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Como conseguir o amor e mais matches no Tinder na era dos algoritmos

Troquei minha conta com uma colega de trabalho e depois pedi para a equipe do Tinder revisar nosso desempenho. Aqui está o que aprendemos.

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Eu costumava ser horrível no Tinder — mas, em algumas semanas deste ano, consegui ir muito bem. As mulheres respondiam às minhas mensagens. Nossas conversas eram mais profundas do que o normal. Conversas que haviam sido interrompidas voltaram a fluir e eu fui ficando bem na fita. Eu comecei a entender meus matches de um jeito que eu não entendia antes, mas não por causa de algo que eu tenha feito. Minhas mensagens no Tinder estavam sendo feitas por uma mulher que também configurou o meu perfil. E eu estava usando os dados da socióloga do Tinder para refinar minha abordagem.

Eu passei a minha conta para minha colega, Jessica Misener, com um pressentimento (correto) de que eu não estava fazendo a coisa certa no Tinder. E como Jessica não precisava mesmo de ajuda, eu peguei a conta dela. Nós embarcamos nessa grande mudança de posição visando entender a fundo o Tinder, customizando os perfis um do outro de acordo com o que achávamos que as pessoas do nosso gênero queriam e comparando os resultados com a nossa sorte do passado.

Nós trocamos de conta com a condição de que nenhuma mensagem deveria ser enviada sem o consentimento explícito do seu verdadeiro dono — isso era uma questão de compreender o funcionamento da plataforma, não de enganar as pessoas. Quando terminamos, nós levamos o que descobrimos ao Tinder, que fez revisões e nos disse o que fizemos de certo e errado. Alerta de spoiler: Tive muito o que aprender. E, julgando pelos perfis do Tinder que vimos nessa experiência, você provavelmente também tem.

Baixado por mais de 100 milhões de pessoas, o Tinder é responsável por mais de 1,5 milhão de encontros por semana, de acordo com seus criadores. Ele ajudou a normalizar o "encontro on-line". O Tinder fez isso com um processo simples de verificação do tipo "passe para a direita para curtir / passe para a esquerda para descurtir", conectando pessoas apenas quando há interesse mútuo. A crescente popularidade do app ajudou a revolucionar os encontros modernos: agora não encontramos mais o amor por acaso, mas com a ajuda dos algoritmos.

O segredo do código do Tinder está nas mãos de pessoas como Jess Carbino, PhD em sociologia pela UCLA. Ela tem bastante conhecimento sobre o que funciona no Tinder e o que não funciona. Por exemplo: usar óculos na sua foto de perfil, seja de grau ou de sol, diminui suas chances de ser passado para a direita em 15%. E quanto a um chapéu? Isso diminuirá suas chances em 12%.

"É muito importante para as pessoas juntar o melhor de tudo em seus rostos, o que indica coisas além da atratividade", explicou Carbino. O Tinder tende a compartilhar o lado bom dos seus dados porque, no fim do dia, ele quer que as pessoas encontrem pares gratificantes. E, se você usa o Tinder, você provavelmente quer mais matches também. Então, tire o chapéu. E, enquanto você estiver no Tinder, tambén os óculos escuros.

Em mãos confiáveis

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Vendo os homens que apareciam na conta de Jessica, eu vi vários caras se apresentando com fotos borradas, selfies no espelho, chapéus, olhares para o nada e outras selfies horrorosas. Quando eu vi um cara com uma foto clara, sorrindo e olhando para a câmera, eu instantaneamente passei ele para a direita.

Quando a Jessica configurou o meu perfil, ela escolheu uma foto minha com o rosto de lado. Em uma semana, pensando naquele cara sorrindo e olhando para frente, eu sugeri que trocássemos a minha foto de perfil. Escolhemos uma foto que eu não gostava, mas onde eu olhava direto para a câmera e sorria. Funcionou significativamente melhor do que a minha foto de perfil anterior.

O sorriso olhando para a frente foi o golpe certo, de acordo com Carbino, do Tinder. "Os indivíduos que sorriem para a frente têm 20% mais chances de serem passados para a direita comparados às suas contrapartes que sorriem de lado ou não se exibem", disse Carbino. Mesmo eu achando que a foto comigo sorrindo era pior do que as outras, ela fez uma grande diferença: você tem 14% mais chances de ser passado para a direita se sorrir no Tinder, segundo Carbino.

Depois de Jessica ter conseguido alguns matches com o meu perfil, eu fiquei boquiaberto enquanto ela criava mensagens atenciosas e personalizadas. A minha mensagem inicial costumava ser algo como "Tudo bem?". Já Jessica dizia: "Não é só escrever 'Que legal, você é da Carolina do Norte? Eu gosto muito de Asheville', mas: 'Ah, você é da Carolina do Norte? Eu sempre pensei que as Carolinas tivessem uma rivalidade sobre qual das duas é melhor. Tipo, a Carolina do Sul é OBVIAMENTE mais legal, mas a Carolina do Norte está em cima geograficamente, o que parece significante para mim'".

O método de Jessica provou-se eficaz. As conversas começaram com mensagens atenciosas que ficaram bem mais variadas do que a minha variedade de "Olá", "E aí", "Sim, e você?".

Os dados do Tinder parecem confirmar isso. Carbino disse que o Tinder está conduzindo um estudo de análise de mensagens, e os resultados iniciais indicam que mensagens mais atenciosas tender a receber mais respostas. Você sempre pode, também, enviar um GIF, o que aumenta as chances de receber uma resposta em 30%, de acordo com Carbino.

