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9 coisas em que Hollywood precisa melhorar neste ano

Vai dar trabalho.

publicado

1. Frear a ocidentalização.

Paramount Pictures

2016 teve Scarlett Johansson estrelando "Ghost in the Shell". E o filme "Doutor Estranho". E Matt Damon como protagonista de um filme sobre a Grande Muralha da China. E esta é apenas uma amostra de como Hollywood apagou personagens de outras nacionalidades e cores em prol de protagonistas brancos.

No mínimo, em 2016 algumas pessoas começarem a aprender sobre o impacto dessas decisões. Tilda Swinton e Margaret Cho divulgaram uma troca de e-mails em que discutiam a controvérsia em torno de "Doutor Estranho", e o escritor e diretor do filme, Scott Derrickson, disse ao site "The Daily Beast" que ele "realmente não entendia o dor que existe por aí, para pessoas que cresceram vendo filmes como eu cresci, mas não viram seus próprios rostos representados neles".

"As vozes raivosas e de protesto que estão por aí, eu acho que são necessárias", disse ele. "E se isto for uma reação contra este filme, eu não posso dizer que não apoio. Porque, de que outra forma isso vai mudar? É simplesmente assim que teremos progresso, e seja qual for o preço que terei que pagar pela decisão que tomei, eu estou disposto a pagar".

No entanto, os esforços de Hollywood para erradicar estas questões têm sido inexistentes, na pior das hipóteses, e lentas, na melhor delas. Qual o próximo passo? Resultados e, de preferência, aprender essas lições antes do filme ficar pronto e ser lançado.

2. Alçar mais tipos de estrelas de cinema.

20th Century Fox

Toda vez que um filme que se passa em outro país tem um elenco formado quase só por atores brancos, o argumento que vem à tona é de que os grandes filmes de Hollywood não podem ser produzidos sem um elenco renomado.

Como disse o diretor de "Êxodo: Deuses e Reis", Ridley Scott, ao defender o elenco com Christian Bale, Joel Edgerton e Aaron Paul como Moisés, Ramsés e Josué, respectivamente: "Eu não posso montar um filme deste orçamento, onde eu dependo de isenções de impostos na Espanha, e dizer que o meu ator principal é Mohammad sei lá quem de tal lugar. Eu simplesmente não vou conseguir financiamento".

Mas todos os grandes nomes começaram como zés ninguém. Muitas vezes, eles só ganharam reconhecimento porque alguém apostou neles, dando uma oportunidade para que eles pudessem fazer um filme ou programa de TV, acreditando que eles tinham o que era preciso para o público gostar deles.

Precisamos dar esta chance a mais pessoas, pessoas de diferentes etnias, tamanhos etc.

3. Colocar uma moratória na morte das personagens LGBT.

The CW

Às vezes a história se baseia demais em um enredo. E isso é certamente o caso quando se trata da tendência de Hollywood em matar personagens LGBT, especialmente na TV. Isso foi especialmente desenfreado em 2016. "The 100", "Orange Is the New Black", "Empire", "The Catch", "The Magicians", "The Walking Dead", "The Vampire Diaries", "Blindspot", "Person of Interest", "Pretty Little Liars", "Masters of Sex" — todos esses programas e muitos outros mataram suas personagens LGBT em 2016. E os fãs se rebelaram e exigiram mudanças.

A metáfora "bury your gays [enterre seus gays]" provoca reações viscerais por um motivo -- incluindo o desgosto e a exaustão de ver outras sexualidades associadas tão frequentemente com a morte. Por isso, precisamos de uma pausa. De preferência, uma longa pausa. Há outras maneiras de agitar o enredo que não incluem matar as personagens LGBT.

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4. Trazer outros tipos de corpos.

