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Tocha olímpica desvia de cidades pobres e privilegia ricas

Municípios com IDH baixo, mas grande população, ficaram de fora do caminho, mesmo estando ao lado de cidades menores (e mais ricas) incluídas na turnê.

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A turnê da tocha olímpica por 329 cidades brasileiras é uma maneira, segundo o Comitê Rio-2016, de "levar o espírito olímpico a todos os cantos do país".

No entanto, o trajeto escolhido privilegia cidades mais desenvolvidas e dribla municípios pobres.

Das 329 cidades, 198 (60,2%) têm IDH (índice de desenvolvimento humano) considerado "alto" pelos padrões internacionais — e 33 (10%) das escolhidas têm índice "muito alto".

No universo dos 5.565 municípios brasileiros, 1.889 (33,9%) têm IDH "alto" e apenas 44 (0,8%), "muito alto".

Ou seja, 3 em cada 4 cidades com IDH "muito alto" no Brasil estão no caminho da tocha olímpica.

Um dos casos é a cidade de Codó (MA), que fica entre São Luís e a capital do Piauí, Teresina. Com cerca de 120 mil habitantes — e IDH "baixo" —, o local não está no caminho da tocha.

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Três cidades próximas a Codó (MA) com menos população, mas com IDH "médio", foram contempladas no trajeto: Campo Maior (45 mil hab.), Piripiri (62 mil) e Altos (38 mil), todas no Piauí.

Há outros municípios com o mesmo perfil (populações grandes e IDHs baixos) também próximos ao trajeto, mas que não receberão a tocha.

Alguns exemplos: Campo Formoso (BA), Ouricuri (PE) e Santa Luzia (MA) — que fica exatamente entre Imperatriz (MA) e São Luís, ambas incluídas no caminho da tocha.

Há também casos de cidades mais desenvolvidas com pouquíssimos habitantes, como Couto de Magalhães de Minas (MG), onde a tocha passou em maio.

Com cerca de 5.000 habitantes, o município tem IDH "médio".

Em Minas Gerais, Estado que tem mais municípios no país, 35 cidades irão receber a tocha. Apenas São Paulo (46) e Rio de Janeiro (43) têm mais cidades no caminho.

Em cinco Estados, apenas a capital receberá a tocha: Acre, Tocantins, Rondônia, Roraima e Amapá. No Pará e no Mato Grosso, apenas duas cidades. Maranhão e Amazonas contam com três municípios na lista.

De maneira geral, o trajeto da tocha ficou concentrado no litoral brasileiro. Poucas cidades da região Norte, por exemplo, verão a chama olímpica.

No mapa abaixo, veja todas as cidades no trajeto da tocha e, clicando nelas, o respectivo IDH.

Há razões que podem explicar o baixo número de cidades na região, como o fato de ser a menos populosa do país até a dificuldade de deslocamento, em decorrência da Floresta Amazônica.

Nas últimas semanas, diversos protestos contra a passagem da tocha e tentativas de apagar a chama olímpica ocorreram durante eventos oficiais.

Questionado pelo BuzzFeed Brasil sobre os critérios para a escolha do trajeto, o Comitê Rio-2016 afirmou, em nota, que a decisão foi tomada "com o intuito de mostrar a diversidade do povo brasileiro".

Os critérios elencados pelo comitê são:

  • Todas as capitais e o Distrito Federal;
  • Interesse dos próprios municípios em receber a tocha;
  • Infraestrutura para receber a tocha.

Leia a íntegra da explicação:

A escolha das cidades foi feita pelo Comitê Rio-2016 com o intuito de mostrar a diversidade do povo brasileiro. Contamos, claro, com o interesse das cidades em participar. O principal objetivo do revezamento da tocha é engajar a população com os jogos e levar o espírito olímpico a todos os cantos do país. Partimos do princípio de termos todas as 26 capitais e o Distrito Federal no trajeto. Depois, identificamos quais cidades neste caminho teriam a infraestrutura necessária para o pernoite da equipe de 300 pessoas (hotelaria, restaurantes etc). São 83 cidades onde a chama “dorme”. Daí, as demais cidades foram naturalmente incluídas.

Veja mais:

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