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Esta foto mostra quatro investigados da Lava Jato assistindo à votação do impeachment juntos

Dois estão presos: o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB), detido hoje, e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, aquele que foi filmado recebendo R$ 500 mil da JBS.

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Quando a Câmara afastou Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República, o então vice, Michel Temer (PMDB), recebeu seus aliados mais próximos no Jaburu para acompanhar a votação.

Uma foto tirada naquele dia, 17 de abril, mostra três políticos esparramados ao redor de Temer num sofá: Rodrigo Rocha Loures, Henrique Eduardo Alves e Eliseu Padilha.

Pouco mais de um ano depois, o tempo virou para todos eles: os quatro são alvos de investigação, e dois deles estão presos.

Desde dezembro, seis auxiliares de Temer deixaram o Planalto sob suspeitas de corrupção — três deles estão atrás de grades.

Nesta terça (6), foi a vez de Henrique Eduardo Alves ser preso, por suspeita de desvios em obras da Copa do Mundo de 2014.

A prisão é preventiva, quando não há prazo para a soltura. A investigação apura um esquema de desvios de R$ 77 milhões da Arena das Dunas, em Natal, uma das sedes da Copa-2014.

De acordo com a PF, esse sobrepreço rendeu propinas e doações de campanha para Henrique Eduardo Alves. Ele tentou, sem sucesso, ser eleito governador do Rio Grande do Norte em 2014.

No sábado (3), o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, filmado pela Polícia Federal recebendo R$ 500 mil da JBS, também acabou preso — após perder o direito a foro privilegiado.

Ele já havia deixado o cargo no Planalto em março, para assumir o mandato na Câmara — Rocha Loures era suplente de Osmar Serraglio (PMDB-PR), que assumiu o Ministério da Justiça após a saída de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal.

Após uma articulação política desastrada, no entanto, Serraglio recusou trocar a Justiça pelo Ministério da Transparência e voltou à Câmara, mandando Rocha Loures de volta à suplência e, consequentemente, retirando seu direito a foro.

Temer e Padilha são investigados pela Lava Jato.

O presidente é alvo de um inquérito pela delação da JBS, incluindo a conversa que Joesley Batista gravou no Jaburu.

Padilha, por sua vez, foi citado na delação da Odebrecht: ele é acusado por delatores de ter requisitado R$ 10 milhões em pagamentos de propina, entre 1997 e 2014.

Além dos citados até agora, outros quatro ex-assessores do presidente deixaram o Planalto em meio a suspeitas.

O primeiro foi o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que deixou o Planalto em novembro após ser citado na delação da Odebrecht. Ele também foi acusado de ter pressionado o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, a intervir a favor dele para liberar a obra de um prédio em Salvador, no qual é dono de apartamentos.

Depois, o advogado José Yunes, em dezembro, após reportagem do BuzzFeed Brasil revelar que o delator Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, disse ter operacionalizado a entrega de R$ 1 milhão em espécie no escritório dele.

Yunes deixou o governo e disse ter sido "mula involuntária" do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), que seria o destinatário final do "pacote" — o advogado disse não saber se havia dinheiro no embrulho.

Outro ex-auxiliar de Temer que está preso é Tadeu Filippelli (PMDB), ex-vice-governador do Distrito Federal acusado de receber propina da empreiteira Andrade Gutierrez, entre 2013 e 2014, pela obra do estádio Mané Garrincha, construído para a Copa do Mundo.

Por fim, há duas semanas, Sandro Mabel pediu para deixar o Planalto. Ele foi citado em ao menos duas delações, da Odebrecht e da Hypermarcas.

Segundo narrou o delator Henrique Valladares, ex-executivo da Odebrecht, Mabel participou da articulação para manter Mário Rogar como titular da diretoria de Engenharia de Furnas, em 2008, durante a construção da Usina de Santo Antônio, em Rondônia, conforme revelou o BuzzFeed Brasil em 31 de março.

Em troca da manutenção de Rogar no cargo, segundo o delator, a empreiteira teria pago R$ 10 milhões.

Veja também:

Ex-ministro de Dilma e Temer é preso em operação que investiga desvio em obra da Copa

Sandro Mabel, citado na delação da Odebrecht, é o 4º assessor de Temer a deixar o Planalto

Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

Contact Alexandre Aragão at alexandre.aragao@buzzfeed.com.

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