Já para o Tinder de Jessica, eu não precisava de nenhuma tática especial de conversação. Na verdade, o maior desafio era eliminar pessoas.

Concorrência implacável

Usar a conta de Jessica era como ver dezenas de homens tentando passar pela mesma portinha ao mesmo tempo. Foi esmagador. Conforme eu passava para a direita, surgia um padrão: Match. Match. Match. Match. Mensagem. Mensagem. Mensagem. Mensagem. Esses caras não estavam de bobeira. Eles eram implacáveis.

Vendo-os em ação, eu comecei a repensar um dos meus princípios no Tinder: Nunca mande mensagens duas vezes seguidas. Se alguém estiver interessado, vai responder. No entanto, enquanto eu testemunhava o volume e o ritmo de mensagens chegando no Tinder da Jessica, eu via rapidinho as tolices que eu cometia.

Mandar texto duas vezes seguidas funciona, disse Carbino, que chama isso de reengajamento. "A ideia do reengajamento, se feita de forma apropriada, pode ser bem efetiva", disse ela. "Você pode dizer algo do tipo 'Ei, é hora de você escrever mais coisas no Tinder' e fazer uma piada com isso para reengajar a pessoa e tentar conversar mais com ela."

No Tinder, você também pode usar um botão "Super Like" a cada 24 horas para sinalizar mais interesse do que a curtida normal, mas as pessoas que usam esse recurso eram meio nada a ver para mim, então eu comecei a passá-las para a esquerda e rejeitá-las. Meu comportamento, no entanto, está fora da curva. Super Likes, de acordo com o Tinder, têm três vezes mais chances de dar match e suas conversas duram tipicamente 70% mais do que as que não sejam de Super Likes.

Com Super Like ou não, você vai querer ir para o encontro no mundo real o mais cedo possível. As pessoas que se encontram pessoalmente no Tinder fazem isso tipicamente depois de dois a sete dias de match, de acordo com Carbino.

Segredos do algoritmo


Quando você entra pela primeira vez no Tinder, um texto aparece no app ensinando que, se você arrastar uma foto para a esquerda, você não está interessado na pessoa. Se arrastar para a direita, está. Quanto mais você faz isso, segundo o Tinder, melhores serão as recomendações do app. Isso significa que o Tinder organiza os perfis que exibe para você por meio de um algoritmo.

Os segredos do algoritmo do Tinder estão com Dan Gould, ex-executivo de tecnologia de publicidade que passou a primeira parte de sua carreira tentando corresponder o anúncio certo à pessoa certa na hora certa — agora ele está fazendo isso com pessoas. Um ex-executivo de tecnologia publicitária que agora detém uma posição de poder em uma companhia de encontros diz muito sobre o papel dos algoritmos no romance hoje em dia.

"Uma ótima publicidade deve ser como um relacionamento", disse Gould. "Se a publicidade funciona perfeitamente, ela é como encontrar um ótimo parceiro. Ela te traz a coisa certa, na hora certa, pelo preço certo, e talvez algo que você nem conhecia."

De acordo com Gould, o algoritmo do Tinder leva bastante em conta as escolhas que você faz enquanto configura suas preferências. Preferências de raios de distância, gêneros e idades — todas essas coisas são pesadas antes do Tinder mostrar você para um match em potencial. Outros dois fatores críticos são distância e atividade recente. A distância é bem clara: estar mais perto te dá mais chances. Mas o "tempo ativo", ou seja, atividade recente, é mais intrigante.

"As pessoas que estiveram ativas recentemente têm mais chances de voltar logo e interagir com as outras pessoas", disse Gould. "Se eu estivesse tentando ganhar mais matches, eu abriria o app toda hora e dava umas passadas um pouco."

Conhecimento é poder

Em seu livro Romance Moderno: Uma Investigação Sobre Relacionamentos na Era Digital, o comediante Aziz Ansari e o professor de sociologia da Universidade de Nova York Eric Klinenberg lembram do dia em que pediram a uma mulher para projetar sua caixa de entrada do OkCupid em uma tela em um clube de comédia de Los Angeles. "No momento em que pusemos a imagem na tela, deu para ver os homens da sala murchando", disse Klinenberg. "De repente, eles perceberam a quantidade de rivais com quem estavam competindo nesses sites de namoro."

Para Carbino, o namoro assistido por algoritmos é claramente algo à frente do resto. "Há muitos dados por aí que sugerem que os indivíduos que conhecem seus parceiros on-line têm relacionamentos muito mais satisfatórios e têm mais chances de se casarem mais rápido com relação aos indivíduos que se encontram offline", disse.

Klinenberg tem uma opinião similar. Ele gosta de contar uma história de como ele e Ansari pediram uma vez para ver a caixa de mensagens de um cara "de visual bem mediano". O cara, disse Klinenberg, tinha mensagens de mulheres que "há 30 anos, se ele fosse a um bar e elas tivessem dado a ele seus números de telefone, ele ficaria maluco e seria a melhor noite da vida dele". Há algo a se aprender naquela caixa de entrada: "Tem muito volume. Mesmo que esse cara estivesse sendo dispensado em 95% do tempo, é muito mais fácil começar a flertar com alguém e chamar para sair on-line do que pessoalmente."

Para mim, a semana em que eu troquei de Tinder com Jessica ajudou a responder uma pergunta que me deixava confuso ao usar o app: "O que eu fiz de errado?". Agora eu já sei, e conhecimento é poder.

Agora, se me der licença, eu tenho umas fotos aqui para escolher.


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