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É assim que é ser um homem com transtorno alimentar

"Todo mundo me acusou de estar usando drogas, mas fiquei quieto. Preferia que eles pensassem isso do que descobrissem a verdade: que eu era bulímico e anoréxico."

publicado
Hokyoung Kim for BuzzFeed News

Perguntamos aos homens do BuzzFeed Community como é ter um transtorno alimentar. Abaixo, o que eles disseram:

Apenas um aviso: As histórias a seguir são fortes e não devem ser usadas para substituir um diagnóstico, tratamento ou aconselhamento médico. Se você acha que pode ter um transtorno alimentar, consulte um médico.

1. "Ninguém percebeu que eu tinha um transtorno alimentar e não acreditaram quando eu disse."

Meu transtorno alimentar começou quando eu estava na 7ª série. Eu tinha problemas de autoestima, estava no início da puberdade e odiava meu corpo. Eu também estava lidando com outros problemas na época. Eu tinha dificuldade para fazer amigos, estava questionando minha sexualidade e sofria com a ansiedade e a depressão.

Comecei a pular refeições — principalmente o almoço, porque era o mais fácil. Depois comecei a pular o café da manhã e passei a comer muito pouco no jantar. Eu malhava algumas horas todos os dias. Se eu engordasse meio quilo, tinha um ataque de ansiedade e chorava até dormir. Só na 8ª série comecei a explorar a bulimia e seus efeitos. Não fui bulímico por muito tempo porque era muito difícil manter isso em segredo. Mas, até hoje, se como um pouco mais de comida, quero vomitar.

Ninguém percebeu que eu tinha um transtorno alimentar e não acreditaram quando eu disse. Minha irmã achou que eu estava fazendo isso para chamar atenção e estava tentando ser 'descolado'. Era muito deprimente saber que ninguém acreditava em mim. O pior foi quando disseram: 'provavelmente não é tão grave'. Agora que estou me recuperando, estou tentando mostrar às pessoas que os homens também passam por esses problemas, e você nunca deve desencorajá-los quando eles buscam ajuda."

— Isaac

2. "Ficava frustrado se não emagrecesse todos os dias e bravo com quem queria que eu me alimentasse."

"Eu senti que estava acima do peso e fiquei perturbado. Passei a comer cada vez menos, dia após dia. Mas esse emagrecimento causou uma obsessão doentia. Comecei a contar as calorias que ingeria, sem me importar com nada além de reduzir minha ingestão de comida o máximo possível. Isso me levou a recusar convites para almoçar/jantar, pois eu tinha medo de comer demais e engordar meio quilo em um restaurante. Eu dormia menos. Ficava frustrado se não emagrecesse todos os dias e bravo com quem queria que eu me alimentasse. Quando cheguei ao fundo do poço, minha família e meus amigos começaram a notar, e era muito gratificante ouvir as pessoas dizerem como eu estava magro. Eu acreditava que era um elogio, não um sinal de que precisava de ajuda.

Acabei conseguindo me treinar (com a ajuda de outras pessoas) para comer alimentos que me permitiram ser uma versão mais saudável de mim mesmo. Provavelmente ainda peso menos do que deveria, mas lentamente estou melhorando. Sei que algumas pessoas dirão que, como nunca fui formalmente diagnosticado, não posso dizer que tive um transtorno alimentar. Mas estou aqui para dizer que, quando 99% do seu dia é focado em não comer, ou descobrir como evitar comer apenas para reduzir sua ingestão calórica, nem sempre é necessário um diagnóstico para saber que seu relacionamento com a comida é doentio e potencialmente mortal."

— Anônimo

3. "Todo mundo me acusou de estar usando drogas, mas fiquei quieto. Preferia que eles pensassem isso do que descobrissem a verdade: que eu era bulímico e anoréxico."

