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11 belas histórias da página Humans of São Paulo que irão inspirar seu dia

A fanpage é inspirada no projeto Humans of New York e publica histórias e fotos de pessoas encontradas pelas ruas de São Paulo.

1.
Humans of São Paulo / Via facebook.com

“Qual a lembrança mais triste que você tem?”
“De ultimamente? Foi no trabalho. Eu trabalho na Fábrica de Cultura e estava fazendo um projeto num CEU da zona leste. Andando por lá eu encontrei um menino numa escada, longe de onde as outras crianças estavam brincando. Eu perguntei “você não quer brincar?” e ele me respondeu “quero tia, mas eu tô morrendo de fome, não como nada há quase dois dias.” É complicado ainda ter fome assim numa cidade tão grande e rica. No fim, tudo o que ele queria era comer e voltou a brincar com os outros.”

2.
Humans of São Paulo / Via facebook.com

Quando pedimos pra tirar foto dele e dos seus filhos, notei que o nome de um deles era bem diferente.
“Desculpe, como é o nome dele?”
“Amanari. Significa ‘água da chuva’”
“Que legal. Por que Amanari?”
“Porque o nome de uma pessoa tem poder, e eu quero que meu filho seja mais próximo da mãe natureza. Eu tentei mudar o nome da minha menina mas já era tarde, ela não quer outro nome.”

3.
Humans of São Paulo / Via facebook.com

“Aprendi a tocar violão com a escola da vida. Quando você precisa de um lugar pra dormir é melhor ter algo pra dar, ou ninguém te dá nada em troca. Então eu dou música e às vezes me dão dinheiro.”

4.
Humans of São Paulo / Via facebook.com

“Eu sou de Londres, mas vivo onde eu tiver tocando música. Se sentir que não devo mais ficar em um lugar, é hora de me mudar.”
“E onde você mora agora?”
“São Paulo, mas porque aqui ninguém cansa de música. Estou fazendo um documentário sobre minha vida itinerante, então vou ter de sair daqui logo mas, honestamente, daria pra continuar aqui pra sempre. São Paulo é pra arte tanto quanto eu sou pro mundo.”

5.
Humans Of São Paulo / Via facebook.com

“Qual o momento mais triste da vida de vocês?”
“Acho que quando a namorada dele morreu. Estávamos na Augusta, saindo de uma peça e, quando ela tentou atravessar a rua, um ônibus pegou ela em cheio, bem na nossa frente. É uma coisa impossível de se tirar da mente.”
“E o momento mais feliz?”
Juntos: “Agora.”
“Acho que agora né, sempre vai ser o melhor momento de todos. Qual outra hora melhor pra ser feliz?”

“Eu possuo uma empresa de exportação de dia e faço bicos de segurança a noite. As coisas não vão muito bem na empresa agora, mas acho que vai melhorar com o passar do tempo.”
“Isso é o que você sempre sonhou em fazer?”
“Não. Eu sou um faz tudo por necessidade, mas eu sou músico de coração. Trabalhando como segurança eu já conheci o Roberto Carlos, foi um dos dias mais emocionantes da minha vida, ele é minha maior inspiração. Eu vim pra São Paulo com a roupa do corpo há dois anos atrás e acredito que possa ter a sorte no futuro pra tocar e cantar, mas agora não posso nem tentar e nem sair daqui. São Paulo é onde o dinheiro está.”

“Eu nasci em Lisboa, cresci em Luanda e vim pro Brasil 25 anos atrás. Desde então já me casei, divorcei, aposentei e hoje apenas curto meus netos, que são o amor de minha vida, e faço meus bordados. Venho vender eles aqui no fim de semana, mas quando esfria muito eu vou embora.”
“E todo fim de semana você sai pra vender?”
“Ah, mas é claro que não. Só se meu São Paulo não estiver jogando! Quando cheguei aqui, a primeira coisa que fiz foi ver São Paulo e Corinthians jogar. Desde então, se não estiver doente, não perco um jogo sequer.”

“Qual foi o momento mais especial da sua vida até hoje?”
“Certo dia, a trabalho, eu conheci um senhor húngaro sobrevivente do holocausto. Ele fugiu da europa pra cá logo depois do fim do Reich, mas não sem antes ter passado por cinco campos de concentração. Ele estava internado num hospital psiquiátrico e apesar de apresentar uma boa condição, não tinha como sair, pois a família o esqueceu e a comunidade judaica também não queria mais contato com ele. Eu o visitei regularmente por muito tempo, até que um dia ele viu na televisão o rabino Henry Sobel e falou “eu conheço ele”. Eu liguei pro Sobel e ele gentilmente nos atendeu, e realmente conhecia o senhor. O Henry Sobel se esforçou dia e noite pra traçar a árvore genealógica dele e conseguiu contato com uma sobrinha distante, que deu entrada nos papéis de liberação do hospital psiquiátrico. Durante a primeira caminhada dele à luz do dia depois de quase duas décadas, totalmente livre, ele me disse: “Antes de você eu só estava esperando meu corpo morrer. Obrigado por me devolver a vida”. Eu nunca consigo me lembrar desse momento sem me emocionar por ele e por mim.”

“Eu já tenho idade pra me aposentar, mas prefiro continuar trabalhando. Trabalho pode ser algo que te estresse, mas é também a melhor forma de manter a pessoa ativa. As pessoas sabem que uma máquina enferruja sem uso, então por que não cuidam do seu corpo e do seu cérebro com frequência também? A gente enferruja também, sabe. Todo mundo envelhece, mas só o inativo fica realmente velho.”

“Qual é o seu sonho?”
“Ser biólogo.”
“Sério?”
“Não parece, né? Eu já ouvi muito disso, e já teve gente mais direta ainda, dizendo que gente como eu não serve pra ser cientista. Mas se eu me visto assim é por conta de como cresci e quem eu sou, e não acho que devo deixar isso de lado pra realizar meus sonhos.”

“Eu moro no Brasil há 7 anos e eu gostaria de deixar um recado: nunca deixem de ser assim. Sempre dizem que o melhor do Brasil é o brasileiro, e há 7 anos eu vejo que é verdade. Eu moro em São Paulo e o trânsito é ruim, os preços são altos, mas o povo é prestativo e de ótimo coração, coisa que não se compra. Vocês deviam se orgulhar mais do país, e de vocês mesmos principalmente.”

Veja outras histórias na página do projeto Humans of São Paulo no Facebook.

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Manuela Barem é editora-chefe do BuzzFeed Brasil, em São Paulo.
 
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