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PCC usava ONG de fachada para controlar tráfico na Cracolândia

Ação envolveu cerca de 500 policiais na manhã desta sexta.

publicado

A polícia realizou na manhã desta sexta (5) uma operação na Cracolândia, centro de São Paulo, para desarticular o tráfico.

Segundo os policiais, o PCC (Primeiro Comando da Capital) dominava dois imóveis que eram usados como quartéis-generais, por meio de uma ONG de fachada.

Os imóveis eram um hotel na alameda Dino Bueno e o Cine Marrocos, que foi ocupado pelo MSTS (Movimento Sem-Teto de São Paulo) em setembro de 2013. Os principais dirigentes da ONG foram presos sob suspeita de ligação com o PCC.

Ao todo, 32 pessoas foram presas nesta sexta.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Youssef Abou Chahin, a operação foi fruto de uma investigação que durou meses e envolveu milhares de grampos telefônicos, vídeos, fotos e a ajuda de um delator, ex-integrante do bando.

Denarc faz operação contra o tráfico de drogas no Cine Marrocos, no centro de São Paulo. Felipe Rau/Estadão

Em maio, uma reportagem do Risca Faca revelou que um ex-integrante do PCC estava colaborando com as autoridades.

O líder do PCC na área, segundo a polícia, é Wladimir Ribeiro Brito, conhecido como Wlad. Ele havia viajado para Maceió na semana passada, para visitar uma namorada, onde foi preso.

Os investigadores afirmaram que Wlad foi a Maceió para comprar uma casa para a namorada. Para tanto, ele viajou à cidade com R$ 70 mil em dinheiro vivo.

Era ele o responsável por comandar a operação dos pequenos traficantes e de organizar os "julgamentos" de inadimplentes.

Desde que as investigações começaram, cerca de 50 pessoas foram presas em flagrante. Havia ainda 54 pequenos traficantes que se reportavam ao PCC, segundo a polícia.

Uma das gerentes do PCC na Cracolândia, conhecida como Loira, foi pega em flagrante, na semana passada, quando roubava uma mansão no Pacaembu, junto com um comparsa.

De acordo com as investigações, o PCC fornecia drogas aos traficantes varejistas, que lidavam com os usuários, e recebia uma porcentagem do negócio. Em troca, os "aviõezinhos" recebiam proteção da facção.

As autoridades estimam que, levando em conta só parte da Cracolândia, eram vendidos cerca de 10 kg de crack por dia, o que geraria aproximadamente R$ 3 milhões por mês.

Na cracolândia, primeiro, as ruas de acesso foram fechadas pela polícia.

Policiais civis e a tropa de choque ocuparam as ruas e a região conhecida como "fluxo".

A polícia arrombou hotéis e estabelecimentos comerciais sob suspeita de ligação com o tráfico.

Um dos hotéis já teria acolhido usuários de crack atendidos pelo programa "Braços Abertos" — a prefeitura afirma que o local já havia sido descredenciado.

A dona de uma das pensões que faz parte do Braços Abertos falou ao BuzzFeed Brasil, na condição de anonimato.

Ela contou que os policiais foram primeiro aos locais nos quais tinham mandado para entrar, mas, depois, foram em outros estabelecimentos e pediram autorização para vasculhar.

"Dessa vez fizeram tudo direitinho, a única reclamação é que usaram os jatos d'água contra os dependentes", ela afirmou.

Após três horas de operação, houve apreensão de dinheiro, drogas e uma balança de precisão, além de câmeras que o tráfico usava para monitorar o fluxo.

E também de armas.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) não foi avisado da operação pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Enquanto ocorria a operação da polícia, o prefeito Fernando Haddad disse que a ocupação do Cine Marrocos não se trata de um movimento de ocupação por sem-teto, mas de cooptação pelo tráfico. Haddad disse que, meses atrás, havia informado à polícia sobre a suspeita de atividades de traficantes no local.

"Não se trata de movimento social, se trata de cooptação de famílias", disse o prefeito, sobre o Cine Marrocos.

O líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Guilherme Boulos, disse ao BuzzFeed Brasil que o foco da operação, um grupo chamado MSTS, não se trata de um movimento social de luta pela moradia.

“Trata-se de uma outra coisa, apenas se travestem de movimento social, mas não são. O problema é que a ação deles pode gerar uma generalização errônea, como se uma exceção fosse a regra”, disse Boulos.

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