"Por ser homem, nunca pensei que lutaria contra um transtorno alimentar. Tudo começou há 11 anos, depois que meu primeiro namorado disse que eu precisava emagrecer e brincou com minha barriga de cerveja. Depois que terminamos, emagreci muito. Eu corria 8 quilômetros por dia em um calor de 32ºC, usando vários agasalhos, gorro e luvas. Com certeza eu não estava consumindo calorias suficientes. Todo mundo me acusou de estar usando drogas, mas fiquei quieto. Preferia que eles pensassem isso do que descobrissem a verdade: que eu era bulímico e anoréxico. Melhorei por algum tempo, mas, no ano passado, comecei a passar fome novamente.

Pela primeira vez falei sobre isso e contei para meu namorado atual, para minha família e até para alguns amigos. É difícil não ter uma contagem de calorias diárias na minha cabeça e às vezes é insuportável. As pessoas me veem comendo e acham que estou bem, mas mal sabem elas que posso estar comendo apenas na frente delas."

— Josh V.

4. "A combinação da ansiedade com a vida em uma casa muito controladora fizeram com que eu comesse menos, e isso meio que levou a um medo de comer."

"Eu tinha cerca de 10 anos quando percebi que não estava comendo o suficiente. Foi quando eu deixei de morar com minha mãe e fui viver com meu pai e minha madrasta, em 2002. Sempre tive um relacionamento difícil com os dois e também sofria com transtornos de ansiedade e Síndrome de Asperger. A combinação da ansiedade com a vida em uma casa muito controladora fizeram com que eu comesse menos, e isso meio que levou a um medo de comer. Quando cresci um pouco mais, descobri que minha madrasta havia sido estuprada da adolescência até seus vinte e poucos anos e que ela era anoréxica. Após descobrir isso, entendi por que ela sempre ficava chateada quando as pessoas comiam perto dela e por que sempre serviu porções tão pequenas. Acredito que fui afetado pela anorexia dela, mas sei que também como menos quando estou perto dela porque isso se tornou um hábito. Voltei a morar com meus pais após terminar a faculdade e consigo ver como meus hábitos alimentares mudaram para pior só por morar com ela. Estou treinando com um amigo do vôlei para ganhar músculos e preciso comer melhor, mas meu maior medo é pensar em quando terei de começar a fazer minha própria comida. É um processo de reformulação do meu cérebro e de autodefesa. Mas estou empenhado em me fortalecer e cuidar de mim mesmo, é algo que terei de tentar." — Anônimo
Hokyoung Kim for BuzzFeed News

"Eu tinha cerca de 10 anos quando percebi que não estava comendo o suficiente. Foi quando eu deixei de morar com minha mãe e fui viver com meu pai e minha madrasta, em 2002. Sempre tive um relacionamento difícil com os dois e também sofria com transtornos de ansiedade e Síndrome de Asperger. A combinação da ansiedade com a vida em uma casa muito controladora fizeram com que eu comesse menos, e isso meio que levou a um medo de comer.

Quando cresci um pouco mais, descobri que minha madrasta havia sido estuprada da adolescência até seus vinte e poucos anos e que ela era anoréxica. Após descobrir isso, entendi por que ela sempre ficava chateada quando as pessoas comiam perto dela e por que sempre serviu porções tão pequenas.

Acredito que fui afetado pela anorexia dela, mas sei que também como menos quando estou perto dela porque isso se tornou um hábito.

Voltei a morar com meus pais após terminar a faculdade e consigo ver como meus hábitos alimentares mudaram para pior só por morar com ela. Estou treinando com um amigo do vôlei para ganhar músculos e preciso comer melhor, mas meu maior medo é pensar em quando terei de começar a fazer minha própria comida. É um processo de reformulação do meu cérebro e de autodefesa. Mas estou empenhado em me fortalecer e cuidar de mim mesmo, é algo que terei de tentar."

— Anônimo

5. "Eu queria muito ficar parecido com um cantor famoso."

"Antes de me assumir como trans, lutei contra a anorexia. Eu era adolescente e queria muito ficar parecido com um cantor famoso. Lembro-me de pensar: 'Se quiser parecer um homem, só conseguirei se for parecido com ele.' Ele era muito feminino — cabelos castanhos longos, olhos castanhos, a altura e a postura também. Cerca de um ano depois, quando o vi no palco de um festival, notei apenas seus pulsos finos, pernas longas, o espaço entre suas coxas, e, quando ele tirou a camisa.