NBC

De fato, em toda a história de Hollywood, apenas uma pequena variedade de corpos ganhou um destaque desejável na tela. E quando Hollywood decide descrever alguém acima de um certo tamanho -- especialmente quando esse alguém é uma mulher -- eles tendem a fazer um estardalhaço. Pense na série dramática da NBC "This Is Us", que estrela a talentosa Chrissy Metz, cujo enredo gira quase que inteiramente em torno de sua obsessão pela perda de peso.

Quando a Disney se esforçou para dar à sua mais recente princesa, Moana, um "corpo mais realista" -- como disse o diretor John Musker -- o resultado ainda foi uma jovem inegavelmente magra. É um passo adiante em relação às notórias imagens corporais fisicamente impossíveis das Princesas da Disney do passado, com certeza -- mas muito pequeno no grande esquema do quanto nós precisamos avançar. É impossível ser corporalmente positivo se não estamos vendo nas telas o respeito a uma variedade de corpos.

5. Parar de usar o estupro como um atalho para o desenvolvimento da personagem.

HBO

De muitas maneiras, parece que estamos apenas começando a ter séries de TV e filmes que de fato capturam diferentes ângulos sobre o estupro. Há o recorte de "Jessica Jones" para o estresse pós-traumático, e o domínio de misturas tonais e humor negro de "Sweet/Vicious", por exemplo.

As pessoas lidam com a violência sexual e suas ramificações todos os dias, por isso é adequado incluí-la nos programas a que assistimos todas as noites, quando for o caso. Mas muitas forças criativas em Hollywood estão usando a violência sexual como um meio rápido e barato de desenvolvimento da personagem.

"Eu diria que, de [200 roteiros de personagens], havia provavelmente 30 ou 40 deles que se abriam com um estupro ou tiveram um estupro em algum momento", disse o produtor-executivo de "O Exorcista", Jeremy Slater, à revista "Variety" sobre as amostras de roteiros que chegam em sua mesa durante o processo de contratação.

Como disse a criadora de "Lost Girl" e "Killjoys", Michelle Lovretta, à "Variety": "O nexo entre sexo e violência é o equivalente cinematográfico de uma fissura por doce. É uma combinação de efeito rápido com um monte de informações poderosas -- excitação, tabu, conflitos de personagens, traição profunda. Em uma cena, você consegue alterar os arcos narrativos das suas personagens, e isto pode ser muito tentador para os roteiristas".

Isso não é apenas narrativamente barato, é culturalmente nocivo. Sansa Stark, de "Game of Thrones", poderia ter tido sua vingança sem o seu estupro.

6. Não deixar as pessoas com deficiência de fora.

ABC

Como Alyssa Rosenberg escreveu sobre o filme "Procurando Dory" para o "Washington Post", "é bastante deprimente que algumas das personagens com deficiência mais aventureiras e realizadas na cultura popular americana sejam peixes de desenhos animados".

No ano passado, os protestos nos EUA contra o filme "Como Eu Era Antes de Você" foram sem precedentes em sua escala e impacto. Muitos criticaram o retrato romântico de um homem com uma lesão medular que decide tirar sua própria vida por meio do suicídio assistido, em vez de continuar a viver com a sua quadriplegia. A reação contra "Como Eu Era Antes de Você" foi apenas um exemplo de uma grande movimento contra a deturpação e a sub-representação das pessoas com deficiência em Hollywood.

"Essa conversa é muito necessária, porque há 56 milhões de americanos com deficiência", disse o ator Marlee Matlin na Mesa Redonda para Inclusão da Deficiência no início de novembro, de acordo com a "Deadline". "Trata-se de 20% da população. Mas, se você julgasse nossa existência pelo que vê na TV, você acharia que representamos menos de 1%". Como a apresentadora de TV Sophie Morgan disse ao "Irish Examiner": "Eu adoraria ligar minha TV e ver uma pessoa com deficiência falando sobre algo em que eles realmente estão interessados ou representando um papel que não se concentre apenas na deficiência".

"Nós, como indústria, continuamos falando sobre diversidade", disse ela. "Sabemos que temos um problema, mas, quando começamos a falar sobre a diversidade, parece que as deficiências ficam de fora."

