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Promotor diz no Facebook que magistrada tem "carinha" de empregada doméstica

Em 2013, o Conselho do Ministério Público suspendeu Rogério Zagallo após ele chamar manifestantes de "filhos da puta" e "petistas de merda". Corregedoria promete apurar novo caso. Promotor diz ter sido mal interpretado.

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O promotor Rogério Zagallo, do Ministério Público de São Paulo, escreveu a seguinte frase ao comentar uma notícia sobre uma juíza que está sendo investigada: "Pela carinha, quando for demitida poderá fazer faxina em casa".

Depois, completou: "Pago R$ 50 a diária".

A notícia foi publicada primeiro pelo site Conjur, na noite deste domingo (8).

Não é a primeira vez que Zagallo arranja confusão por um comentário de Facebook.

Em 2013, o Conselho Nacional do Ministério Público o suspendeu após o promotor escrever que, se a Tropa de Choque matasse manifestantes — "filhos da puta", "petistas de merda", segundo ele —, não abriria inquérito para apurar.

Leia a íntegra da punição neste link, também do Conjur.

O Ministério Público de São Paulo disse que a corregedoria abrirá inquérito para investigar a conduta de Zagallo.

Em nota, o promotor disse que "em nenhum momento me referi às feições físicas da desembargadora e nem disse que ela tinha 'cara de empregada doméstica'".

"Quis apenas consignar que ela deve ser demitida, ante a gravidade da acusação que contra ela pesa", continuou.

Leia a íntegra.

Diante da repercussão de meu comentário lançado na página do Facebook de um amigo advogado que publicara a notícia de que a desembargadora Encarnação das Graças Salgado havia sido apanhada em uma investigação mantendo relações espúrias com membros da facção Família do Norte (FDN) venho esclarecer o quanto segue.

Em nenhum momento me referi às feições físicas da desembargadora e nem disse que ela tinha “cara de empregada doméstica”, tal como o site conjur.com.br divulgou sem antes ter mantido contato comigo para ouvir minha versão para minhas palavras.

Quis apenas consignar que ela (a magistrada) deve ser demitida, ante a gravidade da acusação que contra ela pesa. Quis, sim, indicar que ela, posando na foto como uma magistrada impoluta, em verdade deixava transparecer desfaçatez, cinismo, descaramento e impudência. Algo parecido com a máxima “lobo em pele de cordeiro”. Foi referindo-me à ausência de brio, correção e honradez (que exsurgia da foto de uma magistrada supostamente incólume) que a frase foi escrita, jamais no sentimento físico. Essa conclusão deve ser tributada ao autor da notícia, que não quis me ouvir antes de dar repercussão ao comentário, e não a mim.

Neste sentido, deve ser consignado que a referida magistrada está afastada, por decisão unânime dos ministros do STJ, desde 16 de junho de 2016, em razão de haver provas de seu envolvimento com a citada facção criminosa. Seu afastamento foi consolidado quando deflagrada a operação “La Muralla” que visava a combater o tráfico de drogas praticado entre o Brasil e a Colômbia. São palavras do ministro relator do caso Raul Araújo: “No caso, a gravidade dos fatos investigados e a presença de fortes indícios de participação da magistrada apontam para o comprometimento do exercício da função judicante e da credibilidade do Poder Judiciário”.

Naquela oportunidade, segundo informou o site de notícias g1.globo.com no dia 16/06/2016, o presidente da Associação dos Magistrados do Amazonas (Amazon), o juiz Cássio Borges, afirmou que aquela entidade de classe estaria “constrangida” com a atuação da magistrada.

Por outro lado, recentemente membros dessa facção criminosa (FDN) promoveram a maior chacina ocorrida dentro do sistema prisional do Brasil desde o episódio do Carandiru. Aproximadamente 60 pessoas de grupos criminosos rivais foram mortas, e a maioria dos mortos teve a cabeça separada do corpo, fato que demonstra a crueldade, ousadia e absoluta falta de sentimento de piedade desses agressores. As cenas das mortes por decapitação estão circulando pelas mídias sociais e falam por elas próprias.

Insisto que quando me expressei naquele post do advogado Caio Arantes não fiz referência à condição de mulher da magistrada e nem mesmo disse que ela tinha “cara de empregada”. Referi-me apenas à condição de magistrada afastada pelo STJ porque teve deslustrado seu envolvimento com uma facção criminosa cujos membros promovem o tráfico internacional de drogas e se valem de decapitações dos participantes de grupos criminosos rivais para impor seu poderio.

Quis dizer apenas que ela tem que ser demitida e tem que trabalhar em função que, a despeito de ser nobilíssima, para ela (em virtude de uso do cargo para fins censuráveis), passa a ser humilhante, em razão dela ter, um dia, se valido de seu cargo de magistrada para beneficiar perigosos e desumanos bandidos.

Repilo com veemência a conclusão lançada na reportagem veiculada pelo site conjur.com.br. Jamais quis fazer qualquer comparação com a aparência física da magistrada afastada com a função de empregada doméstica. Isso é fruto da irresponsável avaliação dos membros daquele citado meio de comunicação e não expressa minha forma de pensar. Quero ser avaliado pelo que eu realmente fiz e não pelo que outras pessoas acham que eu fiz. A maldade está no ouvido (ou nos olhos) e não na boca (ou na caneta).

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Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

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