No meu pior momento, comia muito pouco no café da manhã, jogava fora o almoço na escola e jantava com meus pais à noite. Comecei a tentar comer melhor quando desmaiei no corredor da escola. Ninguém percebeu, exceto minha melhor amiga, que me arrastou para o banheiro e me perguntou o que estava acontecendo. Tentei explicar e, quando ela não entendeu, contei a ela que era trans. Ela perguntou o que isso tinha a ver com a história, e eu apontei para a camiseta da banda que ela havia comprado no festival que fomos juntas, dizendo que queria ficar igual àquele cantor. Ela ajudou a colocar um pouco de juízo na minha cabeça e comecei a comer três refeições saudáveis por dia e um lanche depois da escola. O problema foi que meu corpo não estava acostumado com o aumento repentino de calorias, e em três semanas engordei um pouco.

Meus pais surtaram e disseram: 'Ninguém vai querer casar com uma garota gorda'. Eles me colocaram em uma dieta por seis meses e depois tentaram mudá-la, mas eu estava tão acostumado que continuei com ela até sair de casa. Agora, sou um homem de 1,60m, 54 quilos, com um marido lindo e sogros incríveis que me acolheram quando meus pais me rejeitaram."

— Spencer

6. "Minha constituição física é muito magra para as expectativas da sociedade masculina, mas não é magra o suficiente para mim."

"Tive um transtorno alimentar não diagnosticado desde os 14 anos. Meus colegas de trabalho, especialmente os outros homens, me enchiam o saco dizendo que eu precisava ganhar massa muscular para a minha esposa, mas as conversas sobre meus hábitos alimentares ou meu peso paravam por aí. Minha constituição física é muito magra para as expectativas da sociedade masculina, mas não é magra o suficiente para mim. "

— Jay

7. "Admitir isso para mim mesmo foi horrível. Falar em voz alta me deixou doente. Estava preso dentro da minha própria mente. A culpa e a vergonha me comiam vivo e senti que estava completamente sozinho com esse sentimento."

"Por algum tempo, eu nem percebi que tinha um transtorno alimentar. Eu tinha me convencido de que era apenas uma fase e que poderia parar quando quisesse, mas, quando chegou ao ponto de comer compulsivamente e induzir o vômito várias vezes por dia, além de esconder comida no meu quarto, finalmente percebi que era bulímico. Admitir isso para mim mesmo foi horrível. Falar em voz alta me deixou doente. Estava preso dentro da minha própria mente. A culpa e a vergonha me comiam vivo e senti que estava completamente sozinho com esse sentimento."

— Anônimo

8. "Fiquei muito obcecado em me encaixar no que eu achava que era o esperado de um homem gay levemente afeminado."

"Sou gay e moro em Nova York. Quando frequentei o ensino médio em Manhattan, tinha acabado de me assumir. Foi assustador e estressante. Fiquei muito obcecado em me encaixar no que eu achava que era o esperado de um homem gay levemente afeminado. Comecei a induzir o vômito e usar drogas para suprimir meu apetite. Acabei usando heroína, principalmente para não sofrer de abstinência, mas também para manter meu peso. Já estou livre das drogas há alguns anos e ainda me sinto muito inseguro, mas com certeza aprendi a viver uma vida melhor."

— Robert

9. "Fiz o teste de um livro picareta e ele me disse que eu estava à beira da obesidade. Comecei a fazer dieta no mesmo dia."

