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Ao bater recordes de bilheteria, "Mulher-Maravilha" pode mudar Hollywood para sempre

Com uma estreia recorde de US$ 100,5 milhões nos cinemas americanos, o primeiro grande filme de super-heroína em mais de uma década está prestes a, finalmente, mudar a atitude retrógrada da indústria do cinema em relação às mulheres atrás e na frente das câmeras.

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"Mulher-Maravilha" — o primeiro filme solo de uma super-heroína em mais de uma década e o primeiro filme de super-herói dirigido por uma mulher, Patty Jenkins — estreou no último fim de semana com uma arrecadação estimada em US$ 100,5 milhões na bilheteria americana.

Jenkins agora detém o recorde da melhor estreia de uma diretora na bilheteria americana, superando os US$ 85,2 milhões arrecadados por Sam Taylor-Johnson no fim de semana de estreia de "Cinquenta Tons de Cinza", em 2015. Com os US$ 122,5 milhões arrecadados nas bilheterias internacionais, "Mulher-Maravilha" já ganhou mais em um fim de semana do que qualquer outro filme de super-heroína em toda a história do cinema.

Resumindo, o filme quebrou uma das maiores barreiras de Hollywood.

Após décadas de tentativas frustradas e reflexões, o primeiro filme baseado na icônica super-heroína traz uma sensação inconfundível. O delírio da crítica está levando espectadores que raramenteou nunca — veem filmes de super-heróis a comprarem ingressos para "Mulher-Maravilha". Há muitos relatos de espectadores aplaudindo espontaneamente o filme em vários momentos. E a nota "A" que a obra recebeu no CinemaScore sugere uma vida longa e saudável nos cinemas — muitos fãs entusiasmados já estão tuitando que irão assistir ao filme duas vezes.

A maioria dos filmes de sucesso geralmente se resume a isto: ele é bom para as margens de lucro dos estúdios e para as carreiras dos produtores. Porém, de vez em quando, o sucesso de um longa-metragem provoca um impacto muito mais profundo na forma como Hollywood faz negócios. "Tubarão", por exemplo, inventou o blockbuster de verão. "Toy Story" criou o longa-metragem de animação gerado por computador. "Os Vingadores" introduziu a noção de um universo cinematográfico.

Da mesma forma, o sucesso de "Mulher-Maravilha" tem o potencial de mudar a forma como Hollywood vê as mulheres nos filmes, tanto em frente quanto atrás das câmeras. Ou deveria. E aqui está como.

Como se seu recorde de bilheteria não fosse o suficiente, Jenkins conseguiu algo ainda mais impressionante: Ela é a primeira cineasta mulher a estrear com sucesso um blockbuster de ação caro e com efeitos especiais — praticamente a única coisa com a qual os estúdios de Hollywood parecem se importar atualmente — em 20 anos. (A última foi Mimi Leder, com o filme de aventura de cometa-atingindo-a-Terra "Impacto Profundo", que estreou em 1998.)

No entanto, poucas mulheres puderam competir por esta coroa. Os estúdios raramente entregam uma pilha gigante de dinheiro para uma mulher dirigir qualquer coisa, muito menos uma propriedade tão inestimável — o que torna a conquista de Jenkins ainda mais extraordinária.

"Mulher-Maravilha" é um marco dos esforços da Warner Bros. em criar um universo cinematográfico com seus personagens da DC Comics que poderiam igualar o sucesso comercial da Marvel Studios. Os filmes anteriores da DC — "O Homem de Aço", de 2014, "Batman vs Superman: A Origem da Justiça" e "Esquadrão Suicida", ambos de 2016, todos dirigidos por homens — certamente ganharam dinheiro, mas também foram recebidos com um grau crescente de indiferença e escárnio.

Se "Mulher-Maravilha" também fosse fraco, seria difícil fugir da sensação de que a Warner Bros. tinha desperdiçado sua chance de construir seu próprio império de filmes de super-heróis. A própria Jenkins estava bem consciente de que um fracasso poderia atrapalhar não apenas sua carreira, mas também as oportunidades — já insignificantes — para todas as cineastas mulheres com grandes ambições.

Um artigo publicado em maio inclusive observou o quanto era uma "aposta" para a Warner Bros. contratar Jenkins, já que seu único outro longa-metragem como diretora, a cinebiografia independente ganhadora do Oscar de 2004 "Monster: Desejo Assassino", teve um orçamento de apenas 8 milhões de dólares. Mas, como muitos já apontaram, "Monster: Desejo Assassino" custou mais para fazer — e arrecadou mais na bilheteria — do que os longas-metragens de estreia de muitos diretores que recentemente ganharam filmes com enormes investimentos dos estúdios.

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Jenkins extraiu o máximo do orçamento de 150 milhões de dólares de "Mulher-Maravilha", e agora ela é considerada nada menos do que a salvadora da DC, ganhando generosos elogios por trazer a combinação certa entre humor e heroísmo para um universo cinematográfico lamentavelmente desprovido de ambos. Se um possível fracasso poderia atrapalhar todas as outras mulheres querendo trabalhar na produção de um filme de um grande estúdio, seu sucesso deveria, no mínimo, lembrar os estúdios a fazer pelo menos mais algumas apostas em cineastas mulheres.

