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A situação no Rio está tão ruim que um secretário pediu demissão ao vivo na rádio

"A gente não entende por que um enfermeiro do nosso hospital Pedro Ernesto sofre a discriminação em comparação aos profissionais de saúde da Secretaria de Saúde", disse à CBN Pedro Fernandes (PMDB), que é do mesmo partido do governador Pezão.

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O secretário estadual de Ciência e Tecnologia do Rio, Pedro Fernandes, anunciou sua saída do cargo na manhã desta terça-feira (11), durante uma entrevista à rádio CBN.

Segundo ele, o motivo da saída é que servidores públicos ligados à pasta estão com salários atrasados, enquanto os funcionários de outras secretarias foram pagos.

"A gente não entende por que um médico ou um enfermeiro do nosso hospital Pedro Ernesto também sofre a discriminação em comparação aos médicos, enfermeiros e profissionais de saúde da Secretaria de Saúde", afirmou o agora ex-secretário à CBN.

"Quando você pega um professor que exerce uma função em uma secretaria e um professor que exerce a mesma função na outra recebendo um tratamento diferente, isso eu não consigo entender", afirmou.

"Ou quando um médico num hospital recebe um tratamento e o mesmo médico num outro hospital recebe um tratamento completamente diferente, isso é inadmissível."

Fernandes, agora, vai retomar seu mandato como deputado estadual, na Assembleia do Rio (Alerj). Ao menos em tese, ele integrará a base de apoio ao governador Luiz Fernando Pezão, que também é do PMDB.

"Eu não estou saindo brigado com o governador. Eu estou saindo porque eu não concordo com algumas posições que o governo vem tomando", ele disse, instado a comentar o assunto.

"Eu vou continuar como sempre trabalhei, de forma independente e em prol do meu Estado. Eu sou do PMDB, já votei com o governo, já votei contra o governo, e vai ser essa a minha posição."

A situação financeira do Estado do Rio é ruim — o rombo no caixa chega a R$ 21 bilhões —, e vários servidores estão com salários atrasados em decorrência da falta de dinheiro.

Após conseguir aprovar um pacote de cortes na Alerj, Pezão viajou a Brasília, nesta terça, para renegociar com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, as condições que o governo federal quer que o Estado cumpra em troca de ajuda.

Antecessor de Pezão, de quem ele foi vice, o ex-governador Sérgio Cabral, também do PMDB, está preso desde novembro.

Cabral é réu em nada menos que 12 ações penais ligadas à Lava Jato, por crimes como lavagem de dinheiro e corrupção.

Ele é acusado de ter recebido propina de fornecedores que atuam em diversos serviços públicos do Estado, em troca de facilidades.

Entre os braços da investigação sobre Cabral estão contratos de alimentação, saúde, e transportes — ônibus e o metrô —, por exemplo.


Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

Contact Alexandre Aragão at alexandre.aragao@buzzfeed.com.

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