"Entrei na puberdade aos 11 anos e imediatamente engordei muito. Aos 16 anos, meus amigos me zoavam por ter peitinhos, o que me fez abandonar a natação. Fiz um teste de um livro picareta e ele me disse que eu estava à beira da obesidade. Comecei a fazer dieta no mesmo dia. Por ser jovem e mal informado, minha ideia de dieta era basicamente não comer. Quando ficou óbvio que eu não estava bem (estava pálido, sempre tonto e com sono), minha família começou a me fazer comer mais e minha mãe começou a supervisionar todas as minhas refeições para ter certeza de que eu estava me alimentando bem. Eu a odiava por isso e me odiava pelo grande pecado de comer. Induzi o vômito por nove anos. Como resultado, perdi meu cabelo, três dentes e acabei com uma garganta permanentemente inflamada. Às vezes eu tossia sangue. No ano passado, consegui parar de induzir o vômito, mas, até hoje, ainda tenho medo da comida. Não consigo lembrar da última vez que curti uma refeição e ainda tenho vergonha do meu corpo. Sempre que me olho no espelho, uma voz na minha cabeça repete as palavras 'gordo' ou 'gordura'. Tenho 28 anos e estou exausto. Embora tenha frequentado uma academia regularmente por sete anos, ainda não consegui ganhar nada de massa muscular devido à má nutrição. Ah, e continuo fora da natação."— Tariq
Hokyoung Kim for BuzzFeed News

"Entrei na puberdade aos 11 anos e imediatamente engordei muito. Aos 16 anos, meus amigos me zoavam por ter peitinhos, o que me fez abandonar a natação. Fiz um teste de um livro picareta e ele me disse que eu estava à beira da obesidade. Comecei a fazer dieta no mesmo dia. Por ser jovem e mal informado, minha ideia de dieta era basicamente não comer.

Quando ficou óbvio que eu não estava bem (estava pálido, sempre tonto e com sono), minha família começou a me fazer comer mais e minha mãe começou a supervisionar todas as minhas refeições para ter certeza de que eu estava me alimentando bem. Eu a odiava por isso e me odiava pelo grande pecado de comer. Induzi o vômito por nove anos. Como resultado, perdi meu cabelo, três dentes e acabei com uma garganta permanentemente inflamada. Às vezes eu tossia sangue.

No ano passado, consegui parar de induzir o vômito, mas, até hoje, ainda tenho medo da comida. Não consigo lembrar da última vez que curti uma refeição e ainda tenho vergonha do meu corpo. Sempre que me olho no espelho, uma voz na minha cabeça repete as palavras 'gordo' ou 'gordura'. Tenho 28 anos e estou exausto. Embora tenha frequentado uma academia regularmente por sete anos, ainda não consegui ganhar nada de massa muscular devido à má nutrição. Ah, e continuo fora da natação."

— Tariq

10. "O momento mais difícil foi contar para minha namorada — principalmente porque era constrangedor ser um cara de 25 anos com o que as pessoas costumam achar que é um transtorno feminino."

"Depois de aceitar o que estava acontecendo, o momento mais difícil foi contar para minha namorada — principalmente porque era constrangedor ser um cara de 25 anos com o que as pessoas costumam achar que é um transtorno feminino. Isso apenas aumentou o estresse de ter que lidar com a situação e também ter que escondê-la todos os dias para parecer 'viril' e 'são'. Levei meses para resolver quando e como contar a ela.

Como a situação se tornou pessoal, ela também mudou a forma de falar (e brincar) sobre coisas como imagem corporal, gênero e estereótipos. Agora estamos casados e venho recebendo ajuda há alguns anos. E, embora raramente falemos sobre isso, saber que ela está ao meu lado, sem me julgar, me mantém seguindo em frente."

— Anônimo

11. "Parece que pulo de um transtorno para outro, independentemente do rumo da minha vida."

"Eu como compulsivamente, especialmente quando estou deprimido. Simples assim. Eu prefiro comer do que chorar. Passar a última década construindo uma barreira emocional ao meu redor me fez recorrer à comida como forma de conforto. Quando eu era mais novo, porém, era o contrário. Ser chamado de gordo tão novo me fez ser bulímico aos 11 anos. Eu era magrelo, fraco e não tinha energia. Parece que pulo de um transtorno para outro, independentemente do rumo da minha vida."

— Marv

12. "Isso me deixa triste e ninguém entende essa parte."

