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Mercado vê com desconfiança posições de Bolsonaro em economia

Deputado e pré-candidato à Presidência foi aplaudido em evento de banco nesta semana, mas mercado financeiro vê suas posições na economia com desconfiança.

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Primeiro colocado no cenário mais provável da disputa à Presidência, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) buscou, nos últimos meses, suavizar seu discurso na área econômica.

Apesar disso, o mercado financeiro ainda vê as posições do parlamentar com desconfiança. Isso ficou claro nesta semana, após a participação de Bolsonaro no evento CEO Conference, organizado pelo banco de investimento BTG Pactual, que reuniu investidores e executivos em um hotel em São Paulo.

Apu Gomes / AFP / Getty Images

Bolsonaro foi aplaudido em diversos momentos durante o encontro, mas não quando falou de economia. Participantes ouvidos pelo BuzzFeed News na terça (6), em condição de anonimato, opinaram que as posições do pré-candidato na área econômica ainda são vagas e que ele parece mal preparado para falar do tema.

O principal desafio de Bolsonaro é conciliar o discurso nacionalista com a posição pró-livre mercado que ele busca pregar. Na terça, ao passo em que defendeu que o Brasil abra suas fronteiras ao comércio exterior, o deputado também centrou críticas na presença chinesa na economia do país.

"Visitei a região produtora de grafite de Miracatu (SP) e vi muita gente de olho puxado que está ali fazendo pesquisa há décadas, não podemos permitir isso", disse. "A China não está comprando do Brasil, está comprando o Brasil."

No final de novembro, durante um evento da revista Veja, Bolsonaro disse que caso eleito irá convidar o economista Paulo Guedes para assumir o Ministério da Fazenda.

Ex-sócio do Pactual e doutor pela Universidade de Chicago — um dos principais centros de estudo pró-livre mercado no mundo —, Guedes confirmou as conversas com o pré-candidato.

O ceticismo em relação às posições de Bolsonaro na economia também está presente no mercado financeiro internacional.

Na última semana de janeiro, o chefe de uma das principais consultorias de risco político do mundo divulgou um relatório destinado a altos executivos em que classifica Bolsonaro como um "político pró-militar de extrema-direita" que prega "populismo incendiário".

Apesar disso, o analista ressalta que o conservadorismo de Bolsonaro tem cunho político, mas não necessariamente econômico. Ao contrário do discurso adotado por Donald Trump em 2016, afirma o documento, Bolsonaro é nacionalista mas não insiste na tecla contra a globalização e o livre-mercado.

Na mais recente pesquisa divulgada pelo Datafolha, Bolsonaro aparece na primeira colocação no principal cenário sem o ex-presidente Lula (PT). O deputado aparece com 18% das intenções, seguido de Marina Silva (Rede, 13%), Ciro Gomes (PDT, 10%), Geraldo Alckmin (PSDB, 8%) e Luciano Huck (sem partido, 8%).

Isso pode explicar por que o mercado financeiro ainda não externa abertamente as desconfianças em relação ao deputado. O BuzzFeed News entrou em contato com bancos e entidades de classe para opinarem nesta reportagem, mas nenhum deles quis dar entrevista.

Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

Contact Alexandre Aragão at alexandre.aragao@buzzfeed.com.

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