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Mortes no Espírito Santo chegam a 75 e caos na segurança não tem previsão de acabar

Policiais militares que apóiam a paralisação pedem a saída do secretário de Segurança Pública. Enquanto isso, a Polícia Civil faz o que dá: "Nós somos o único botequim aberto", diz o delegado titular do DHPP, José Lopes.

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Até agora, 75 pessoas foram mortas durante a grave crise de segurança no Espírito Santo, diz o Sindicato da Polícia Civil.

Esse é o número de corpos no Departamento Médico Legal do Estado, que já não dá conta de acondicioná-los corretamente.

Paulo Whitaker / Reuters

Para efeito comparativo, em janeiro deste ano apenas quatro homicídios foram registrados em todo o Espírito Santo.

O titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado José Lopes, afirma que os policiais civis estão desempenhando parte do papel que caberia à Polícia Militar.

"Nós somos o único botequim aberto", resume Lopes.

Segundo ele, houve mortes reportadas em duplicidade e comunicações falsas, o que atrapalha o trabalho da Polícia Civil, que tem ido aos locais registrar boletins de ocorrência.

Na tentativa de compensar o desfalque, o DHPP está com efetivo de emergência, com cerca de 200 servidores.

Paulo Whitaker / Reuters

Além disso, os policiais civis estão lidando com saques e vandalismo. Nesta manhã, um homem foi preso ao encher um galão de gasolina — o frentista desconfiou e chamou a polícia.

Os investigadores acreditam que o suspeito se preparava para incendiar um ônibus, que estão circulando em menor número.

Paulo Whitaker / Reuters

As ruas da região metropolitana de Vitória estão desertas.

Redes varejistas, principalmente lojas de eletrônicos, fecharam as vitrines e esconderam produtos mais caros e fáceis de carregar, como celulares. Concessionárias tiraram seus carros.

Afp / AFP / Getty Images

Nesta tarde, o secretário de Segurança Pública, André Garcia, participará de uma reunião com representantes do Sindicato da Polícia Civil, para tratar da crise. O órgão fará uma assembleia na quinta-feira (9) para discutir uma eventual greve.

Familiares de PMs continuam a fazer piquetes em frente aos batalhões. As demandas dos policiais que apóiam a paralisação incluem a saída de Garcia do cargo e o retorno do coronel Laércio Oliveira, dispensado ontem, ao comando da PM.

Não há previsão para o fim da paralisação.

Paulo Whitaker / Reuters


Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

Contact Alexandre Aragão at alexandre.aragao@buzzfeed.com.

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