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Multa de delator da Fifa pode ultrapassar US$ 151 mi na Justiça dos EUA

Juiz determinou que valor a ser pago por J. Hawilla, dono da Traffic, pode superar a quantia divulgada inicialmente. Maior empresa de marketing esportivo do país vende ativos no exterior.

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O acordo entre a Justiça americana e J. Hawilla, dono da empresa de marketing esportivo Traffic e delator do esquema de corrupção na Fifa, prevê que o empresário pague um percentual sobre o lucro que tiver com a venda de parte de sua companhia.

Hawilla concordou em devolver ao menos US$ 151 milhões à Justiça, dos quais R$ 25 milhões foram pagos quando o empresário fechou seu acordo de delação. Os US$ 126 milhões restantes deverão ser quitados até o fim do processo judicial, em parte, com a venda de ativos da Traffic.

A fim de pagar os US$ 126 milhões restantes de sua multa mínima, Hawilla pôs à venda parte da Traffic. Em decisão desta segunda (13), o juiz responsável pelo caso ratificou que caso o valor das transações seja maior que esses US$ 126 milhões, 75% do lucro irá para a Justiça.

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Por exemplo: se a venda de parte da Traffic render US$ 136 milhões, US$ 10 milhões a mais que o valor base, 75% desse excedente irá para a Justiça (US$ 7,5 milhões). Nesse cenário, a multa total paga por J. Hawilla seria de US$ 158,5 milhões, maior do que o valor originalmente divulgado.


Em maio de 2015, o site da revista "Veja" revelou que os filhos de Hawilla, Stefano e Rafael, ficaram responsáveis por vender ativos da Traffic. A reportagem mostra também que, caso a venda não seja suficiente para completar o restante da multa mínima (US$ 151 milhões), Hawilla terá completar o valor do próprio bolso.



Recentemente, a Traffic colocou à venda o Estoril Praia, clube da segunda divisão portuguesa que funcionava como incubadora de novos jogadores.


Em entrevista à "Bloomberg", o diretor da Traffic Jochen Loesch disse que a empresa espera receber um valor na casa dos oito dígitos, ou seja, até US$ 99 milhões. Nesse caso, a Traffic teria que vender mais ativos para completar o restante da multa ou J. Hawilla terá que completar a soma com dinheiro do próprio bolso.

Hawilla celebrou o acordo de delação com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos em dezembro de 2014, e desde então colabora com as investigações sobre corrupção na Fifa.

A Traffic é a maior empresa brasileira de marketing esportivo, responsável por negociar contratos tanto de campeonatos nacionais, como a Copa do Brasil, como de internacionais, como a Libertadores e a Copa América Centenário, que acontece este mês nos Estados Unidos.

Além da Traffic, J. Hawilla também é dono de retransmissoras da TV Globo no interior paulista.

Antes de ser moda entre delatores, o empresário gravou o então presidente da CBF, José Maria Marin, admitindo ter recebido propina de contratos da Copa do Brasil.

Em seus depoimentos, Hawilla também afirmou que tanto o antecessor de Marin, Ricardo Teixeira, como o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, receberam dinheiro sujo.

Atualmente, Marin cumpre prisão domiciliar em seu apartamento na Trump Tower de Nova York, a alguns passos do Central Park. Del Nero deixou de fazer viagens internacionais, com medo das autoridades americanas — ele não acompanhou a Seleção Brasileira nem na Copa América de 2015, no Chile, nem na Copa América Centenário, nos Estados Unidos.

O esquema de corrupção na Fifa foi revelado pelo FBI em maio de 2015, quando diversos dirigentes do futebol mundial foram presos em Zurique, na Suíça, durante o congresso da entidade. O caso precipitou o fim da era Joseph Blatter no comando do futebol mundial. O cartola foi banido do esporte e enfrenta acusações de corrupção.

Até agora, 18 pessoas foram indiciadas pelos procuradores americanos, incluíndo Marin, Hawilla, Chuck Blazer — ex-secretário-geral da Concacaf, confederação responsável pela América do Norte e Caribe — e Jeffrey Webb, presidente da mesma entidade.

Procurado, o advogado José Luís Oliveira Lima, que representa Hawilla, disse que não comentaria detalhes porque a Justiça determinou sigilo sobre o acordo.