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O que você precisa saber sobre os defensores de Cunha na Câmara

Tem gente condenada na Justiça. Tem gente acusada de estupro. Tem gente que muda bastante de partido. E tem manobra, muita manobra.

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A votação da cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na segunda (12), tinha um resultado esperado. Mas o placar surpreendeu: 450 votos a favor, 10 contrários.

Há outros 9 que estavam na Câmara mas não votaram e 42 ausentes — o mínimo para cassá-lo era 257 deputados, independentemente de quantos estivessem presentes.

Abaixo, o BuzzFeed Brasil mostra quem são os 10 fiéis escudeiros que votaram contra a cassação de Cunha.

Durante as discussões antes da votação da cassação, Marun foi ao microfone diversas vezes para defender Cunha, de quem é aliado de longa data. Parte da bancada ruralista, o deputado já se declarou contrário à legalização do aborto e é favorável à pauta que foi adotada por Cunha durante seu período como presidente da Câmara.

Em seu primeiro mandato como deputado federal, o peemedebista ainda não conseguiu aprovar nenhum dos seus projetos de lei. Os textos tratam de assuntos bastante diferentes entre si: vão desde regras para exploração de petróleo pela Petrobras até normas em relação ao porte de armas de fogo.

Até maio, Lira foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Câmara — por indicação de Cunha. Ele é investigado pela força-tarefa da Operação Lava Jato e teve seus bens sequestrados em fevereiro, em decorrência da apuração.

À frente da comissão, Arthur Lira foi protagonista de uma das manobras que tentou salvar o mandato de Cunha. Porém, não obteve sucesso.

“Estou com ele para o que der e vier”, disse o deputado Paulo Pereira da Silva, conhecido como Paulinho da Força, quando questionado sobre Cunha, em outubro do ano passado. Ele cumpriu a promessa — o presidente da Força Sindical seguiu com Cunha até o fim.

Condenado mais de uma vez por improbidade administrativa — ele recorre das decisões —, Paulinho foi um dos principais defensores de Cunha no Conselho de Ética.

Integrante do Conselho de Ética da Câmara, Bacelar foi um dos nove deputados que votaram contra o parecer que pedia a cassação de Eduardo Cunha — acabaram derrotados por 11 a 9. Em agosto, subiu à tribuna para defender Cunha após o ex-ministro Ciro Gomes atacá-lo na imprensa. Ele disse, dirigindo-se a Cunha — que ainda era presidente da Casa —: “Ele [Ciro] deveria, senhor presidente, lavar a boca dele com creolina antes de atacar vossa excelência”.

Filho de ex-deputado federal, Bacelar está em seu terceiro mandato. No Supremo, há três inquéritos que investigam o deputado, suspeito de peculato e falsidade ideológica.

Eleita em 2014 pelo nanico Partido da Mobilização Nacional, Dâmina teve tempo de passar pelo Partido da Mulher Brasileira antes de filiar-se à sua atual sigla: o acanhado Partido Social Liberal. Até 2014, ela nunca havia concorrido a uma eleição. Foi quando o marido de Dâmina, o ex-prefeito de Lavras (MG) e ex-deputado Carlos Alberto Pereira, foi impedido de concorrer após ser condenado por improbidade administrativa.

Talvez a deputada cujos votos sejam mais difíceis de explicar: contra o impeachment de Dilma e contra a cassação de Cunha. Por um breve período, Jozi foi titular do Conselho de Ética e teve a chance de ajudar Cunha lá também, quando ainda estava no PTB — após desentendimentos no partido, que a tirou da vaga, ela mudou para o PTN.

Em junho, o Ministério Público denunciou Jozi. Os promotores acusam a deputada de ter participado de um esquema de fraude em licitações, quando ocupava um cargo no governo de seu Estado.

Recentemente, Feliciano frequentou as páginas policiais após ser acusado de tentativa de estupro por uma jornalista — a história envolve tentativas de chantagem e um enredo que você pode entender neste texto.

Um dos principais integrantes da bancada evangélica, o pastor é ferrenho opositor do PT na Câmara, e saiu em defesa de Cunha desde o início de seu processo de cassação. Na segunda, afirmou que o pedido para Cunha deixar de ser deputado era “político”. Nesta terça (13), voltou a usar o argumento no Twitter, para se justificar:

3) O processo de sua cassação é política, por vingança dos partidos q não aceitaram o impeachment. Se ele é ou ñ corrupto, quem dirá é o STF

Autor de diversos questionamentos que ajudaram a retardar a cassação de Cunha no Conselho de Ética, o deputado é réu acusado de desviar dinheiro que deveria ser destinado à compra de ambulâncias, investigado pela Operação Sanguessuga.

O deputado também já foi pego abastecendo seus carros, com a cota parlamentar, no posto de gasolina que pertence ao irmão.

Em seu segundo mandato, Andrade é um deputado pouco expressivo. Seu partido, o PHS, tem sete parlamentares na Casa e faz parte do chamado “Centrão”: deputados de partidos pequenos e médios que se aglutinaram ao redor de Cunha em 2015.

Em seu primeiro mandato, Júlia Marinho também é integrante do Centrão. Evangélica, é contra a legalização do aborto e a favor do Estatuto da Família. Ela também já deu declarações contrárias à adoção de crianças por casais homoafetivos.

Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

Contact Alexandre Aragão at alexandre.aragao@buzzfeed.com.

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