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Citação de repasse para Serra aumenta cerco da Lava Jato a governo Temer

Cúpula do governo, composta por Eliseu Padilha (Casa Civil), Geddel Vieira Lima (Governo) e Moreira Franco (Parcerias), também aparece em delações da operação.

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Durante negociações para firmar um acordo de delação, dois executivos da Odebrecht afirmaram à Lava Jato que a empreiteira repassou R$ 23 milhões ao ministro José Serra (PSDB), na campanha presidencial de 2010, como caixa dois.

Segundo os executivos da Odebrecht Pedro Novis e Carlos Armando Paschoal, dois ex-deputados tucanos — Ronaldo Cezar Coelho e Márcio Fortes — atuaram como operadores do chanceler, que teria recebido o dinheiro em contas na Suíça.

A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo. Por meio de sua assessoria, Serra disse ao jornal que "não vai se pronunciar sobre supostos vazamentos de supostas delações relativas a doações feitas ao partido em suas campanhas".

Além de Serra, a cúpula do governo Temer — composta pelos ministros Geddel Vieira Lima (Governo) e Eliseu Padilha (Casa Civil) e pelo secretário Moreira Franco (Parcerias e Investimentos) — também foi citada por delatores na Lava Jato.

Relembre os casos:

Secretário foi citado pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em conversa com o empreiteiro Leo Pinheiro, sócio da OAS que negociou uma delação na Lava Jato.

“Eles tão chateados porque Moreira conseguiu de você para Michel 5 paus e você já depositou inteiro e eles que brigaram com Moreira, você adia. É isso”, escreveu Cunha, no WhatsApp.

Moreira Franco negou qualquer irregularidade.


O titular da Casa Civil também aparece nas investigações da Lava Jato por causa da OAS. Em mensagem a Leo Pinheiro, um funcionário da empresa lembra o chefe que ele tem uma reunião marcada com Padilha.

Padilha também foi apontado pelo ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT), preso na Lava Jato, como o responsável por indicá-lo à diretoria da Petrobras.

Assim como Moreira Franco, o ministro nega qualquer irregularidade.


Deputado federal pela Bahia por cinco mandatos consecutivos, o ministro Geddel Vieira Lima era próximo dos principais dirigentes da OAS, sediada em seu Estado-natal.

Geddel é investigado por essa proximidade — ele mantinha conversas diretamente com Leo Pinheiro. Os investigadores acreditam que a empreiteira repassava, por intermédio do ministro, dinheiro a campanhas do PMDB em troca de favores.

O ministro nega qualquer irregularidade.

Há, ainda, os ministros do governo Temer que já caíram por terem sido investigados na Lava Jato, e os que aparecem na lista de propina da Odebrecht.

Todos negam irregularidades.

Deixaram o governo:

Romero Jucá (PMDB)
O senador começou o governo como um dos homens fortes de Temer, virando titular do Planejamento. O senador, no entanto, deixou o governo após conversas suas com o ex-senador e delator na Lava Jato Sérgio Machado virem a público. Agora, deve assumir a liderança no Senado.

Henrique Eduardo Alves (PMDB)
O ex-presidente da Câmara herdou o mesmo cargo que teve no governo Dilma Rousseff (2011-2016), como titular do Turismo. Citado na delação de Sérgio Machado, ele pediu demissão do cargo em junho, antes da conclusão do impeachment de Dilma.

Aparecem na lista da Odebrecht:

Ricardo Barros (PP) — Saúde
Mendonça Filho (DEM) — Educação
Bruno Araújo (PSDB) — Cidades
Raul Jungmann (PPS) — Defesa
Osmar Terra (PMDB) — Desenvolvimento Agrário

Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

Contact Alexandre Aragão at alexandre.aragao@buzzfeed.com.

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