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Autor de projeto que proíbe Uber no Brasil recua e agora defende apenas regulamentar

Sob o risco de ser banida, empresa pediu aos usuários que pressionassem deputados. Segundo a companhia, permitir funcionamento do aplicativo ajudaria "inclusive a colocar fim em atos de violência" por parte de taxistas.

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Um dos autores do projeto que pode banir a Uber no Brasil, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse ao BuzzFeed News que o trecho do texto que deixa apenas taxistas explorarem o "transporte individual remunerado" será alterado.

Segundo o parlamentar, que coordena o grupo responsável pela versão final do texto, "o objetivo sempre foi, ao contrário do que dizem, regulamentar" esse tipo de serviço.

"O Uber e as plataformas digitais não querem nenhuma regulação", diz Zarattini ao defender o projeto. "Querem contratar quem elas quiserem, pagar quanto elas quiserem."

Nesta semana, a Câmara irá votar um requerimento que pede urgência na tramitação do projeto. Caso os deputado aprovem o pedido, o projeto de lei irá "pular" as comissões temáticas e será votado diretamente pelo plenário da Casa.

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Segundo o parlamentar, a preocupação da Câmara é em garantir a segurança dos usuários. "Não dá para o cara pegar uma cabeleireira, sem desmerecer as cabeleireiras — uma pessoa sem o costume de dirigir —, e colocar ela para dirigir um carro profissionalmente", afirmou Zarattini.

"O grupo de trabalho entende que deve haver uma abertura para que eventuais pessoas que trabalham hoje com as plataformas digitais possam continuar trabalhando, desde que haja regulamentação", completou o deputado petista.

Diante da possibilidade de ser banida com uma canetada da Câmara dos Deputados, a Uber enviou um email aos clientes pedindo que pressionem deputados a votar contra a medida.

A empresa já lançou mão da tática em outras ocasiões, como quando a Assembleia Distrital bani-la no Distrito Federal.

Ao clicar em "envie um email", uma nova janela se abre, com um texto já escrito no corpo e as contas oficiais de diversos deputados copiadas — inclusive o do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e das principais lideranças de partidos.

No texto que a Uber pediu aos usuários para disseminar está escrito que votar contra o veto ao funcionamento da empresa no Brasil significa "escutar a minha voz e a de milhões de brasileiros, garantindo o nosso direito de escolha".

A redação afirma, ainda, que ao votar contra a proibição da Uber o deputado está "ajudando inclusive a colocar fim em atos de violência como os vistos no Rio de Janeiro" — e inclui um link para uma reportagem do jornal O Globo.

O texto escrito pela equipe da empresa termina com uma hashtag: #FicaUber. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, até segunda (5) foram enviados 13 milhões de emails ao Senado pedindo que o projeto seja rejeitado.

Procurada pelo BuzzFeed Brasil, a Uber se posicionou por meio de nota publicada em seu site, na qual afirma que "qualquer regulamentação que venha a ser definida deve levar em conta que o serviço oferecido pelos parceiros da Uber é diferente daquele prestados pelos táxis, tanto na lei quanto na prática".

Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

Contact Alexandre Aragão at alexandre.aragao@buzzfeed.com.

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