Fiz 28 anos hoje e tenho um transtorno alimentar desde os 13. Não consigo nem curtir a pipoca no cinema sem ter vontade de vomitar porque destruí meu sistema digestivo. Isso me deixa triste e ninguém entende essa parte.

— Andy

13. "Quando cheguei no hospital, estava todo suado, meus olhos estavam vermelhos e eu estava em posição fetal com a barriga inchada."

Por cerca de dois anos, cortei calorias, restringi minha alimentação e induzi o vômito. Já tinha estado no pronto-socorro duas vezes, mas, durante meu primeiro ano de faculdade, fui levado pela terceira vez. Estava tomando banho e me abaixei para pegar o xampu quando comecei a ter ânsia de vômito. Tentei levantar, mas parecia que meu corpo inteiro estava com cãibras. Consegui me arrastar para fora e meu colega de quarto ligou para a emergência.

Quando cheguei no hospital, estava todo suado, meus olhos estavam vermelhos e eu estava em posição fetal com a barriga inchada. Parecia que meu coração estava sendo rasgado ao meio e minha frequência cardíaca estava extremamente baixa. Colocaram um soro com potássio na minha veia, o que foi uma das experiências mais dolorosas da minha vida. Uma das enfermeiras disse que eu deveria comer — talvez uma das piores coisas que ela poderia ter dito a alguém na minha situação. Cheguei ao ponto em que meu estômago estava tão pequeno que comer até mesmo um pãozinho me machucava. Meus dentes estavam fracos, meu cabelo estava caindo e minhas unhas estavam marcadas e arranhadas. Eu não conseguia 'simplesmente comer'.

Quando eu finalmente estava pronto para o tratamento (cerca de um mês depois), queria me internar em uma clínica especializada em transtornos alimentares. Mas muitos desses lugares são apenas para mulheres. Por fim, tive que montar minha própria equipe com um médico especializado em transtornos alimentares/recuperação de dependência de drogas, um terapeuta especialista em transtornos alimentares, um terapeuta geral e um nutricionista. Foram momentos muitos difíceis, e, 13 meses depois, continua sendo uma luta para me sentir saudável como já fui. Cada dia fica mais fácil, graças ao apoio da minha família, dos meus amigos e dos meus médicos, mas não desejo isso para ninguém."

— Aleckxi

14. "Joguei futebol americano durante todo o ensino médio, então eu era atlético e estava em boa forma. Não era bombado nem nada do tipo, mas era saudável. Para a minha namorada na época, isso não era o suficiente."

"Joguei futebol americano durante todo o ensino médio, então eu era atlético e estava em boa forma. Não era bombado nem nada do tipo, mas era saudável. Para a minha namorada na época, isso não era o suficiente. Começou aos poucos, com ela mostrando como os outros caras da equipe eram fortes e dizendo que suas namoradas deveriam se gabar disso. Querendo ser um bom namorado, comecei a malhar mais e comer melhor. Eu estava evoluindo aos poucos, mas não era o suficiente para ela. Ela costumava me repreender — me chamando de idiota e me colocando para baixo sempre que podia, e isso já durava dois anos naquele momento. Então, quando ela me chamou de gordo, eu já estava despedaçado. Não terminei com ela e não busquei ajuda. Eu estava sempre malhando. Malhava em cada segundo livre que eu tinha. E parei de comer completamente. Ela tinha me convencido de que eu não era saudável e ameaçava me deixar sempre que eu fraquejava e quase começava a comer de novo. Homens não podem ser anoréxicos, né? Muito menos um jogador de futebol americano. Então, quando desmaiei no meio da aula, foi isso que eu disse a mim mesmo. Foi isso que eu disse ao meu melhor amigo quando ele foi me visitar no hospital. Foi ele que me convenceu a buscar ajuda. Ele ficou sabendo do meu relacionamento tóxico — algo que meus pais e meus outros amigos ignoraram completamente porque 'homens não são abusados'. Recebi a ajuda que eu precisava. Esse relacionamento acabou há três anos e agora estou feliz em um relacionamento saudável."— Sam
Hokyoung Kim for BuzzFeed News

"Joguei futebol americano durante todo o ensino médio, então eu era atlético e estava em boa forma. Não era bombado nem nada do tipo, mas era saudável. Para a minha namorada na época, isso não era o suficiente. Começou aos poucos, com ela mostrando como os outros caras da equipe eram fortes e dizendo que suas namoradas deveriam se gabar disso. Querendo ser um bom namorado, comecei a malhar mais e comer melhor. Eu estava evoluindo aos poucos, mas não era o suficiente para ela.