Algumas mulheres já estão começando a ter sucesso: Ava DuVernay ("Selma: Uma Luta Pela Igualdade") foi a primeira cineasta negra a receber um orçamento de mais de 100 milhões de dólares para "Uma Dobra no Tempo", da Disney, que estreia em 2018. E Gina Prince-Bythewood ("Nos Bastidores da Fama") acabou de ser contratada pela Sony para dirigir o filme derivado do Homem-Aranha, "Silver & Black" [Prata e Negra, em tradução livre]. Enquanto isso, Jenkins disse à Susan Cheng, do BuzzFeed News, que seu próximo grande filme provavelmente será uma sequência de "Mulher-Maravilha".

Mas, com apenas 7% dos 250 melhores filmes de 2016 dirigidos por mulheres, Hollywood ainda precisa se desapegar da noção absurda de que mulheres não conseguem lidar com grandes orçamentos e propriedades valiosas. Para fazer isso, precisa passar a contratá-las.

Antes de "Mulher-Maravilha", não havia um filme de super-heroína bem-sucedido. Personagens como a Viúva Negra, de Scarlett Johansson, e a Mística, de Jennifer Lawrence, certamente participaram do sucesso de seus respectivos filmes de grupos de super-heróis, mas os estúdios simplesmente não acreditavam que uma mulher pudesse estrelar seu próprio filme de super-herói, com a crença equivocada de que os homens não iriam assisti-lo porque era uma mulher na liderança, e as mulheres não iriam porque era um filme de super-herói.

Falando nisso: de acordo com a Warner Bros., o público de "Mulher-Maravilha" foi composto de 52% de mulheres e 48% de homens, e ambos os gêneros deram ao filme uma nota "A" no CinemaScore. E, com US$ 100,5 milhões, "Mulher-Maravilha" teve um fim de semana de estreia nos EUA melhor do que "Homem de Ferro", "Doutor Estranho", "Thor", "Capitão América: O Primeiro Vingador", "O Espetacular Homem-Aranha", e "Batman Begins".

Parece que o problema não era bem que as pessoas não iriam assistir a filmes de super-heroínas — as pessoas não iriam assistir a filmes de super-heroínas que fossem ruins.

Existem diversos outros filmes de super-heroínas em produção. A Marvel Studios apresentará Brie Larson como Carol Danvers, também conhecida como Capitã Marvel, em "Vingadores: Guerra Infinita", em 2018, antes de estrelar seu próprio longa-metragem em 2019, dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck ("Parceiros de Jogo"). (Evangeline Lilly tecnicamente chegará antes de Larson, coestrelando "Homem-Formiga e a Vespa" para a Marvel Studios em 2018.) Joss Whedon está trabalhando em um filme da Batgirl — ainda sem previsão — para a Warner Bros. E "Silver & Black" [Prata e Negra, em tradução livre], de Prince-Bythewood, para a Sony Pictures, focará nas personagens Sabre de Prata e Gata Negra, da Marvel Comics.

Se Diana Prince precisa agradecer a alguém por finalmente ter protagonizado seu próprio filme, essa pessoa é Katniss Everdeen. Apesar de a franquia "Crepúsculo" ter deixado claro que filmes voltados para as mulheres podem ganhar muito dinheiro, foi só com a franquia "Jogos Vorazes" que Hollywood entendeu que as pessoas querem ver as mulheres em ação.

Também é possível fazer uma ligação de Katniss com Rey, de Daisy Ridley, em "Star Wars: O Despertar da Força", e Jyn Erso, de Felicity Jones, em "Rogue One: Uma História Star Wars". Adicione a "Mulher-Maravilha", de Gal Gadot, e de repente fica claro que muitas pessoas querem ver mulheres em filmes de ação.

Felizmente, Hollywood começou a prestar atenção: Em julho, veremos Charlize Theron fazendo exatamente isso em "Atômica", e Cara Delevingne faz o mesmo em "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas". Ridley provavelmente também voltará com tudo em "Star Wars: Os Últimos Jedi". E, em 2018, juntamente com "Homem-Formiga e a Vespa", de Lilly, Alicia Vikander interpretará Lara Croft no reboot da Warner Bros., "Tomb Raider", e Rosa Salazar ("Parenthood: Uma História de Família", "Maze Runner: Prova de Fogo") estrelará "Alita: Battle Angel", escrito por James Cameron e Laeta Kalogridis e dirigido por Robert Rodriguez.

No entanto, observe que (tirando Salazar) são exclusivamente mulheres brancas em ação. Uma das melhores coisas em "Mulher-Maravilha" foi a diversidade descomplicada do lar de Diana em Themyscira, com mulheres de muitas raças — e formas corporais — compartilhando a tela e lutando juntas. Há tantas histórias sobre esses tipos de mulheres esperando para serem contadas. Tudo o que Hollywood precisar fazer é produzi-las.


Aqui estão as 10 melhores bilheterias americanas de sexta-feira a domingo, cortesia de Box Office Mojo:

1. "Mulher-Maravilha"* — 100,5 milhões de dólares
2. "As Aventuras do Capitão Cueca: O Filme"* — 23,5 milhões de dólares
3. "Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar" — 21,6 milhões de dólares
4. "Guardiões da Galáxia Vol. 2" — 9,7 milhões de dólares
5. "Baywatch" — 8,5 milhões de dólares
6. "Alien: Covenant" — 4 milhões de dólares
7. "Tudo e Todas as Coisas" — 3,3 milhões de dólares
8. "Snatched" — 1,3 milhão de dólares
9. "Diary of a Wimpy Kid: The Long Haul" — 1,22 milhão de dólares
10. "Rei Arthur: A Lenda da Espada" — 1,17 milhão de dólares

*Fim de semana de estreia

Este post foi traduzido do inglês.

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