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Nova fase da Lava Jato se chama Resta Um, mas não é por causa do Lula

Nome da operação é uma referência à Queiroz Galvão, a última das grandes empreiteiras do país suspeitas de cartel. Veja o mapa das propinas pagas a PT, PSDB e PP.

publicado

Na manhã desta terça (2), a Polícia Federal realizou mais uma fase da Operação Lava Jato, batizada de Resta Um.

A PF deflagrou, hoje, a 33ª Fase da Operação Lava Jato, intitulada #OperaçãoRestaUm. https://t.co/R1oqqWoK5G

Pelo suspense, o nome chamou a atenção de muita gente na internet:

OPERAÇÃO RESTA UM ADVINHA QUEM https://t.co/GJAStDdy7n

Quem será?

Se você chutou Lula, está...

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O nome Resta Um seria um indício de que a Lava Jato está chegando ao fim? Esperamos que sim, desde que prendam em breve o "Poderoso Chefão".

Resta um! Resta o Lula https://t.co/SSlph0svdU

...errado.

Errou!!!

Segundo a PF, o nome Resta Um é uma referência ao fato de a Queiroz Galvão — alvo da operação — ser a última das grandes empreiteiras que integravam o cartel da Petrobras a ser investigada na Lava Jato.

#OpRestaUm 33ª fase da Lava Jato investiga a participação de construtora no chamado “cartel das empreiteiras”.

O juiz Sergio Moro decretou a prisão do ex-presidente da QG Ildesonso Collares e ao executivo do grupo, Othon Zanoide Moraes, com base nas evidências de que o grupo pagou propina a dirigentes da Petrobras e e a partidos políticos.

O destino da propina –pelo menos R$ 10 milhões já rastreados–tiveram como destino o PT e o PP, partidos que indicaram diretores da Petrobras, e outros R$ 10 milhões destinados ao PSDB para enterrar uma CPI sobre a Petrobras em 2009.

Os principais pontos do despacho de Moro:

  • R$ 7.500.000,00 em propinas foram pagos em 2010 por doações oficiais ao Partido Progressista e seus agentes, conforme declarado por dois criminosos colaboradores, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa. Foram apreendidas mensagens eletrônicas trocadas entre Alberto Youssef e o executivo Othon Zanóide de Moraes Filho [da QG].

  • R$ 250.000,00 em propinas foram repassados, em 03 de janeiro de 2011, pelo Consórcio Ipojuca Interligações, formado pela Queiroz Galvão e pela IESA, para a empresa de fachada Empreiteira Rigidez, que seria controlada por Alberto Youssef, com simulação de que se trataria de remuneração por serviços prestados. Tratando-se de empresa de fachada, não há em princípio causa econômica lícita para o repasse.

  • R$ 1,28 milhão em propinas foram repassados, em 11 de abril de 2012, da Queiroz Galvão para a empresa KFC Hidrossemeadura, que seria utilizada ao operador Leonardo Meirelles, a pedido de Alberto Youssef.
  • R$ 563 mil em propinas foram repassados, entre abril e setembro de 2013, pela Queiroz Galvão para a empresa Costa Global Consultoria, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, com simulação de que se trataria de remuneração por serviços prestados. O próprio Paulo Roberto Costa confirma que não foram prestados quaisquer serviços.

  • Milhões de dólares em propinas foram repassados em operações com contas secretas no exterior, mas a maior parte dessas transações ainda não encontram discriminação exata ou prova de corroboração.
  • Ainda assim, presentes depoimentos e prova material de corroboração de repasses milionários no exterior pela Quip S/A, empresa liderada pela Queiroz Galvão, a Pedro José Barusco Filho, mediante utilização da empresa offshore Quadris e de diversas contas no exterior, com intermediação da conta em nome da off-shore Maranelle Investments do intermediador de propinas Mario Góes.

  • R$ 10 milhões em propinas teriam sido repassados pela Queiroz Galvão para o então presidente do PSDB e senador Sérgio Guerra (PE, morto em 2011), para enterrar a CPI mista da Petrobrás de 2009. Apesar da falta de rastreamento, o fato é afirmado por três delatores e encontra respaldo em gravação em áudio e vídeo de reunião entre os envolvidos, entre eles, presente pela Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho.

Este post será atualizado ao longo do dia.