7. Fazer uma pesquisa básica.

Universal Pictures

Quando alguém está escrevendo sobre uma cultura ou experiência sobre a qual não entende bem, é importante assumir a responsabilidade que vem junto com isso e fazer uma pesquisa. Está representando o sadismo ou dominação? Está escrevendo sobre as Nações Unidas? Uma mulher japonesa recém-imigrada para os EUA na década de 1940? Uma personagem trans à procura de emprego? Uma mulher negra que está recebendo um corte de cabelo? Leia sobre o que isso pode representar. Olhe os relatos em primeira mão sempre que puder. Pesquise.

"Quando os artistas criam obras sobre minorias sem pesquisar o suficiente, eles devem esperar questionamentos sobre a representação", disse Alice Wong, fundadora do Projeto Visibilidade da Deficiência, ao BuzzFeed em junho.

8. Equilibrar sua equipe de redatores.

QUEEN SUGAR writers room love! Saluting our writing team Tina, Ben, Denise, Jason, Anthony. Write on! #inclusivecrew

O Relatório de Redatores de Hollywood da Writers Guild of America 2016 foi chamado de "Renaissance in Reverse?" e apontou que, em 2016, redatores não brancos "mantiveram-se subrepresentados em uma proporção de cerca de 3 para 1 entre os redatores de televisão". De acordo com um estudo da USC Annenberg, que analisou cerca de 6.500 redatores, "para cada roteirista mulher, havia 2,5 roteiristas do sexo masculino".

O famoso teste Bechdel tem normas muito básicas para a representação das mulheres na ficção: Duas mulheres com nomes têm de falar uma com a outra sobre algo que não seja um homem. Quando havia pelo menos uma mulher na equipe de produção de um filme, por exemplo, apenas cerca de 17% dos filmes falharam no teste, segundo a pesquisa em 4.000 títulos. Quando um filme era escrito inteiramente por mulheres, apenas cerca de 6% falharam. Quando não havia mulheres presentes, cerca de metade deles falhou.

9. Contratar de forma mais inclusiva em todas as etapas do processo de produção.

ABC

Diretores. Produtores. Diretores de fotografia. Figurinistas. Do início ao fim do processo de produção, a inclusão tem sido um grande esforço desde os primórdios da máquina de Hollywood. E não é algo que pode ser consertado de forma simples ou tudo de uma vez. Os instintos e as paredes institucionais que impedem o acesso são reais e difíceis de combater. Apenas um em cada cinco programas durante a temporada 2015-2016 da TV americana creditaram uma mulher, de acordo com um estudo realizado pela Universidade Estadual de San Diego.

Trabalhar rumo à inclusão -- e as diversas recompensas que vêm com ela -- exige tempo e esforço orquestrado de todos os envolvidos. O cocriador de "Arrow", Greg Berlanti, por exemplo, prometeu em abril de 2016 contratar 50% de mulheres e negros para dirigir na série. "É o seu fardo. Você vai aprender que isto de fato acaba tornando o programa melhor, e é uma sacada muito inteligente", disse ele em uma reunião de diretores em abril.

Ele também apontou um dilema familiar: Para ser contratado para um trabalho grande em Hollywood, muitas vezes você precisa já ter feito um trabalho grande em Hollywood. Mas, assim como os atores, as pessoas criativas entram no sistema quando outras pessoas decidem apostar nelas. Colin Trevorrow tinha trabalhado principalmente em pequenos projetos e filmes independentes antes da Universal entregar-lhe "Jurassic World" e seu orçamento de US$ 150 milhões. Isso certamente valeu a pena. Atualmente, Ava Duvernay é a única mulher negra na história a dirigir um filme de um grande estúdio com um orçamento de US$ 100 milhões. Mas ela não é a única com capacidade, disposição e desejo de fazer o trabalho. O progresso exige assumir essas apostas.

Este post foi traduzido do inglês.

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