqui, dessa vez, não há culpa ou tristeza. A composição fica por conta de Lorde e Joel Little e a produção teve a mixagem de última hora do produtor francês Jean-Benoît Dunckel, que fez parte do duo eletrônico Air. Tradução de Supercut.

Melodrama chega na sua penúltima música, sendo ela uma releitura de Liability. Liability (Reprise) foi composta majoritariamente por Lorde e produzida pelo Antonoff e ela. A música é de fato uma continuação de sua primeira versão, mas dessa vez focando no parceiro de Lorde. Aqui ela já assume a posição emponderada de que o problema nem sempre foi ela e que seu amante não era quem ele pensou ser. Nessa música fica clara a analogia entre o relacionamento e festas, e Lorde reflete: "será que nós apenas festejamos violentamente?" Tradução de Liability (Reprise).
Universal Music / Via Melodrama album

Melodrama chega na sua penúltima música, sendo ela uma releitura de Liability.

Liability (Reprise) foi composta majoritariamente por Lorde e produzida pelo Antonoff e ela. A música é de fato uma continuação de sua primeira versão, mas dessa vez focando no parceiro de Lorde. Aqui ela já assume a posição emponderada de que o problema nem sempre foi ela e que seu amante não era quem ele pensou ser. Nessa música fica clara a analogia entre o relacionamento e festas, e Lorde reflete: "será que nós apenas festejamos violentamente?" Tradução de Liability (Reprise).

Durante a criação de Melodrama, Lorde idealizou o que ela chama de "melotones" que são tons de cores que, juntas, formam o conceito das cores do álbum. Tudo isso graças ao artista Sam McKinniss, que em 2015 postou uma pintura de Lorde em tons de azul e roxo, na qual Lorde se apaixonou por completo. Ainda em 2015 Lorde entrou em contato com Sam que fez uma nova pintura da artista, de acordo com o pedido dela. A pintura em questão é a atual capa do álbum Melodrama. Sam é um pintor de 23 anos que reside em Nova York, mas é nascido de uma cidade pequena em Connecticutt, o que o fez se identificar com os trabalhos de Lorde. Em 2016, inspirado por sua arte se tornar capa de um álbum de uma estrela pop mundial, Sam criou sua própria exposição, intitulada Daisy Chain, exposta em Venice Beach.

As cores da capa do álbum foram reproduzidas no encarte do disco, mais precisamente na parte da música Perfect Places, a música que fecha o álbum. Veja o encarte do álbum.
Universal Music / Sam McKinniss / Via Melodrama album

As cores da capa do álbum foram reproduzidas no encarte do disco, mais precisamente na parte da música Perfect Places, a música que fecha o álbum. Veja o encarte do álbum.

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Perfect Places também foi escolhido como o segundo single do álbum. A música, produzida por Lorde, Jack Antonoff, Andrew Wyatt e Dukes é uma música dançante que faz reflexão do porquê a necessidade de festas e futilidades para cobrir sentimentos felizes ou tristes.

Aqui Lorde assume sua busca por lugares perfeitos, o que nada mais é do que a sensação de felicidade, de plenitude e de êxtase. Ela busca essa plenitude e felicidade plena através de festas, drogas, bebidas, amores, sexo e luxo. A utilização de coisas materiais para o preenchimento de um vazio existencial há muito é estudado. Desde os primórdios da Terra há a busca do ser humano por plenitude, felicidade plena e sensação de êxtase prolongada. O que é em vão, afinal, não existe plenitude. Não existe felicidade plena. Toda sensação de êxtase uma hora acaba para dar lugar a outros sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Em Perfect Places a Lorde faz a reflexão de todo o álbum, em apenas quatro minutos. No final, ela se pergunta "Mas que porra são lugares perfeitos?"

Lorde também faz menção aqui a morte do David Bowie, seu ídolo, aquele que a ajudou a compôr quando ainda era uma criança no subúrbio da Nova Zelândia. "Todos os meus heróis estão desaparecendo / E agora eu não suporto ficar sozinha." Tradução de Perfect Places.

Melodrama é um álbum minucioso, cuidadoso e extremamente bem produzido que mostra com louvor o crescimento e amadurecimento da Lorde profissionalmente, musicalmente e pessoalmente. O álbum, quase um ano de lançado, ainda colhe frutos positivos desse trabalho.

O amadurecimento de Lorde é visível. Desde seu posicionamento político, a maneira que dá entrevistas e fala sobre outros artistas (agora, sempre com respeito por seus trabalhos e por suas culturas o que, outrora, foi um problema pra Lorde) até a maneira que canta e se apresenta.

(Veja aqui uma entrevista da cantora para o Fantástico, em 2017)

A cantora agora está em turnê para a divulgação do mesmo, a Melodrama Tour. Um palco simples com imagens em neon, onde o show fica por parte do público que canta música a música como se suas vidas dependessem disso. (Assista a um resumo do show gravado em Barcelona)

Lorde pode não ser uma grande diva pop, mas definitivamente tem seu lugar ao sol perto de grandes nomes que compõe e produzem músicas reflexivas e poderosas. E sim, ela tem apenas 21 anos.

Ouça o Melodrama aqui.

Site oficial da Lorde.

Assista a sessão de Melodrama na Vevo.

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