Ela costumava me repreender — me chamando de idiota e me colocando para baixo sempre que podia, e isso já durava dois anos naquele momento. Então, quando ela me chamou de gordo, eu já estava despedaçado. Não terminei com ela e não busquei ajuda. Eu estava sempre malhando. Malhava em cada segundo livre que eu tinha. E parei de comer completamente. Ela tinha me convencido de que eu não era saudável e ameaçava me deixar sempre que eu fraquejava e quase começava a comer de novo. Homens não podem ser anoréxicos, né? Muito menos um jogador de futebol americano. Então, quando desmaiei no meio da aula, foi isso que eu disse a mim mesmo. Foi isso que eu disse ao meu melhor amigo quando ele foi me visitar no hospital. Foi ele que me convenceu a buscar ajuda. Ele ficou sabendo do meu relacionamento tóxico — algo que meus pais e meus outros amigos ignoraram completamente porque 'homens não são abusados'.

Recebi a ajuda que eu precisava. Esse relacionamento acabou há três anos e agora estou feliz em um relacionamento saudável."

— Sam

15. "Há momentos em que como demais, talvez até o ponto em que possa ser considerado uma compulsão? Sim. Mas esses momentos são poucos e raros e sei que há muito mais na vida do que o que eu coloco no meu estômago."

Para mim, o maior problema foram as reações positivas no começo. Sempre estive um pouco acima do peso e, quando comecei a comer de forma mais saudável, deu certo e comecei a emagrecer. As pessoas perceberam e os elogios se tornaram um vício. Eu adorava ouvir coisas do tipo: 'Você emagreceu?' e 'Você está ótimo agora!' Tanto que me esforcei para continuar mudando minha aparência. Disse a mim mesmo que o que eu estava fazendo era saudável e para o meu próprio bem. Como eu não estava pulando refeições, meus pais não estavam muito preocupados. Porém, minha obsessão por exercícios e contagem de calorias levou a um consumo muito menor de calorias do que eu precisava sendo um adolescente de 16 anos. Não percebi isso na época, mas meus hábitos começaram a impactar minha vida toda. Meus exercícios, que começaram como algo completamente positivo para meu corpo e minha mente, tornaram-se uma guerra para o meu corpo queimar o máximo de calorias possível. Acabei aceitando o fato de que tinha um problema, mas isso não alterou muito meus hábitos. Eu dizia às pessoas que estava tentando ganhar peso, mas estava tão preocupado que pudesse ganhar tudo em forma de gordura que, na verdade, não estava tentando nada.

Então, começou a compulsão. Havia noites em que eu voltava para casa e, com o resto da família dormindo, comia tudo o que via pela frente, principalmente os alimentos que eu sempre rejeitava nos anos anteriores. Após cada compulsão eu me acabava em lágrimas, me odiando pelo que tinha acabado de fazer. Na maioria das vezes, meu choro acordava um dos meus pais, que tentava me consolar dizendo que isso provavelmente era apenas meu corpo tentando recuperar o que havia perdido. Só quando busquei ajuda profissional percebi que eles estavam certos. Graças ao amor e apoio deles, felizmente, posso dizer que me recuperei quase totalmente. Há momentos em que como demais, talvez até o ponto em que possa ser considerado uma compulsão? Sim. Mas esses momentos são poucos e raros e sei que há muito mais na vida do que o que eu coloco no meu estômago."

— Jacob

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Este post foi traduzido do inglês.