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Odebrecht deu R$ 17,9 milhões a Kassab para financiar crescimento de partido

Empreiteira repassou valor à campanha nacional do PSD, em 2014, porque avaliava que a sigla poderia aumentar força no Congresso. Ao todo, desde que era prefeito de São Paulo, ministro recebeu R$ 21,3 milhões. Ele nega irregularidades.

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O ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), recebeu R$ 21,3 milhões da Odebrecht entre 2008 e 2014, segundo as delações de dois ex-executivos.

Um dos motivos que levou ao repasse da alta quantia, segundo o delator Benedicto Júnior, foi Kassab ter criado seu próprio partido, em 2011. A empresa avaliava que o PSD poderia virar uma força política relevante no Congresso e nos Estados.

O primeiro episódio ocorreu quando Kassab era prefeito de São Paulo, em janeiro de 2008. Ele convidou o hoje delator Benedicto Júnior para um café em sua casa e, durante o encontro, pediu R$ 3,4 milhões em recursos ilícitos para a campanha daquele ano.

Segundo Benedicto Júnior, a Odebrecht concordou em fazer o pagamento ilícito, via caixa dois. O valor foi dividido em parcelas, entregues em espécie a representantes do prefeito, entre janeiro e junho daquele ano.

No mesmo ano, após o acordo já estar em vigor, Benedicto Júnior foi procurado por Paulo Vieira Sousa, diretor da Dersa próximo ao então governador, José Serra (PSDB), mais conhecido pelo apelido Paulo Preto — outros delatores citaram a participação dele em valores ilegais repassados ao tucano.

Paulo Preto afirmou a Benedicto Júnior, segundo o ex-executivo conta em sua delação (assista ao vídeo abaixo), que a Odebrecht teria "problemas" na licitação do túnel Roberto Marinho, em São Paulo, caso não realizasse novos depósitos ao prefeito Kassab.

De acordo com o delator, desta vez a empresa não realizou novos pagamentos — por causa dos R$ 3,4 milhões que já haviam sido repassados — e mesmo assim venceu a licitação do túnel.

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Já em 2013, a Odebrecht pagou R$ 17,9 milhões à campanha do PSD do ano seguinte, a pedido de Kassab. De acordo com os delatores, os valores foram repassados via caixa 2.

A dinheirama foi paga em espécie, segundo Benedicto Júnior, em parcelas distribuídas entre novembro de 2013 e setembro de 2014, a um mês da eleição.

Benedicto conta em sua delação que Kassab o procurou antes de criar o PSD. "Ele me deu a intenção do que ele enxergava que ele precisava para organizar o partido", diz o ex-executivo.

"Por isso que a gente colocou o codinome Projeto, porque era o projeto de partido dele", completa Benedicto.

O pagamento foi operacionalizado pelo Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht — o famoso setor de propina e caixa 2 da empresa —, e Kassab indicou um executivo como intermediário para receber o dinheiro. "Ele sabia que nós íamos fazer isso via caixa 2, porque era um valor expressivo", disse o delator.

Kassab disse em nota que todas as doações a ele foram realizadas dentro da lei e que "reafirma sua confiança na Justiça". O ministro disse, também, "que é necessário ter cautela com as informações prestadas por colaboradores".

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Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

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